PSYU Nº2 – Coluna FALO (Política) – Abril/2000

Sozinhos com os outros
Sozinhos com os outros
1997- Reformas na PUC-SP acabaram com os bancos que tínhamos na prainha. 1999- Fecharam o corredor de acesso da Cardoso de Almeida, diminuindo o trânsito dos estudantes. Nestes mesmos anos houveram proibições de festas e/ou restrições da utilização do espaço do campus. 2000- Duas outra reformas que transformam o espaço de convivência de nossa Universidade: a da biblioteca e a do restaurante. A reforma da biblioteca, extremamente necessária, acabou com o espaço de discussão em grupos. Mesmo com grande parte dos trabalhos acadêmicos sendo desenvolvidos em grupo. Em substituição a esse espaço, os estudantes se apropriaram das mesas do restaurante para suas atividades e agora mais este espaço de discussão foi destruído.

A PUC restringe cada vez mais o espaço de convivência do estudante e que objetivos e concepções estão por trás dessa prática? Que a Universidade é uma fornecedora de ensino, pelo qual pagamos, recebemos e vamos embora? Ou será a mesma lógica de Centros Acadêmicos que alugam todo o seu espaço considerando que isso é mais importante?

Pensar o que queremos para a PUC é nos voltarmos para esta questão. A Universidade é muito mais que a aula, ela é um espaço privilegiado de debates, discussões, de pesquisas, manifestações, encontros políticos, acadêmicos e culturais, de produção de conhecimento em seu sentido amplo. A Universidade é o espaço da democracia e da pluralidade só conseguida a partir desse espaço compartilhado por todos e livre.

Mas vivemos sob a ótica do individualismo e a PUC vem abraçando cada vez mais essa idéia. Cada um por si, sem projetos coletivos, cada um voltado para si, sem um plhar para a coletividade. E nós psis não podíamos expressar melhor nossa implicação nisso do que de uma forma simbólica: reduzindo nosso ESPAÇO COMUM. Aquele espaço em nosso horário que foi uma conquista dos estudantes (ele foi criado pelos ESTUDANTES) para que pudessem estar JUNTOS discutindo temas polêmicos, novas áreas, sua organização, etc.. É uma conquista sem precedentes na história dos currículos e hoje, efetivamente a grande maioria dos alunos não têm usado seu espaço coletivamente e nem têm sido agentes de sua utilização. Somos nós mesmos parte dessa Instituição que, sem refletir para onde quer chegar, reproduz a ideologia liberal que tanto criticamos, pois somos nós mesmos que usamos nosso espaço COMUM com individualismo. Mas nós podemos conquistá-lo novamente… de nós mesmos.
POR ANA TEREZA C. BONILHA

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