Pânico no mundo moderno.

No fim do século 19, Sigmund Freud (1856-1939) já abordava a angústia em seus trabalhos. Depois, em 1921, delimitou um estado afetivo extremo que irrompe tanto no indivíduo quanto na coletividade, provocado pelo rompimento com o ideal – estado que chamou de pânico. Alguns anos depois, o pai da psicanálise apresentou suas novas idéias, relacionadas ao desemparo no campo social, no clássico “O mal-estar na civilização”.

No fim do século 19, Sigmund Freud (1856-1939) já abordava a angústia em seus trabalhos. Depois, em 1921, delimitou um estado afetivo extremo que irrompe tanto no indivíduo quanto na coletividade, provocado pelo rompimento com o ideal – estado que chamou de pânico. Alguns anos depois, o pai da psicanálise apresentou suas novas idéias, relacionadas ao desemparo no campo social, no clássico “O mal-estar na civilização”.

A partir desses elementos – teorias freudianas da angústia e da cultura e a temática relativa às novas formas de subjetivação –, e ainda com base em teorias sociológicas, a psicanalista Lucianne Sant’Anna de Menezes formatou um novo tipo de abordagem para as angústias modernas, principalmente o pânico, que, para especialistas como ela, não deve ser tratado como síndrome ou doença.

No livro “Pânico: efeito do desamparo na contemporaneidade”, que foi lançado na segunda-feira (27/3), na Casa do Psicólogo, em São Paulo, Lucianne é bastante clara. “No caso do pânico, existe tanto o componente social como o individual. Ambos, em conjunto, é que acabam fazendo emergir esse sintoma”, explica.

Do lado individual – apesar de Freud não ter feito tais separações – determinadas angústias, segundo Lucianne, podem estar relacionadas com a falta de condições psicológicas que determinada pessoa tem para lidar com a condição do desamparo fundante e estruturante do psiquismo.

“Hoje em dia, as pessoas querem tamponar tudo. É por isso, por exemplo, que existe um aumento grande no consumo de drogas”, aponta a autora, que apresenta no livro sua dissertação de mestrado defendida na Universidade de São Paulo, no Instituto de Psicologia.

O caso do confronto com o desamparo enquanto experiência intolerável, como é o caso do pânico, pode ser algo que começou na infância, numa problemática em relação à maternagem. “É quando não houve uma função materna adequada que permitisse que a criança passasse por um lento e progressivo processo de desilusão e de subjetivação de um mundo que não corresponde àquele que ela imaginava”, diz Lucianne. A descoberta da realidade do desamparo, para essas pessoas, acaba não sendo uma experiência tolerável.

Quando a descoberta ocorre, e de forma traumática, o horror gerado pela situação, segundo a psicanalista, pode configurar um sintoma como o pânico. Isso atesta que o sujeito não conseguiu subjetivar a condição de desamparo fundante e estruturante do psiquismo, portanto, relativa à todo ser humano. “Aí ocorre, por exemplo, o surgimento do medo de morrer.”

O componente social também tem elementos concretos do ponto de vista sociológico. Situações muito presentes no cotidiano das grandes cidades, como a busca pelo emprego ou a violência, agem sobre o psiquismo das pessoas.

Ao lado do pânico, fobias, depressão, medos, bulimia e anorexia e outros estados encontram um ambiente nutritivo para que se desenvolvam. “Essa é uma abordagem nova. Com ela, pretendo apenas trazer uma contribuição para a clínica psicanalítica contemporânea, assim como poder tratar melhor aqueles que me procuram no consultório. A intenção não é entrar em conflito com a psiquiatria, muito pelo contrário, é poder estabelecer um diálogo interdisciplinar”, afirma Lucianne.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5256]www.agencia.fapesp.br[/url]

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