A busca pelo padrão humano

Trabalho completo:
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1 – INTRODUÇÃO

Somos rodeados por pessoas de diversas classes sociais, idade, afinidade, raça, objetivo, esperança, opção sexual etc, e interagimos com estes. Todos buscando uma única coisa, alguns buscam amor, outros, dinheiro, há aqueles que buscam segurança, mas o que buscamos? Por quê trabalhamos? Existem inúmeras perguntas deste cunho que não foram respondidas, porém não o foram por falta de resposta, ou apenas por estarem sendo vistas por uma ótica incorreta?

Este artigo foi realizado com informações provindas da observação de determinados "grupos". Nesta primeira etapa do projeto é exposto o questionamento sobre a existência de um padrão comportamental humano sem aprofundamento nas teorias existentes para em outro momento comparar a óptica atual sobre o comportamento humano com a visão deste trabalho.

2 – NATUREZA HUMANA

Qual seria a grande relação entre os itens que mais buscamos em nossas vidas, como amor, dinheiro, segurança, poder, saúde, educação? Parece não haver um grande fator-chave de correlação. Esta pergunta pode ter resolução se soubermos nos responder simples questões como: “Por quê acordo todo dia para ir trabalhar?”.

Um sujeito usando máscara de trabalho diria, “porque amo meu trabalho!”, “o trabalho dignifica o homem.”, “quero ter um futuro melhor!”, “não tem nada melhor para fazer em casa.”, “para pagar as contas.”, “para dar de comer aos meus filhos.”, “ganhar meu ganha-pão!”, “para casar e ter filhos!”. Estas são algumas das repostas que obtemos dos diversos personagens da vida real, sendo que as três últimas são as mais realistas.

Para enxergarmos além disto é necessário saber de onde viemos e o que éramos. O homem moderno veio ao longo do tempo vangloriando-se dos seus grandes feitos, da sua superioridade, da racionalidade, da grandeza intelectual, da civilidade e acabou esquecendo que antes de tudo isso, o único modo de sobreviver, era acordar todo dia e caçar sua comida, pegá-la ao pé da árvore, roubar do mais fraco, usar de suas interações com os demais do grupo para darem-lhe um pouco de alimento, usar os da própria espécie, para de alguma maneira meticulosa, ganhar seu sustento.

Podemos dizer neste ponto que algumas perguntas estão quase respondidas, mas a essência ainda não foi encontrada, não estamos falando de algo que alguém nunca descobriu, a psicologia analisando o homem, seu comportamento e demais aspectos do inconsciente, mostra o caminho para a resposta com outra pergunta. “Por quê um cachorro acorda todos os dias para comer, cuidar do território, procriar e depois dormir?”. “– Ah, essa é fácil, para comer, cuidar do seu território, fazer cachorrinhos e dormir”.

O homem faz exatamente a mesma coisa, porém de uma maneira tão complexa, por se tratar de um ser superior, que esquece o porquê da sua existência e cria metas inatingíveis, busca bens intangíveis e não mensuráveis, frustrando-se e então se torna uma pessoa infeliz e incompetente que não atingiu os objetivos de sua vida, quando na verdade nossa natureza é simples como a de qualquer outro animal, somos feitos neurologicamente e psicologicamente para procriar e manter a espécie, isto seria o homem sem máscaras, mas não estamos dizendo que máscaras são ruins e tão pouco que o homem é resumido em sexo, a questão é a força motriz do homem, seu objetivo mais primitivo e inconsciente.

Freud possuía um tratamento sobre o homem classificando-o em totalmente sexual, tudo o que fazemos tem como objetivo maior o sexo, a cópula. Foi muito criticado em sua época, e ainda é muito criticado nesta. O homem é o animal que dá a maior importância para o sexo.

Faça o teste, algum dia de verão ande com roupas de banho em uma cidade não praiana, você verá que arrancará olhares de todos os tipos. Claro que em uma sociedade como a nossa isto é uma coisa indecente, porém a importância que daríamos a este fato seria enorme. Outro ponto que prova que o ser humano é totalmente sexual; em uma conversa normal, falando de outras pessoas, um humano fala para o outro, “- Ela está sendo traída?” ou “- Acho que o filho dela é homossexual”, ainda “- Ela está tão feia, veja aquelas gordurinhas”, “- Nossa, que mulher!” e demais frases usadas para descrever as qualidades físicas da mulher e do homem.

São frases assim que demonstram que estamos mais interessados em sexo do que qualquer animal, na verdade nos interessamos também pela sexualidade dos outros. Ao contrário dos outros animais que praticam o ato por pura necessidade de sobrevivência, o homem concentra a maior parte do seu tempo ocioso e não-ocioso no sexo, não explicitamente e nem no ato, mas em ações que visam realizar os assuntos a ele ligados.

Através do dinheiro são expostos os sentimentos e desejos humanos, este canaliza e exterioriza a forma de consumo, modo de vida, poder, entre outras coisas.

Os homens fazem do dinheiro, em uma visão global, uma forma racional de apresentar o interior mais instintivo e animalesco que possuímos, assim características como demonstração de força, poder, territorialismo e até mesmo fertilidade são expostas desta maneira que podemos chamar de mais civilizada.

As pessoas há muito tempo vêm dando tanta importância ao dinheiro quanto ao sexo, porém isto não quer dizer que as pessoas priorizem o dinheiro ao invés do sexo, nem tão pouco significa que dinheiro é sexo. Nesta questão o dinheiro toma o papel do sexo, porém não é o ato em si e nem representa o significado do sexo, mas tornou-se uma ferramenta útil para a busca de um parceiro.

O seu real papel com relação ao sexo está na racional exposição de nossos instintos, tais, que nos fazem buscar o parceiro mais saudável e fértil, segurança para si próprio e a prole, um maior território diante dos outros membros da comunidade.

3 – PERSONALIDADE

O que é personalidade? Sempre que feita para nós esta pergunta, geralmente as respostas são, eu tenho personalidade forte, fraca, fulano tem desvio de personalidade etc.

Bem, não é exatamente desta forma que será abordado este tema. Para nosso melhor entendimento deste tema, buscaremos voltar as nossas raízes, o que o tema aborda é como é formulada a personalidade de um indivíduo. “Só poderemos entender quem somos se soubermos de onde viemos”.

A personalidade é formada desde o útero materno, onde os pais mantêm um diálogo com o feto, com palavras de carinho, mantendo um bom relacionamento entre eles, talvez você não saiba, porém esta mensagem é transmitida para o inconsciente da criança ainda em fase de gestação.

Em uma conversa sobre bebês com um casal, o pai e a mãe me relataram o seguinte, quando souberam que iriam ter um filho, começaram a falar palavras de carinho para a criança, falavam que ele seria um bebê muito tranqüilo, não choraria durante a noite, pois bem eu conheci a criança pouco antes de completar um aninho de idade podendo confirmar que realmente esta tática que os pais usaram surtiu efeito. Este foi um dos exemplos que iremos citar neste artigo.

A formação familiar é um dos principais pilares na moldagem da personalidade de um indivíduo. A principal referência que temos são os pais, estas influências interferem diretamente na personalidade, seja positiva ou negativa, porém não é o fator que determinará se o sujeito terá “personalidade fraca ou forte”. O ser humano molda seus valores, ideais e crenças, devido à convivência. Existe aquele ditado popular que “o hábito faz o monge”, pois então, o meio em que nos relacionamos irá definir nossa personalidade, seremos moldados pelas pessoas que convivemos.

Observe a seguinte pergunta, você torce por algum time de futebol? Para qual time? Ok. Agora responda, qual time seu pai, irmão mais velho, tio ou alguma pessoa próxima e de maior idade que você torcem pelo mesmo time, ou até mesmo a região que você mora é fator influenciador nesta situação. Pode perceber quantas pessoas próximas a você que torcem para o mesmo time, e está valendo se ninguém incluindo caso você não tem preferência por time algum.

Exemplo que podemos usar é também a nossa forma de vestir, notamos no dia a dia e principalmente quando vamos para uma festa que as pessoas estão vestidas com modelos semelhantes de roupas, muitas vezes o que as diferem são somente as cores, dá-se preferência para determinada marca, os modelos de óculos de sol, as pessoas procuram seguir as tendências, bem isto não é nenhuma novidade, porém você pode perceber o quanto às pessoas e a mídia tem influência direta na sua personalidade. Ou acredita que a forma de escolher suas roupas não tem algo haver com sua personalidade.

O processo de moldagem de uma personalidade é complexo e ao mesmo tempo muito natural, onde algo que contribui neste desenvolvimento são os tabus que a sociedade emprega.

Quem nunca viu uma criança urinar perto de um muro, estando sozinha ou com adulto por perto, é quase comum que todos tenhamos presenciado uma cena como esta, ou melhor, talvez tenhamos sido nos a protagonizar esta cena. Seria comum quando temos vontade de urinar irmos para um muro próximo e fazermos o que nosso organismo nos impõe? Por que as pessoas nos olhariam de uma forma desagradável e desconfortante? Entretanto temos vontade porquê não o fazemos, se quando fazíamos quando criança não gerava problema algum, sem contar que muitas vezes eram nossos pais que nos propunham isso. Mais tarde eles nos ensinaram que não poderíamos mais urinar em público porque além de anti-higiênico era “feio”.

O comportamento humano no dia a dia é reflexo direto de imposições implícitas feitas pela sociedade, ninguém age segundo sua vontade perante as câmeras que estão nos olhos alheios, isso não quer dizer que seja ruim ou errado, imagine as pessoas fazendo tudo o que sentem vontade, causaria um colapso na sociedade, eu, por exemplo, adoraria nos dias de muito calor ir ao banco só de cuecas e você teria coragem hoje de fazê-lo? Nem eu.

A personalidade é algo individual, e complexa, é algo extremamente interior, diferente de um estado de espírito, onde às vezes as pessoas acordam sorridentes, ou totalmente depressivas mesmo quando aparentemente parece estar tudo em ordem na sua vida. As ações que praticamos transpõem nossa personalidade.

4 – COMPORTAMENTO HUMANO

O comportamento humano não foge do contexto da personalidade, é seu irmão. Para cada situação cotidiana há uma forma do ser humano portar-se. Nosso comportamento varia para cada situação, o quê podemos chamar de máscaras?

Todos possuímos uma grande caixa delas. Existem as que usamos apenas em ocasiões especiais, como encontros, entrevistas etc, aquelas que procuramos usar quando mentimos (mas para a maioria das pessoas essa vem com defeito de fábrica, para outras cai perfeitamente), existem ainda as famosas máscaras imaginárias, estas na realidade não existem, mas a imaginamos para representarmos um papel, os outros não a vêem, mas o usuário acha que está usando algo, como um amigo imaginário.

Porém existe a máscara principal, aquela que usamos no nosso dia-a-dia, é nela que ainda resiste traços e formas de quando éramos crianças e estávamos aprendendo a arte de fazer, trocar e combinar máscaras. Algumas vezes podemos perder esta máscara, ou esquecê-la no fundo da caixa, pois demos preferência à do trabalho, ou a da igreja, ou a da galera, então assumimos outros comportamentos que tentam ofuscar nossa real personalidade.

A forma de se expressar com algumas pessoas pode ser totalmente diferente com outras, porquê será. Isso não é pecado algum, você pode estar nos questionando, “isso não acontece comigo, pois trato todas as pessoas da mesma forma, desculpe-me, isso não acontece posso te garantir”.

Nosso relacionamento esta sempre em variação, você já convidou aquela pessoa que não simpatiza de jeito algum para ir a uma festa com você? “- Ah, aí é diferente!”. Então é diferente porque não gostam da mesma música, time de futebol ou do mesmo programa de culinária.

Algo que não sabemos pode ter acontecido para que os “santos de vocês não se cruzarem”, e naturalmente não existe um relacionamento entre vocês, isso que determina que não tenham afinidades, ou até mesmo já chegaram há ter um dia e por algum motivo particular, hoje não se relacionam como antes, e evidentemente a forma que trata esta pessoa, não é a mesma como a um amigo. No ambiente de trabalho não é diferente, muitas vezes temos mais afinidades com umas pessoas do que com outras, a forma de nos relacionarmos não é igual para com todos.

Caso você trabalhe, procure observar o comportamento das pessoas na empresa, poderá notar facilmente as formas como as pessoas dos mesmos setores agem, o comportamento parece padronizado, as pessoas da limpeza agem como se fossem “coitadinhos”, o “o cara” (o chefe neste caso) sempre procura demonstrar que é o senhor da situação, sempre seguro e entendido de tudo. Por que será?.

Acredita que a função de faxineira (o) não é importante tanto quanto outra em uma empresa, é claro que não, porquê será que existe uma diferença tão grande nos comportamento entre a/o “coitadinha” /o e “o cara”. Isso é muito simples é devido à hierarquia, imagine um dia o chefe chegar na empresa e encontrar a faxineira completamente há vontade na sua maravilhosa cadeira reclinável, ou o chefe dizer para a faxineira que ela pode ir para casa mais cedo que ele termina a faxina já que seu trabalho está adiantado, ambas as situações seriam inéditas, “inéditas, não impossíveis”, naturalmente causariam espanto entre as pessoas da empresa, e seria o motivo de conversas durante o cafezinho.

No ambiente de trabalho adotamos comportamentos agradáveis para as pessoas, procuramos na medida do possível ser cordiais nos relacionamentos, nos relacionamos conforme a hierarquia, quando contamos uma piada, por exemplo, a empresa toda pode morrer de rir, mas na verdade queremos arrancar uma gargalhada do chefe.

Outra situação bastante comum é na paquera, a abordagem da pessoa que desperta interesse é geralmente calculada, pensamos no que dizer, alguns tem mais facilidade que os outros, bem é uma questão de treino. Não raro existe uma preparação antes dela, escolhemos a roupa, o perfume (alguns escolhem), o local e principalmente o quê falar, que é o principal. Para os homens a preparação é maior, lavamos o carro que é uma extensão do pênis (achar algo cientifico), e depois escolhemos o motel.

Marcamos um encontro, levamos em um local agradável, a conversa se desenvolve e ambos revelam sobre si somente coisas boas, geralmente prendemos nossos demônios nessas ocasiões, sem falar que o primeiro encontro é sempre uma entrevista, um jogo de perguntas e respostas, e a desculpa é de que estão se conhecendo, como se pode conhecer uma pessoa em algumas horas (na verdade é iniciada uma busca por defeitos, estes que poderiam impedir uma “cria” não muito boa do casal, analisando pelo lado mais instintivo dos encontros), isso leva tempo, só se conhece alguém com a convivência, e isso requer um certo tempo, até esta etapa estar concluída, a meta é transparecer que somos bonzinhos, os homens até abrem a porta do carro, existe um ditado, "quando um homem abre a porta do carro ou o carro é novo ou a mulher é nova".

As mulheres precisam de mais horas frente ao espelho, é aí que está a preparação delas, o espelho, a poderosa caixa de maquiagem e o secador de cabelo são seus maiores aliados antes de um encontro, a roupa é escolhida de uma forma muito detalhada e peculiar, seria o fim do mundo se as outras mulheres a vissem com uma bolsa que não combinasse com o sapato, falamos em outras mulheres, pois para os homens este é o último detalhe que irão ver.

Para ambos o pré-encontro é um ritual, uma das melhores partes na minha opinião, mas o que define se irá acontecer algo, são as palavras ditas, o homem ou a mulher podem ser os melhores no “papo” mas se durante a conversa os gestos não forem adequados, todo o ritual anterior pode não surtir efeito positivo.

Agimos conforme as pessoas esperam, caso contrário causará no mínimo espanto, ou repressão. O autopoliciamento é diário entre as pessoas, para que não se cometam erros, quantas pessoas cumprimentam-se cordialmente quando na verdade desejam que tal indivíduo estivesse a quilômetros de distância?

5 – PADRÕES COMPORTAMENTAIS

O ser humano, considerado complexo em todos os aspectos, desde seu desenvolvimento até suas interações grupais, demonstra ser distinto dos demais animais pouco racionais, estes nascem com objetivos pré-programados que caracterizamos como instintos e seguem uma linha genérica de estimulo/resposta para com o meio onde esta inserido, suas relações sociais são padronizadas para cada grupo de espécie, é comum citarmos que um gato é igual em qualquer parte do mundo, isto por se tratarem de seres inferiores que não possuem um desenvolvimento racional.

Já o homem possui sua individualidade que o leva a ser único, diferente de cada membro do grupo, pois têm suas próprias idéias, convicções, personalidade, comportamento e pensamento, isto não esta incorreto por esta linha de pensamento, na verdade o homem segue um padrão, ao compreendermos e aceitarmos este aspecto é fácil nos analisarmos.

A importância do conhecimento dos padrões de comportamento humano nos leva a um nível de antecipação, de previsão das relações interpessoais, dos costumes, das ações e direções, bem como pode auxiliar no entendimento dos hábitos de consumo, comportamentos de compra e venda, relações no ambiente de trabalho, divisões de mercado, administração de conflitos, psicológica individual etc.

Para falarmos de padrões, devemos mais uma vez voltar ao aspecto da personalidade. Encontrar um padrão de personalidade é difícil, pois a personalidade é individual e possuiu sistemas e subsistemas, devemos passar ao um nível antes da personalidade, o que a compõe são os chamados traços. Estes traços são definidos por comportamentos habituais e até cotidianos das pessoas, são grupos de características macros que definem se um individuo é higiênico, estudioso ou trabalhador por exemplo.

Cada um destes sistemas possuem vários subsistemas que são os atos que levam tal pessoa a ter o traço de trabalhador, para tanto devemos realizar tarefas como acordar cedo, vestir-se ao critério, comportar-se de acordo com o ambiente e inúmeras tarefas que revelam um traço do individuo, “trabalhador”. O conjunto de traços da personalidade definem o comportamento deste. Encontrar um padrão para o homem não consiste em analisar aspectos da personalidade separadamente e sim analisar a pessoa pelo seu comportamento.

O que torna fácil a descoberta dos padrões demonstráveis existente é o uso das máscaras. As máscaras são usadas para nos tornarmos parte de uma comunidade com aspectos sócio-culturais semelhantes.

Sobre os autores,

Marcos Felipe Menghi Nishimura
MBA Executivo Internacional – Universidade Lusófona – Portugal
Wagner S. de Alencar
Administração em Gestão de Negócios

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