O desenvolvimento de um campo profissional

Com muita frequência encontramos artigos e reportagens com atletas e profissionais do esporte refererindo-se a aspectos psiológicos e o desempenho dos mesmos. Isto significa que os envolvidos e o público em geral começa a dar atenção as “questões psicológicas” e suas relações com o desempenho e o aprendizado esportivo. Avaliando a grade curricular dos cursos de graduação de educação física e esporte percebemos que, no máximo, seus respectivos estudantes cursam disciplinas relacionadas a psicologia geral. Ou seja, não podemos dizer que tais disciplinas são suficientes para fornecer condições de desenvolvimento de capacidades e habilidades ditas psicológicas por parte de tais profissionais. Na prática são estes profissionais que lidam com o atleta/praticante no seu dia a dia, sendo que cada vez mais espaço tem sido aberto para profissionais de psicologia interessados em atuar no contexto esportivo, em parceria com os mesmos.
Ao mesmo tempo a procura por desenvolvimento de técnicas que possam contribuir cada vez mais para a melhora do desempenho de atletas, assim como os benefícios que a prática de atividades físicas trazem aos seus praticantes tem sido temas comuns de pesquisas e intervenções junto às ciências do esporte. Geralmente estes temas tem sido associados à área da psicologia do esporte. Do ponto de vista acadêmico cada vez maior tem sido a procura de estudantes por disciplinas que contemplem os temas associados à psicologia do esporte, assim como tem crescido a oferta da disciplina em universidades e em instituições privadas de formação. Junto ao mercado vemos que a figura do psicólogo como agente de desenvolvimento de desempenho e prática física também tem se consolidado, ainda que de forma não muito clara.

Por estes e outros motivos o Conselho Federal de Psicologia aprovou a Psicologia do Esporte como uma das nove especialidades em psicologia. Assim sendo vemos que a psicologia do esporte já tem um considerável caminho traçado. Muito já foi desenvolvido no sentido de auxiliar atletas/praticantes e seus técnicos/professores mas muito mais está por ser pesquisado. O papel do aluno interessado na área é fundamental na medida em que procura-se formar profissionais competentes, os quais serão os representantes da área em nosso país. Para o aluno interessado na área não basta uma formação generalista em psicologia para atuar eficazmente no contexto esportivo.

É necessário entrar em contato tanto com a prática exercida em contextos esportivos quanto com autores que já tenham produzido material na área. Encontramos, então, um paradoxo: não há muita literatura em português sobre a área e, ao mesmo tempo, torna-se necessário produzir para desenvolver o campo. Assim, a entrada do aluno no estudo e na prática em psicologia do esporte justifica-se a partir da demanda crescente em nossa sociedade e comunidade científica, ao mesmo tempo em que torna-se necessária para a formação de futuros profissionais que possam dar conta do desenvolvimento social e acadêmico do campo específico.

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