O artesanato enquanto um trabalho e fonte de renda para uma população sem acesso à qualificação profissional enquanto alternativa para o desemprego

A situação sócio-econômica aponta para a necessidade de repensar as
práticas laboriais visto que os empregos diminuem devido a condições estruturais
ou a ausência de crescimento econômico. Uma alternativa para a resolução de
problemas básicos, decorrentes do desemprego, seria pensar em propostas para
pequenas comunidades nas quais as pessoas poderiam conviver mais harmoniosamente
e realizadas, se não competissem por posição social ou profissional (SKINNER,
1978). Tais práticas poderiam contribuir para os referenciais da vida de uma
pessoa.
O curso de artesanato (bordados e crochê) desenvolvido na Paróquia do Itapuã é
parte de um projeto decorrente de uma parceria estabelecida entre a comunidade
do Itapuã e o curso de Psicologia da Universidade Metodista de Piracicaba. Neste
projeto, procurou-se desenvolver habilidades e competências, nas participantes,
com vistas a transformar uma atividade “hobby” em um trabalho.
Embora o curso exista há três anos, somente em 2003, por meio da atuação das
estagiárias em contato com à Prefeitura de Piracicaba, obteve-se a autorização
para a comercialização dos produtos na Feira de Artesanato. Através de reuniões
semanais, as participantes (18 em média) foram qualificadas para o trabalho em
grupo e para a venda dos produtos artesanais. Esta qualificação foi composta
por: acompanhamento sistemático das estagiárias, de uma professora voluntária e
de quatro agentes multiplicadoras; cursos de capacitação (vendas,
desenvolvimento de equipes, empreendedorismo e noções básic!
as de contabilidade).
Os resultados, obtidos através de questionários e de reuniões de avaliação,
indicaram pequeno retorno financeiro com a venda dos produtos 06 feiras
realizadas, mas alto nível de motivação para tal trabalho. Este fato nos fez
refletir sobre a importância desse evento para os envolvidos e sua rede de
significados, uma vez que uma atividade vista anteriormente como um passatempo,
uma troca de experiências, uma oportunidade para falar de seus problemas, ocupar
“seu dia e sua cabeça”, como diziam, passou a representar um
trabalho. As mulheres adquiriram novos referenciais como a identificarem-se com
os demais vendedores da Feira, a fazerem novas amizades, sentirem prazer no
fazer, a planejarem o futuro, a mudarem suas rotinas, etc. Mesmo sem retorno
financeiro significativo, pareciam não conceber mais parar com tal atividade,
relatando: – “mesmo se ninguém mais quiser, estou disposta a tocar [a
venda dos produtos] sozinha”. Este fato nos faz refletir sobre a!
s observações de SKINNER (1978), o qual enfatiza a importância de pensar em
estratégias que propiciem às pessoas apreciarem tanto o trabalho quanto a sua
realização.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
SKINNER,B.F. Walden II – Uma sociedade do futuro,2ª ed.; São Paulo:
E.P.U., 1978.

Autores: Karen M. Graner, Juliane M. de Oliveira ( discentes – Psicologia
– FCH – UNIMEP)

Orientadora: Profª Drª Maria Elisabeth Salvador Caetano (Psicologia – Faculdade
de Ciências Humanas- UNIMEP)

Instituição: Universidade Metodista de Piracicaba

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