Tratamento ajuda na oralidade das crianças com Down

Incentivar a criança a superar suas limitações ajuda no desenvolvimento da expressão oral e aumenta o número de classes gramaticais utilizadas.

Incentivar a criança a superar suas limitações ajuda no desenvolvimento da expressão oral e aumenta o número de classes gramaticais utilizadas.

Crianças com síndrome de Down que passaram por tratamento no Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Síndromes e Alterações Sensório-Motoras, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, apresentaram maior desenvolvimento da articulação verbal e de classes gramaticais que as atendidas em outros centros. Os atendimentos fizeram parte do doutorado da fonoaudióloga Rosangela Viana Andrade.

No Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito), onde está instalado o laboratório, Rosangela acompanhou 12 crianças acometidas pela doença, cujo desenvolvimento cognitivo se encontrava no fim do período sensório-motor e início do período pré-operatório (período em que a criança começa a desenvolver a fala). “Realizamos três avaliações, com intervalos de 6 meses, em três grupos: crianças com desenvolvimento típico, sem a síndrome; crianças com a síndrome atendidas por outras instituições; e crianças com a síndrome atendidas no Laboratório”, conta Rosangela.

A síndrome de Down tem como uma de suas principais características a dificuldade de comunicação. Devido ao déficit cognitivo, as crianças apresentam atrasos no desenvolvimento da linguagem e da fala, e tendem a utilizá-la como um apoio aos gestos, seu principal modo de comunicação. Porém, com o devido tratamento e incentivo, a comunicação verbal pode ser melhor desenvolvida.

“Nas crianças com a síndrome, o tempo do desenvolvimento da compreensão é bem menor que o tempo de desenvolvimento da fala. Deste modo, é importante para os pais saberem como incentivá-las, para que elas saibam que estão sendo compreendidas”, conta a fonoaudióloga.

As crianças afetadas pela doença também apresentam outras características que dificultam a comunicação, como problemas na memória de curto prazo (responsável por guardar informações para reproduzi-las posteriormente), diminuição do tônus muscular do corpo e do rosto, articulações frouxas e alterações de estruturas estomatogmáticas (respiração, deglutição, sucção, mastigação). Todos esses fatores interferem no desenvolvimento cognitivo (linguagem e fala).

Nas crianças atendidas na Fofito foi observado um forte uso da fala e dos gestos em conjunto, desde a primeira avaliação. Além disso, houve um maior desenvolvimento de classes gramaticais, que geralmente são mais restritas em crianças com síndrome de Down.

“As crianças com desenvolvimento típico começam utilizando os gestos, mas os substituem, gradualmente, por gestos mais complexos e pela fala”, explica. As que são acometidas pela doença utilizam os diversos tipos de gestos e a fala paralelamente, como uma complementação para a comunicação. “Sem o devido tratamento, elas podem, em alguns casos, utilizar somente a comunicação gestual”, alerta a ela.

Segundo Rosangela, o grupo atendido no laboratório apresentou alterações na utilização das palavras e dos gestos entre as avaliações (aumentando a quantidade de fala da primeira para a ultima avaliação).

As crianças com síndrome devem ter tratamento com fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapia ocupacional desde o nascimento, além do acompanhamento médico. Depois que elas crescem, o trabalho no tratamento é mais complexo. “É preciso um estímulo físico à inteligência, cada vez maior a partir das conquistas. Os pais precisam entender o problema para poder estimular precocemente de maneira correta. ‘Diminuir’ as dificuldades iniciais, valorizando o potencial das crianças, é essencial para o desenvolvimento de suas capacidades” conclui Rosângela.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/075.htm]http://www.usp.br[/url]

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