Avanços visíveis

Em 1973, a homossexualidade saiu da lista de doenças do DSM, o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais. Sete anos depois, deixou também de ser considerada doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De lá para cá, segundo o antropólogo inglês Peter Fry, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mudanças significativas ocorreram.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=4028]Agência FAPESP[/url]
Em 1973, a homossexualidade saiu da lista de doenças do DSM, o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais. Sete anos depois, deixou também de ser considerada doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De lá para cá, segundo o antropólogo inglês Peter Fry, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mudanças significativas ocorreram.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=4028]Agência FAPESP[/url]
“O que mudou é a visibilidade, a ‘normalização’ da homossexualidade”, afirmou durante a conferência Homossexualidade e sociedade: mudanças e continuações, na segunda-feira (18/7), durante a 57ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que está sendo realizada em Fortaleza.

“Trinta e cinco anos atrás, quando cheguei ao Brasil, pensar em enormes paradas gays era impossível. Na década de 1950 e 1960, quase tudo era a portas fechadas. Na década de 1970 começou o movimento homossexual, já público e ‘assumido’. Aliás, ‘assumir’ era palavra de ordem das mais importantes. A vitória de Jean no Big Brother representa e significa um passo enorme para a mudança de preconceitos na sociedade”, disse à Agência FAPESP.

Para o autor do livro O que é homossexualidade, mesmo o Brasil tendo a maior parada gay do mundo – a Parada do Orgulho GLBT de São Paulo reuniu mais de 2 milhões de pessoas este ano – o preconceito ainda é grande. “Apesar de a medicina não mais tratar a homossexualidade como doença ou desvio, certas igrejas ainda pensam assim. E, creio, é assim que continua pensando grande parte da população, mesmo com os votos em Jean no BBB. Continua difícil fazer mudar a legislação, sobretudo por causa da oposição das igrejas em geral.”

Fry afirmou também que a visibilidade dos homossexuais, alcançada por meio de movimentos sociais, como as próprias paradas, ajuda muitos a se sentirem confortáveis com a sua sexualidade. “Isso é bom para o bem-estar dos que gostam de pessoas do mesmo sexo, bem como para a sociedade como um todo. Menos neurose para todos! Mais criatividade, mais presença!”, defendeu.

A Aids, segundo ele, contribuiu para aumentar ainda mais essa visibilidade. “Os homossexuais eram vistos como ‘grupo de risco’. Começou uma indústria de pesquisas, uma vontade de saber, que foi escrutinando a privacidade da homossexualidade, escancarando todo um mundo de prazeres conhecido antes apenas pelos participantes. A Aids também teve um efeito ainda difícil de avaliar. No inicio, estimulou uniões mais estáveis. Estimulou também a formação de ONGs GLBT. Fortaleceu identidades e a sociedade dita civil”, lembrou.

A internet, lembrou o pesquisador, também teve papel importante. E apontou para mais uma grande mudança: o crescimento do mercado para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, a chamada população GLBT. “Bares, saunas, restaurantes, boates, hotéis e turismo direcionados para essa fatia da sociedade. Foi a aliança entre uma parte do movimento homossexual e o comércio que tornou as paradas possíveis. E não devemos esquecer o Estado. Por mais que ande lentamente em relação à legislação, os governos federais, estaduais e municipais apóiam eventos como as paradas. Parece bom negócio para eles”, disse.

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