Automedicação: OMS alerta sobre este problema cultural

De olho nos pacientes que abusam do uso dos remédios, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está realizando seminários em todas as regiões para alertar a população e as autoridades em saúde sobre os riscos da automedicação e do uso indiscriminado de remédios.
De olho nos pacientes que abusam do uso dos remédios, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está realizando seminários em todas as regiões para alertar a população e as autoridades em saúde sobre os riscos da automedicação e do uso indiscriminado de remédios.
Nas apresentações, os técnicos do órgão apresentam números assustadores aferidos pela Organização Mundial de Saúde – OMS.

Pelas estatísticas, 75% das prescrições médicas são errôneas, 50% dos medicamentos prescritos são dispensados ou usados inadequadamente, apenas 50% dos pacientes usam remédios adequadamente e 30% das internações por intoxicação ocorridas no Brasil têm como origem o uso incorreto de remédios.

Waldir, o aposentado que toma sete remédios por dia, conta que metade dos antibióticos que usa é para combater problemas causados pelo cigarro.

Fumante durante 40 anos, ele apresenta agora uma série de complicações em decorrência da dependência. “Parei de fumar há 14 anos, mas até pouco tempo atrás meu catarro ainda era escuro”, recorda. O uso contínuo do cigarro também acarretou problemas cardíacos e estomacais para o aposentado. Hoje ele tem uma gastrite crônica e depende de três remédios para o coração. “Se parar de tomar essas pílulas, morro”, afirma.

A funcionária pública Fernanda de Nazaré Espinosa, 39 anos, é quem escolhe os remédios quando tem problemas de saúde leves. Na semana passada, teve uma inflamação na gengiva e comprou o antiinflamatório a base de Diclofenaco potássico, um dos mais vendidos no país. “Sempre uso o mesmo. Aliás, minha mãe já usava quando eu era criança”, relata. Quando a filha, de 14 anos, adoece com febre, o medicamento administrado também não é prescrito por médico. “Confio mais na tradição da minha família e compro o mesmo remédio que minha avó comprava”, explica.

É nessa confiança que mora o perigo. O Diclofenaco potássico, por exemplo, pode ser um ótimo antiinflamatório. Mas, se usado sem orientação médica, pode acarretar uma série de efeitos adversos, como inchaço e vermelhidão na face, bolhas pelo corpo, erupção cutânea generalizada, respiração ofegante e até parada cardíaca.

“Algumas vezes, o remédio deixa de ser a cura para ser a doença”, alerta o Presidente da Federação Nacional de Médicos (Fenam), o Urologista Heder Murari Borba.

Representante nacional de todos os sindicatos estaduais de médicos, Murari explica por que 75% dos medicamentos receitados aos pacientes são prescritos de forma errada. “É um fator cultural. O médico se sente pressionado a receitar.

Se um paciente for atendido no consultório e o médico não lhe der uma receita, ele ficará frustrado e exigirá do médico um remédio. Nessa situação, nasce uma nova receita”, justifica. Ele revela ainda o que todo mundo já sabe. “A indústria farmacêutica no mundo todo exerce uma pressão muito forte sobre os médicos. Começa nos corredores das universidades e aumenta quando o médico começa atender a pacientes”, informa.

A pressão da indústria farmacêutica nos consultórios se dá de forma direta, porém, camuflada. Os grandes laboratórios patrocinam seminários nacionais e até internacionais, dão brindes e presentes caros aos médicos.

Em troca, eles se sentem obrigados a receitar o medicamento indicado pela indústria. Alguns laboratórios têm mecanismos de averiguar se determinado médico está receitando ou não o remédio indicado. Essa pressão estende-se até o balcão da farmácia. Murari conta que os laboratórios bonificam os balconistas que “empurram” seus remédios aos clientes. “Essa cadeia é prejudicial à Saúde Pública”, adverte.

Murari diz que a cultura de se automedicar e a pressão da indústria são antigas e bastante comuns no País. Não é raro encontrar alguém utilizando o mesmo remédio que o irmão ou vizinho tomou em caso de gastrite, hipertensão, tratamento da obesidade.

A Socióloga Maria de Fátima Salgueiro, da Universidade de Campinas – Unicamp, atribui a automedicação aos profissionais que estão no balcão da farmácia e, principalmente, ao baixo poder aquisitivo da população brasileira. “Sem condições financeiras para adquirir um plano de saúde ou para procurar um médico particular, o doente parte para o uso de medicamentos indicados por leigos”, destaca.

“Na minha opinião, pesa mais o fator cultural, já que o fenômeno da automedicação ocorre também nas camadas mais privilegiadas”, opina Pedro Rangel, da Associação Médica Brasileira (AMB).

Fonte: [url=http://www.antidrogas.com.br/mostranoticia.php?c=3234&msg=Organiza%E7%E3o]www.antidrogas.com.br[/url]

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