Gêmeos idênticos, mas diferentes

Os gêmeos nascem com seqüências de DNA idênticas, mas as influências que sofrem ao longo da vida fazem que esses genomas sejam expressos de formas diferentes em cada um.

Fonte: [url=http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=29597]Jornal da Ciência[/url]
Os gêmeos nascem com seqüências de DNA idênticas, mas as influências que sofrem ao longo da vida fazem que esses genomas sejam expressos de formas diferentes em cada um.

Fonte: [url=http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=29597]Jornal da Ciência[/url]
Nicholas Wade escreve para “The New York Times”:

Gêmeos idênticos possuem exatamente o mesmo conjunto de genes. Mas, à medida que envelhecem, podem começar a manifestar diferenças sutis. Sua aparência pode começar a se diferenciar e eles podem contrair doenças diferentes ou desenvolver, aos poucos, personalidades distintas.

As mulheres que são gêmeas idênticas podem apresentar diferenças na fertilidade ou na idade em que atingem a menopausa.

Em geral, essas discrepâncias são atribuídas a diferenças mal definidas entre fatores ambientais aos quais cada pessoa está exposta. Mas um nível inteiramente novo de explicação se abriu com as revelações de uma pesquisa genética mostrando que gêmeos idênticos, à medida que envelhecem, se diferenciam cada vez mais no que é conhecido como seu epigenoma.

O termo se refere a modificações químicas naturais que ocorrem no genoma de uma pessoa pouco depois do parto e agem sobre um gene como um acelerador ou um freio, induzindo-o a uma atividade mais ou menos intensa.

Gêmeos idênticos têm as mesmas marcas epigenéticas no genoma ao nascer, mas as diferenças no epigenoma surgem à medida que crescem. E quanto mais tempo eles viverem separados, maiores elas ficam, segundo uma equipe de pesquisadores chefiada por Manel Esteller, do Centro Nacional Espanhol do Câncer, em Madri. A pesquisa apareceu no último número da revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

“Essa é uma das coisas mais fascinantes que já ouvi,” disse Nancy Segal, psicóloga que estuda gêmeos na Universidade Estadual da Califórnia, em Fullerton, e autora do livro sobre gêmeos Indivisible by Two (Indivisível por Dois), que deve sair em breve.

“Ao nos dar uma perspectiva sobre algo específico, o estudo abre muitos caminhos novos de investigação sobre o porquê das diferenças entre os gêmeos.”

Influências

Há duas explicações possíveis para as descobertas de Esteller. Uma é simplesmente o fato bem conhecido de que as marcas epigenéticas se perdem à medida que a pessoa envelhece. Como as marcas são eliminadas aleatoriamente, seria de esperar que elas ocorressem de maneira diferente em cada indivíduo, mesmo um par de gêmeos.

Uma segunda explicação possível é que as experiências pessoais e elementos no meio ambiente – incluindo agentes tóxicos, como o cigarro – influem no genoma, mudando o padrão das marcas epigenéticas.

Esteller acredita que esses dois processos ocorrem. Para ele, uma evidência do segundo processo é que os gêmeos que afirmaram ter vivido mais tempo separados também apresentaram as maiores diferenças nos epigenomas.

Ou seja: os gêmeos nascem com seqüências de DNA idênticas, mas as influências que sofrem ao longo da vida fazem que esses genomas sejam expressos de formas diferentes em cada um.

Seu estudo sugere que o epigenoma pode estar envolvido em muitas doenças que podem afetar os gêmeos de maneiras diferentes, como esquizofrenia, distúrbio bipolar e câncer. Embora a esquizofrenia tenha um componente genético evidente, o epigenoma pode guardar a chave de seus aspectos não genéticos.

“Essa é uma maneira pela qual o genoma pode responder ao meio ambiente”, disse Esteller.

Os gêmeos idênticos, ou univitelinos, são gerados pela bipartição de um único embrião. A divisão costuma ocorrer logo nos primeiros estágios de divisão celular, por motivos ainda não definidos.

É um processo bem diferente dos gêmeos não idênticos, gerados a partir da fertilização de dois óvulos e dois espermatozóides distintos.
(O Estado de SP, 6/7)

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