Comportamentalismo radical: ontologia, epistemologia, ética

Palavras-chave: relacionismo pancomportamental; pragmatismo; ética do futuro.

A idéia de comportamento de um corpo e do próprio corpo transformados por um mundo que ele mesmo, o comportamento, transformou, essa idéia, é a idéia da co-evolução do comportamento, do corpo e do mundo. Relação fundadora do comportamento do corpo com o mundo, essa co-evolução deu origem a comportamentos que posteriormente foram chamados de mente. Relacionismo ontológico de natureza pancomportamental, essa idéia, essa co-evolução, essa relação fundadora.

O corpo e a mente: relação com o mundo. Nem o corpo é coisa material e coisa externa nem a mente é coisa imaterial e coisa interna. A linguagem do relacionismo pancomportamental passa ao largo de categorias como material, imaterial, externo, interno – nem mentalismo, nem materialismo, nem internalismo, nem externalismo.

Melhor seria dizer que esse relacionismo lida com pós-coisas. De uma perspectiva epistemológica desativam-se as teorias contemplativas e representacionais do conhecimento. Com isso são abandonados os projetos do realismo e do mecanicismo de descobrir a natureza última das coisas, a verdade total. Mas não só.

Se a verdade não se encontra na base das coisas, tampouco se encontra no topo das coisas. Se não está em um início a ser desvendado, tampouco está em um fim a ser alcançado. Não há um absoluto a ser revelado, lá no fim. A filosofia do comportamentalismo radical – sua ontologia e epistemologia – é horizontal, e não vertical, para baixo ou para cima.

O conhecimento no comportamentalismo radical é ação prática, práxis, é efetividade, mas somente se efetividade for entendida como prática, como ação ética e política.

Trata-se de epistemologia pragmática, trata-se de uma epistemologia que, cética quanto à possibilidade de um absoluto a ser revelado, entrega nas mãos dos humanos o seu destino. Há duas éticas no comportamentalismo radical: a ética da presença e a ética do futuro. Como ética da presença é ética da justiça. Como ética do futuro inscreve-se no discurso mais recente acerca do reconhecimento de novos direitos, como o direito de existência da natureza como um fim em si mesmo independente de sua utilidade para o ser humano. A ética do futuro defendida por Skinner reconhece precisamente o direito de existência das culturas. Se a ética da presença é antropocêntrica, a ética do futuro transcende o antropocentrismo para salvar a obra humana e paradoxalmente o próprio homem.

autor: José Antônio Damásio Abib

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