Tecnologia de última geração para tratamento da ‘Síndrome do Pânico’

A tecnologia já lançou seus tentáculos nos mais variados campos de atuação. Na medicina, os progressos são consideráveis. Um exemplo é o que tem sido feito em prol de pacientes de Síndrome do Pânico. Por mais que se debata as causas, só quem teve (ou tem) o “medo do medo” sabe a tortura que é. A doença, cujas causas ainda são estudadas — stress, falta de substâncias no cérebro, fatores biológicos e genéticos — normalmente é tratada com remédio e terapia. Mas, para alívio dos pacientes, aparelhos, softwares e internet começam a ser aplicados no combate ao mal.

A tecnologia já lançou seus tentáculos nos mais variados campos de atuação. Na medicina, os progressos são consideráveis. Um exemplo é o que tem sido feito em prol de pacientes de Síndrome do Pânico. Por mais que se debata as causas, só quem teve (ou tem) o “medo do medo” sabe a tortura que é. A doença, cujas causas ainda são estudadas — stress, falta de substâncias no cérebro, fatores biológicos e genéticos — normalmente é tratada com remédio e terapia. Mas, para alívio dos pacientes, aparelhos, softwares e internet começam a ser aplicados no combate ao mal.

Os primeiros resultados são animadores. Um estudo do Imperial College, de Londres, comparou 54 pacientes que iniciaram tratamento com o software “Fear Fighter” com 31 outros que fizeram somente terapia. Os dois grupos tiveram êxito, mas quem usou o programa gastou 63 minutos ao longo de quatro sessões com o clínico, enquanto quem recebeu tratamento tradicional gastou 444 minutos em oito sessões. Isso não significa, no entanto, que o programa substitua o médico.

O Fear Fighter foi criado pela empresa ST Solutions e pode ser encontrado em . A idéia é usar a terapia de exposição — na qual o paciente indica o que sente, fala de seus medos e procura soluções para diminuir o tempo e a freqüência das crises — e dar ao doente nove passos para que ele possa reagir melhor às crises de ansiedade.

Para adquirir o Fear Fighter — disponível em formato de software e pela internet — os pacientes devem preencher um cadastro com dados pessoais e sintomas básicos, para que os pesquisadores possam se certificar de que o sistema é adequado ao requerente. Infelizmente, ele não é gratuito. Com acompanhamento de 12 meses, sai por US$ 798. Já quem deseja usá-lo sozinho paga US$ 299.

Walkmans para controle do stress e combate ao pânico

Outros dois aparelhos que prometem revolucionar o tratamento do pânico é o Alpha-Stim 100 (R$ 1.188, recomendado para terapia com o auxílio de profissionais da área médica) e o Alpha Stim Stress Control System (SCS, R$ 1.188, ), para qualquer usuário. O primeiro é uma espécie de walkman que cabe na palma da mão e usa o processo chamado de Estimulação Cranial por Eletroterapia (transmissão de ondas elétricas ao cérebro do paciente, diminuindo a sensação de ansiedade e brecando a crise no início). Dois eletrodos são usados na parte do “diskman” que caberia aos fones. Já o modelo SCS tem dois eletrodos que podem ser usados em qualquer parte do corpo.

Outro aparelho interessante é o Eye Trek TV (R$ 5.558), espécie de televisão portátil com som sorround capaz de realizar Terapia de Realidade Virtual no tratamento de fobias. Ele pode ser conectado a DVD, VCR ou computador.

No Brasil, os aparelhos são distribuídos pela empresa Topstar (2286-4781), do Rio . De acordo com o dono e fundador da compania, Leopoldo Kneit, os equipamentos são usados por instituições como o hospital Albert Einstein:

— Os produtos partem do princípio de que se pode incrementar o nível de consciência do paciente para que ele use a capacidade mental para se curar — diz Kneit.

Os aparelhos são recomendados para quem sofre de ansiedade extrema e pânico (de avião, agorafobia, medo de animais, etc.) e para pessoas que querem se livrar de algum tipo de stress. Para ter acesso a eles, no entanto, é necessária uma prescrição médica.

Psiquiatras discordam quanto ao uso dos produtos

O que a medicina pensa disso tudo? Para os especialistas ouvidos pelo Info etc , qualquer técnica que auxilie no controle da ansiedade é bem-vinda:

— A medicina está aberta a mundos novos e os computadores estão revolucionando o tratamento de doenças — diz Cristina Loyola Erthal, psiquiatra e psicoterapeuta. — Indicaria os eletrodos depois de comprovação e experimentação feita por colegas, mas o software é interessante.

Assim como Cristina, Sandra Salgado, psicóloga do Instituto de Psicoterapia Comportamental do Rio, acha que qualquer ajuda é bem-vinda:

— Recomendo para meus pacientes meditação, yoga e atividades físicas que combatam a ansiedade. — diz. — Mas qualquer coisa que possa ajudar é bem-vindo.

Já o psiquiatra Paulo Mattos, professor de Neuropsiquiatria da UFRJ, elogia o Fear Fighter, mas se diz chocado com o uso dos eletrodos:

— Só existem dois métodos para se tratar a síndrome: medicamentos e terapia comportamental — diz. — Usar eletrodos é pura picaretagem.

Mattos é responsável por uma pesquisa que demonstrou a eficácia de um medicamento para depressão quando usado para tratamento de pânico: a Mirtazapina, solução geral. Na UFRJ, a droga é gratuita. Basta ligar para (21) 2543-6970.

Elis Monteiro

Fonte: Globo On line
Rio, 28 de Janeiro de 2002

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