Encoprese de origem não orgânica e comportamento de agressividade: Caso Clínico

Este trabalho tem como objetivo o relato de um atendimento de um
paciente de seis anos e do sexo masculino que foi encaminhado pelo processo de
políticas publicas de saúde mental do município. A queixa apresentada pela mãe
do paciente refere-se ao mesmo evacuar freqüentemente na roupa e excessos de
comportamentos de agressividade frente a alguns familiares, principalmente
frente à avó materna e ao seu irmão gêmeo. Após a realização do Programa de
Recepção e análise funcional das queixas apresentadas, foi descartada a hipótese
de encoprese com origem orgânica, uma vez que o paciente possuía controle dos
esfíncteres quando estava na escola ou na casa de seu pai. Foi focalizada no
atendimento, a função de tais comportamentos para o paciente e os reforçadores
que os mantinham. O plano de tratamento estabelecido incluiu materiais para
atividade lúdica como jogos em geral e fantoches; quanto ao comportamento de
evacuar na roupa, utilizou-se procedimentos para aumentar o comp!
ortamento almejado através de planejamentos de reforçamento positivo imediato e
atrasado, como o elogio e a introdução de atividades reforçadoras para o
paciente como andar de bicicleta, jogar video-game ou assistir desenho e
atendimento da solicitação do paciente para entrar na capoeira. Através de
orientações com a mãe e avó materna, tais reforçadores seriam emitidos todas às
vezes, em que o paciente apresentasse o comportamento almejado, ou mesmo
comportamentos que se aproximassem deste e punição através da retirada de um
reforçador potencial, como não retornar a atividade prazerosa que estava fazendo
e ir tomar banho imediatamente. Em relação ao comportamento de agressividade,
foram utilizadas técnicas como o ensaio comportamental através de fantoches
junto à criança, durante o processo terapêutico, além de orientações aos
familiares de como procederem diante das mesmas. Após o sétimo atendimento,
segundo a afirmação da mãe, os comportamentos em excesso diminuíram signific!
ativamente em sua freqüência e o paciente apresentou um aumento em seu
repertório no que se refere a melhor adequação frente à interação familiar,
generalizando situações vivenciadas no ensaio comportamental realizado na
terapia referente ao contexto familiar, como, por exemplo, verbalizar para avó
materna que não gosta que a mesma puxe sua calça ou retire sua atenção quando
está jogando vídeo–game, ao invés de lhe “atirar objetos ou lhe dar tapas”
(sic). Conclui-se que através de mudanças nas contingências ambientais
familiares e ampliação no repertório do paciente, ou seja, através da retirada
dos reforçadores que mantinham tais comportamentos considerados desadaptados.

Autores: GABRIELA RUSSO SERRANO
ROSANA RIGHETTO DIAS (O)

Instituição: Centro Universitário Hermínio Ometto- Uniararas, CIPED Unicamp.

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One Response to Encoprese de origem não orgânica e comportamento de agressividade: Caso Clínico

  1. Neuza Nascimento Arruda Arruda 16 de Fevereiro de 2014 at 20:33 #

    muito bom esse exemplo de caso e muito esclarecedor .