Clínica de Estudos e Pesquisas em Psicanálise da Anorexia e Bulimia

O Ceppan é formado por um grupo de psicanalistas que atendem, em diferentes regiões da cidade, pacientes com transtornos alimentares. Tem por objetivos, além do atendimento clínico, o aprofundamento da discussão em torno da etiologia e prevenção da Anorexia e Bulimia e a difusão de conhecimentos sobre esses transtornos.

Fonte: enviado por Cybelle Weinberg
O Ceppan é formado por um grupo de psicanalistas que atendem, em diferentes regiões da cidade, pacientes com transtornos alimentares. Tem por objetivos, além do atendimento clínico, o aprofundamento da discussão em torno da etiologia e prevenção da Anorexia e Bulimia e a difusão de conhecimentos sobre esses transtornos.

Fonte: enviado por Cybelle Weinberg
A Anorexia vem, nos últimos tempos, intrigando a todos nós, que nos vemos diante de um modismo que chega ao exagero de um corpo descarnado, quase etéreo, em nome de um apelo estético despropositado. Meninas cada vez mais jovens e cada vez mais magras povoam a mídia e nosso mundo mental com sua “indecente magreza”, desafiando a morte, descentrando desejo e necessidade.

Como nós, psicanalistas, assistimos a isto? Que reflexões poderiam lançar luz e compreensão a um transtorno tão grave?

A maior parte da bibliografia percorrida, bem como nossa experiência clínica, apontam para um vértice comum: a relação essencial e arcaica entre mãe e filha, que neste caso assume desdobramentos mortíferos, contaminando o alimento e todas as relações de objeto que tenham um caráter nutriz.

O alimento ocupa um lugar privilegiado no mundo mental da anoréxica. Torna-se um objeto primordial e passional, investido de amor/ódio, atração/repulsa, idolatria/horror, promovendo uma excitação sem saída e sem descarga. Se pensarmos que o alimento é o que baliza a relação mãe-bebê, veículo pulsional e agente de desejo, poderemos nos lançar sobre a questão lançada pela anoréxica, que consiste na recusa extraordinária dos alimentos. Em outras palavras, aquilo que deveria ser representativo de um vínculo amoroso, torna-se nocivo e venenoso.

Segundo Éric Bidaud*, a relação estabelecida entre mãe e filha assume um caráter incestuoso e dominador, fato que impede esta filha de ser “penetrada” pelo desejo paterno (o que lhe permitiria entrar na conflitiva edípica). Nas suas palavras, “a mãe, não olhando para o lado do pai, não permite à sua filha ter acesso a este e a retém num entre-dois fascinante, uma aliança de domínio”. Este fracasso será encenado por ocasião da entrada da menina na adolescência, momento em que, “traumatizada” pela puberdade, pelo apelo de tornar-se mulher, terá de re-significar a conflitiva e o enlace materno. A cena anoréxica nos revela, em sua conduta desesperada de recusa/atração ao alimento, uma dinâmica relacional indiferenciada, fechada, onipotente e onipresente.

Devido a essa dinâmica, podemos considerar alguns desdobramentos típicos desta sintomatologia:
1 – a questão da indiferenciação – no âmbito da sexualidade, os sinais sexuais externos são apagados;
2 – a reversão de domínio – é a filha quem ganha a possibilidade onipotente;
3 – a necessidade da totalidade – todo seu relacionamento com o mundo torna-se anoréxico.

Apontar para a gênese de tais fatores no enlace mãe e filha nos encaminha a uma reflexão já enunciada por Freud e tantos outros, no que diz respeito à incidência do transtorno anoréxico, ou seja: não se trata de pensar a anorexia como um transtorno cultural, nem tão pouco como uma patologia da mulher, mas, no nosso entender, do gênero feminino.

Daí o nome do nosso projeto de pesquisa – Anorexia e feminilidade – tema que norteia as discussões clínicas e teóricas da Ceppan.

Essas discussões ocorrem em encontros quinzenais, às quartas-feiras, na R.João Moura, 627, Mezzanino, às 19:00 horas. Aqueles que queiram participar, que tenham experiência clínica ou interesse pela temática, podem nos contactar pelo telefone 3081 7068 ou por e-mail: ceppan@uol.com.br

Coordenadoras – Ana Paula Gonzaga e Cybelle Weinberg.

* Bidaud,E. Anorexia mental,ascese, mística. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1998

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