Experiências Fora do Corpo (EFC)

Não se trata mais de uma crença, de uma atitude religiosa, ou de milagre para os Santos. É tão somente uma questão de alguns bits de Informação. Falo com naturalidade pois o sobrenatural não existe.
Este tema de que podemos abandonar nossos corpos, em vida, e fazer uma visita a algum lugar distante nos é familiar. Mas algumas pessoas casualmente, outras com bastante freqüência, têm a real impressão de que deixam seus corpos, podendo até se lembrar de algum fato que parece confirmar que estiveram realmente em algum lugar onde seu corpo físico não poderia estar.

A experiência com esse fenômeno é milenar. No Antigo Egito (6 e 5 mil anos atrás) já havia provas de iniciação que incluíam a EFC: o Hierofante (Mestre responsável pela formação dos iniciados nos mistérios; para que ele fosse admitido como membro na comunidade com conhecimentos secretos (pertencer ao grupo dos esotéricos: que quer dizer "estar dentro", ao contrário do exotérico: que quer "estar de fora", "fazer parte do grande público não-iniciado e, portanto, profano) mandava seu discípulo para o interior de uma das pirâmides e a prova final era trazer uma senha que ele só poderia conhecer através de uma viagem fora do corpo, pois o iniciante ficava encerrado no interior de um sarcófago, por 3 dias e, portanto, só poderia de lá sair por projeção de consciência para receber a senha. Em comunidades tribais, acredita-se que o xamã, feiticeiro, curandeiro ou pajé, é capaz de viajar dessa forma: sua capacidade para fazê-Io é, de fato, uma das qualificações básicas exigidas para a função, já que a tribo pode precisar dele para inspecionar a localidade à procura de caça (ou de inimigos) ou para visitar os deuses da floresta a fim de descobrir seus tesouros ocultos.

É freqüente ouvir exploradores que voltam à civilização contar como um xamã entra num transe temporário e, depois, ao sair dele, descrever o que viu num outro acampamento: na maioria das vezes sua descrição corres­ponde à realidade, tal como os exploradores confirmam.

Na tradição popular e na história, há também muitos relatos dessa natureza. Quando o rei da Síria descobriu que seus planos estavam sendo passados para os israelitas e suspeitou que eles tinham um espião escondido em sua corte, um servo lhe contou que o espião era, na verdade, o profeta Elisha, que apesar de estar em Israel era capaz de ouvir as conversas na câmara do rei e comunicá-Ias a seus chefes. Supunha-se, geralmente, que a alma, ou espírito, deixava o corpo para ir ao seu destino, seja onde for. Casualmente, porém, alguns indivíduos têm sido vistos em dois lugares ao mesmo tempo – "bilocação". Talvez o mais célebre exemplo seja o episódio em que Alfonso Liguori, fundador da Ordem Redentorista, caiu em transe quando celebrava a missa em Amalfi; ao voltar ao estado normal, contou à congregação de fiéis que estivera no leito de morte do papa Clemente XIV. Não deram muita importância ao fato, até que, alguns dias mais tarde, pessoas que haviam estado com o papa informaram que Liguori estivera lá e conduzira as orações pelo moribundo.

Durante o século XIX, pesquisadores do estado de transe hipnó­tico encontraram casualmente sujeitos que, enquanto estavam sob a sugestão hipnótica, pareciam ser capazes de ir aonde quer que o hipnotizador sugerisse e descrever o que viam por lá. Muitos casos do que passou a ser descrito como "clarividência à distância" foram relatados e alguns realmente compro­vados. Mas tais pessoas viajavam de verdade? Seria a explicação um caso de simples clarividência, ou poderiam os depoimentos ser atribuídos a uma imaginação excessivamente empolgada? Com a expansão do ceticismo e do materialismo, cientistas ortodoxos empenharam-se em rejeitar as evidências, como sendo baseadas em equívoco, por vezes associado à fraude. No entanto, continuava-se a ter informação de casos individuais do que se tomou, desde então, conhecido como experiências fora do corpo ou EFCs. Recentemente, elas têm sido submetidas a exame mais compre­ensivo, mas também mais rigoroso. Parecem ser mais comuns do que geralmente se pensava. E tão numerosos são os registros de casos de EFCs, que sua existência não pode mais ser seriamente contestada. Ficam, porém, as indagações: é possível explicá-Ias nos termos da psico­logia convencional e incluí-Ias em categorias como a dos sonhos, por exemplo, ou a das alucinações? Ou deve-se recorrer à parapsicologia?

Existe uma tendência para se considerar as EFCs como parapsíquicas em si mesmas; mas o fato de que algumas pessoas que as tenham experi­mentado terem visto algo que realmente estava acontecendo num outro lugar, simples­mente não classifica as EFCs como parapsíquicas. A cientista da Universidade de Oxford – Inglaterra, Susan Blackmore examinou com imparcialidade as principais fontes de informação e tirou suas próprias conclusões. Uma experiência fora do corpo (EFC) pode ser inicialmente definida como uma experiência em que uma pessoa tem a impressão de perceber o mundo de uma posição fora de seu corpo físico. A definição parece bas­tante simples até que seja mais bem examinada. Temos, normalmente, a impressão de perceber o mundo do interior do nosso corpo e, nesse caso, então, temos uma experiência dentro do corpo. Quando imaginamos uma cena distante ou sonhamos estar sobrevoando lugares longínquos, isso poderia ser considerado como uma EFC? Talvez não se trate de perceber "o mundo", mas algum mundo imaginário; porém, onde se situa o limite entre a imagi­nação, o onírico e a percepção?

Tenho inúmeros analisandos, como também amigos, que espontaneamente saem do corpo e, depois, me contam horrorizados como foi esta experiência. Perguntam-me se é algum transtorno mental. E eu, com muita inveja – pois tive que praticar conscientemente e com afinco para obter esta experiência – falo algumas coisas sobre a EFC, procurando mostrar que eles são pessoas de muita sorte. Já fiz levantamentos com centenas de alunos para saber se algum teria manifestado, também, este tipo de experiência para podermos conversar sobre ela. Assim, é um fenômeno que venho estudando há anos. Temos na Cidade de São Paulo a sede do Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas (IPPB), fundado por Wagner Borges, um estudioso do assunto, e certamente quem mais entende do fenômeno em nosso meio tupiniquim. Ele mesmo é um projetor de larga experiência. Começou espontaneamente aos seus 15 anos de idade. Hoje Wagner está com 45 anos, portanto, são 30 anos de viagens, e comprovadamente surpreendentes. Vou abrir um Tópico em nosso Fórum de Discussões sobre esse assunto, e pretendo avaliar quantos usuários da RedePsi já estariam apresentando esta experiência de maneira ingênua e assustada, perdendo preciosos momentos de suas vidas para obter ensinamentos os mais profundos que se possa imaginar.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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