Casais driblam as dificuldades impostas pelo câncer de mama e continuam prática sexual

Pesquisa realizada com casais que enfrentaram a doença revela que mitos como o tabu da nudez após a mastectomia e a perda de desejo por parte do homem não existem. Outra constatação é que eles também sofrem muito com a doença.
Pesquisa realizada com casais que enfrentaram a doença revela que mitos como o tabu da nudez após a mastectomia e a perda de desejo por parte do homem não existem. Outra constatação é que eles também sofrem muito com a doença.
Um estudo realizado na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto (EERP) revela que casais em que as mulheres tiveram diagnóstico de câncer de mama retornam à atividade sexual em menos de um ano. Apesar da angústia e do desespero frente à situação, o homem se revela participativo e seu desejo sexual não é alterado, mesmo após mastectomia (retirada da mama).

A pesquisa envolveu nove casais participantes de um grupo de apoio a mulheres mastectomizadas (REMA/ Núcleo de reabilitação, pesquisa e assistência à mulher mastectomizada), cujas mulheres tiveram um diagnóstico do câncer de mama. “A pergunta central das entrevistas foi ‘Como a prática sexual passou a ser exercida pelo casal em função do diagnóstico do câncer de mama?'”, conta a enfermeira Clícia Valim Côrtes Gradim, autora do estudo.

Clícia conta que a resposta unânime foi que os casais retornaram às relações num período que variou de 15 dias a 9 meses. Ao longo da quimioterapia tiveram a fase de menor freqüência sexual, devido aos efeitos colaterais como a diminuição da libido e o ressecamento vaginal. “A pesquisa mostra que os casais conseguem refazer sua intimidade”, conta a enfermeira, salientando que “nudez é praticada por todos os casais, e que a mama operada é tocada.” Esses dados permitem à pesquisadora concluir que “o câncer por si só não altera a sexualidade do casal. Tudo depende do relacionamento pré-existente”.

Como o atendimento à mulher com câncer ainda está focado na doença, as entrevistadas relataram que não receberam orientações sobre alterações na sexualidade durante o tratamento. “Questões como dificuldade de ter relações sexuais, devido a ressecamento vaginal ou a supressão da menstruação (efeitos colaterais da quimioterapia), deveriam ter sido informadas pelos profissionais de saúde”, que poderiam nesses casos orientá-las sobre a possibilidade de utilizar um lubrificante à base de gel para amenizar o ressecamento.

Segundo Clícia, os profissionais da saúde se preocupam em difundir aspectos mais técnicos da doença e se esquecem de informar as conseqüências dos tratamentos, que afetam coisas fundamentais como a sexualidade.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/055.htm]www.usp.br[/url]

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