PSYU Nº1 – Coluna PROFISSÃO – Março/2000

Ainda pouco difundida nas faculdades, a Psicologia Transpessoal, representada no mundo por nomes como Stanislav Grof e Ken Wilber, tem seu espaço na faculdade de Psicologia da PUC-SP, representada principalmente pela professora Vera Casali.

Psicologia Transpessoal: a possibilidade de fazer pontes
Ainda pouco difundida nas faculdades, a Psicologia Transpessoal, representada no mundo por nomes como Stanislav Grof e Ken Wilber, tem seu espaço na faculdade de Psicologia da PUC-SP, representada principalmente pela professora Vera Casali.

Psicologia Transpessoal: a possibilidade de fazer pontes
Aquilo que hoje chamamos “Psicologia Transpessoal” foi estabelecida como tal no final dos anos sessenta, a partir do interesse de psicólogos humanistas em categorias de experiências pouco estudadas e reconhecidas como constituintes da natureza humana.

A partir das experiências de “pico” descritas por Maslow que aconteciam espontaneamente, tinham forte conotação mística e não se encaixavam dentro de nenhum modelo de psicopatologia, foi se abrindo a possibilidade de novas explicações teóricas para esses acontecimentos. Antes, Jung já havia desenvolvido um extenso e sério trabalho onde seupunha que o elemento espiritual é parte orgânica e integral da psique. Conforme Grof (1988) salienta, “para Jung a genuína espiritualidade é um aspecto do inconsciente coletivo, independente do condicionamento da infância e da vida pregressa do indivíduo, do ponto de vista cultural e educacional. Assim, se a análise e a auto-exploração alcançam suficiente profundidade, os elementos espirituais emergem espontaneamente na consciência.”.

Outro trabalho importante na sistematização da teoria e prática Transpessoais é de Roberto Assagioli, psiquiatra italiano, que desenvolveu a Psicossíntese. “Seu sistema conceitual supõe um constante processo de crescimento do indivíduo, que atualiza seu potencial oculto. Focaliza os elementos positivos, criativos e alegres da natureza humana e acentua a importância funcional da vontade.” (Grof, 1988)

Sem dúvida um dos maiores estudiosos das possibilidades teóricas e práticas da Psicologia Transpessoal é Stanislav Grof, que tem focado seu trabalho em possibilidades de ampliação de consciência. Nestes processos, especial atenção é dada à compreensão dos fenômenos perinatais, que podem se apresentar segundo quatro padrões experienciais fundamentais: as Matrizes Perinatais Básicas. Estas funcionam como princípios organizadores do inconsciente, além de conterem seus próprios conteúdos emocionais e psicossomáticos.

É a partir da pesquisa de Stanislav Grof sobre estados alterados de consciência, que foi possível estabelecer uma nova “cartografia” das possibilidades humanas, conscientes e inconscientes, onde estes diferentes pressupostos teóricos que se tocavam e/ou pareciam complementares, se integram e passam a fazer sentido dentro de um modelo Holotrópico da realidade.

Trata-se não mais de eleger qual explicação psicológica seria a mais correta, mas sim de, diante da parte (de um Todo) em foco, reconhecer a explicação que faz mais sentido e a técnica mais eficiente.

É nesse sentido que, sem simplificar, superqualificar ou desmerecer quaisquer afirmações sobre o Humano e sua realidade, a Psicologia Transpessoal em particular, e o Movimento Transpessoal (como um Todo) pode servir como ponte entre diferentes concepções teóricas e diferentes áreas do conhecimento.
VERA CASALI, PROFESSORA DA ELETIVA DE PSICOLOGIA TRANSPESSOAL NA PUC-SP

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