Causas prováveis de ruptura de atendimento a paciente suicida

Foi atendida uma paciente com 52 anos de idade, encaminhada com
diagnóstico de depressão maior com ideação suicida (DSM-IV). Seu histórico
levou-a a desenvolver possíveis fatores desencadeadores de quatro tentativas de
suicídio. O pai era severo e muito agressivo e a mãe submissa. Aos 14 anos dois
fatos desencadearam um processo depressivo: a morte do pai e o diagnóstico logo
em seguida de que apresentava sérios distúrbios cardíacos. Na adolescência
ocorreu a primeira tentativa de suicídio devido ao afastamento do namorado, com
quem se casou posteriormente, tendo uma convivência tumultuada. O marido sofre
um acidente e falece nesse período. O contato da paciente com as pessoas que a
deixavam triste e deprimida (irmã, amigas e filhos), acentuou os pensamentos
suicidas, esquivando-se assim de estabelecer relacionamentos sociais e evitando
a punição decorrente desses contatos. A sua permanência em casa incentivava-a
ser mais dependente dos filhos para a realização de a!
lgumas tarefas domésticas, o que criava uma contingência reforçadora da não
realização das atividades, ressaltando a idéia de que sempre necessitaria das
outras pessoas para realizar suas tarefas, de que não conseguiria fazer nada
sozinha, também criava a expectativa de receber atenção dos filhos, o que
somada ao comportamento de evitação de contato a impossibilitava de desenvolver
um bom repertório verbal e estratégias de habilidades sociais, como:
aproximar-se de outras pessoas; fazer e manter amizades, ir a um banco ou loja.
Relatou sentimentos de inutilidade e de culpa excessiva e inadequação social, o
que evocava pensamentos freqüentes sobre a morte e ideações suicidas. Notou-se
dependência em relação à figura feminina (mãe, irmã, amigas). Com o uso de
técnicas comportamentais, apresentou melhora significativa e a partir da 16ª
sessão conseguia resolver alguns problemas e situações familiares sozinha, e não
representava mais, de forma verbal, pensamentos suicidas. Houv!
e a necessidade da substituição da estagiária que a estava atendendo, por um
estagiário. Entretanto a mesma abandonou o tratamento psicológico, não aceitando
a troca, inviabilizando assim a continuidade do mesmo. O abandono do tratamento
indica que o alívio dos sintomas pode ter contribuído para o mesmo, pois obtinha
ganhos secundários na manutenção do padrão disfuncional (atenção dos filhos). O
afastamento da estagiária provocou reações negativas em relação ao novo
estagiário causando desapontamento e frustração e em conseqüência o abandono da
terapia. Seu histórico fez com que ela desenvolvesse uma estratégia de esquiva
de contato com o elemento masculino, que sempre gerou, no seu caso, efeitos
punitivos.

Autores: Rosangela Alves Teixeira Casteletti (Aluna do curso de Psicologia)
Ms. Ricardo Botta*(O)

Instituição: UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

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