Educadores ainda são resistentes ao uso de mídias em sala de aula

Pesquisador do Lapic analisa as possibilidades educacionais dos jogos disponíveis na Internet e procura desmitificar a idéia de que os “games” levam ao desinteresse pelas brincadeiras tradicionais.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2005/pags/099.htm]USP Notícias[/url]
Pesquisador do Lapic analisa as possibilidades educacionais dos jogos disponíveis na Internet e procura desmitificar a idéia de que os “games” levam ao desinteresse pelas brincadeiras tradicionais.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2005/pags/099.htm]USP Notícias[/url]
Ao contrário do que muitas vezes se pensa, a criança não é um ser passivo frente às seduções da mídia. “Ao assistir TV ou navegar na Internet, por exemplo, a criança tem uma postura ativa. Ela ‘ressiginifica’ os conteúdos a partir de seu momento, de seus interesses e vivências”, diz o educador Claudemir Edson Viana, pesquisador do Laboratório de Pesquisa sobre Criança, Imaginário e Televisão (Lapic), da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Para ele, é um equívoco considerar a criança como uma “folha em branco” que apenas recebe informações e estímulos.

Viana é autor de uma tese de doutorado que analisou as relações entre aprendizagem infantil e jogos digitais. Segundo ele, é necessário que a escola quebre preconceitos e introduza a abordagem desses jogos em sala de aula. “Não se trata de substituir a escola ou o educador. O que se propõe é que o adulto se dedique mais à compreensão do universo infantil”, sugere.

O pesquisador entrevistou 30 crianças com idade entre 8 e 10 anos, estudantes de uma escola de classe média paulistana. Num primeiro momento, Viana identificou os jogos digitais on-line (disponíveis na Internet) preferidos dos estudantes. Em seguida, dedicou-se a “conhecer os jogos” e, numa segunda entrevista, fez questionamentos mais elaborados.

A pesquisa verificou que a escolha dos jogos costuma reproduzir o que ocorre em outras brincadeiras. “A essência do jogo continua a mesma, com a presença de competição, esportes e histórias. Também há uma diferença entre os gêneros. Meninos preferem jogos de luta e estratégia, enquanto as meninas optam por sites de bonecas, pintar e colorir”, conta Viana.

Ele explica que a configuração icônica da Internet permite o rápido aprendizado infantil. Um dos sites apontados pelos estudantes era inteiramente em Inglês. “As crianças disseram que ‘iam tentando’ até encontrar alguma coisa interessante e descobrir os comandos. É um aprendizado por tentativa e erro”, explica o educador, que aponta uma outra constatação interessante: as crianças ressentem a baixa participação dos adultos nessas brincadeiras.

“O adulto ainda é muito resistente às possibilidades lúdicas e educativas dos jogos digitais, seja por desconhecimento, seja pela ânsia em manter uma determinada relação de poder”, destaca. Viana conta que chegou a utilizar, em aulas de História, um jogo de xadrez para computador. As personagens – bispo, rei, peão, rainha – eram muito bem caracterizados por meio de imagens, sons e animações. “Utilizei o jogo em minhas aulas sobre a Idade Média, e as crianças aprovaram”, relata. Entretanto, a inserção desses elementos na escola costuma ser tolhido pela sistematização das apostilas, geralmente tomada como prioridade pelos coordenadores.

O pesquisador defende que os cursos de pedagogia e licenciatura abordem as possibilidades do uso de mídias em sala de aula. “Há preconceito na própria universidade em que se formam os profissionais da educação”, declara. “Muitos professores hesitam em utilizar esses recursos não por os considerar inadequados, mas por falta de embasamento teórico.”

Mas o computador e a internet não eliminaram as chamadas brincadeiras tradicionais. “As crianças ainda praticam esportes, brincam de pega-pega e esconde-esconde”, garante o educador. O que se verifica é que as características atuais do ambiente urbano modificaram as “formas de brincar”. Hoje, com a violência, a criança passa a maior parte do tempo em casa e, naturalmente, adapta suas brincadeiras a essa nova condição.

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