Nasa desenvolve computador que fala com astronautas

Cientistas da Nasa e da Xerox planejam demonstrar neste domingo (26) um sistema operado por voz que será usado por astronautas na Estação Espacial Internacional, informaram nesta sexta-feira (24) a agência espacial dos EUA e a empresa de tecnologia.

Fonte: [url=http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2005/06/24/ult2870u19.jhtm]UOL[/url]
Cientistas da Nasa e da Xerox planejam demonstrar neste domingo (26) um sistema operado por voz que será usado por astronautas na Estação Espacial Internacional, informaram nesta sexta-feira (24) a agência espacial dos EUA e a empresa de tecnologia.

Fonte: [url=http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2005/06/24/ult2870u19.jhtm]UOL[/url]
Batizado de Clarissa, o sistema funciona em um computador portátil convencional e será demonstrado durante a 25ª Conferência Anual da Associação dos Lingüistas Computacionais, na Universidade de Michigan (EUA).

Como descreveu o site CNET News.com, o sistema da Nasa é uma versão real de HAL 9000, o computador falante do filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”.

“Clarissa é um ‘assistente virtual de equipe’ integralmente operado por voz, possibilitando aos astronautas serem mais eficientes com suas mãos e olhos e darem total atenção às tarefas que realizam enquanto usam comandos falados”, disse Beth Ann Hockey, líder do projeto que desenvolveu Clarissa no centro de pesquisa da Nasa em Ames, no Vale do Silício.

A Nasa planeja que o astronauta John Phillips complete o treinamento para usar Clarissa já na estação espacial no dia 27, em preparação para um uso posterior do sistema.

“Será a primeira vez que usaremos o sistema no espaço”, disse Hockey, no comunicado à imprensa.

Clarissa responde aos comandos de voz, lê em voz alta procedimentos conforme eles são executados, ajudando o astronauta a não se perder, e avisa sobre alarmes e timers.

Hoje em dia, astronautas executam 12 mil procedimentos complexos para manter sistemas de apoio à vida, inspecionam roupas espaciais, conduzem esperiências científicas e exames médicos e outras tarefas de rotina.

“Tente analisar uma amostra de água enquanto lê páginas de um manual de procedimentos em uma tela de computador, com você e o computador flutuando em microgravidade”, desafia o astronauta Michael Fincke, que recentemente completou um treinamento de seis meses na Estação Espacial Internacional. “Ser capaz de falar com o computador e ouvir as instruções passo-a-passo com as mãos livres para completar o procedimento será como ter um novo membro da equipe a bordo.”

Como o sistema está sempre pronto para receber comandos de voz, sua versão original tentava processar todas as palavras faladas, incluindo conversas entre membros da equipe. O resultado é que Clarissa tinha dificuldade em discernir entre conversas e comandos dados pelos astronautas.

De acordo com o comunicado à imprensa, em 2004, Manny Rayner, da Nasa, entrou em contato com o pesquisador Jean-Michel Renders, do Centro de Desenvolvimento da Xerox em Grenoble, na França, para discutir uma possível colaboração.

“A Nasa queria que o sistema estivesse pronto para funcionar a qualquer momento e sem a necessidade de comandos para uma ativação artificial”, disse Renders. “Por isso, uma solução simples à la ‘Jornada nas Estrelas’ -como fazer com que os membros da equipe se dirijam ao computador com uma palavra específica como ‘computador’ antes de questionar ou dar uma ordem ao sistema- não era uma solução viável. Precisávamos melhorar a performance do sistema em discriminar ordens de conversas.”

A tecnologia desenvolvida por Renders, diz a Xerox, será usada para facilitar a organização de documentos.

A metodologia usada pela Xerox permite Clarissa analisar com mais precisão cada expressão. Pode reconhecer palavras, sentenças e o contexto das palavras e pode agir de acordo com comandos falados de modos diferentes. O sistema olha para cada palavra individualmente dentro da sentença e usa um algoritmo pelo qual a máquina aprende qual o peso de cada parte da sentença, se negativo ou positivo.

De acordo com Renders, a ajuda da Xerox cortou pela metade os erros de Clarissa em diferenciar conversas paralelas de ordem diretas.

Atualmente, Clarissa entende 75 comandos individuais, que podem ser dados com o uso de cerca de 260 palavras. A Nasa planeja aumentar esse vocabulário no futuro.

“Alguns comandos são bem simples, mas outros são complexos”, diz Hockey, da Nasa. “Muitas vezes, você diz apenas ‘próximo’ ou ‘vá ao passo oito’. Mas você pode também querer dizer algo como ‘cancele o alarme das 10h25’.”

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