Excesso de peso compromete qualidade de vida em idosas

Valores mais altos de indicadores como o Índice de Massa Corporal e o Perímetro de Cintura representam maior comprometimento do aspecto físico da qualidade de vida, atingindo até as atividades mais simples do dia-a-dia.
Valores mais altos de indicadores como o Índice de Massa Corporal e o Perímetro de Cintura representam maior comprometimento do aspecto físico da qualidade de vida, atingindo até as atividades mais simples do dia-a-dia.
Em mulheres idosas, quanto mais altos os valores de alguns índices antropométricos (medidas corporais), maior o comprometimento da realização de atividades físicas, mesmo as mais cotidianas – como varrer a casa, caminhar alguns quarteirões e subir escadas. O resultado é de um estudo inédito no Brasil que relacionou a antropometria à qualidade de vida. A pesquisa avaliou 416 mulheres da cidade de São Paulo, com idade a partir de 60 anos.

De acordo com o professor de educação física Mauro Ferreira, que realizou o estudo na Faculdade de Medicina (FM) da USP, a maior parte das pesquisas que existem nessa área são sobre a população mais jovem. Relacionadas a mulheres idosas, há apenas três – e internacionais. “Embora tenha sido feita em outros países, essa relação pode se modificar de acordo com o local”, explica. “Por isso, é importante a adaptação à realidade brasileira.” O doutorado de Ferreira, realizado no Departamento de Medicina Preventiva sob a orientação do professor Júlio Litvoc, é o primeiro estudo que faz essa relação no Brasil.

As mulheres envolvidas no estudo passaram por uma avaliação antropométrica na qual se obteve cinco indicadores, dos quais Ferreira destaca os dois mais conhecidos e mais simples de serem medidos: o Índice de Massa Corporal (IMC), que mede a relação peso e altura e determina índices de obesidade; e o Perímetro de Cintura, que mede o contorno dessa região do corpo e determina índice de gordura localizada. “O IMC é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. Se o valor resultante for 30 ou mais, ele indica obesidade”, explica o pesquisador. “No caso do Perímetro de Cintura, uma medida igual ou superior a 88 centímetros aponta área de risco”.

As idosas também responderam a um questionário de qualidade de vida (o SF-36, um dos mais utilizados na área médica atualmente) que mede as dimensões de saúde física e mental a partir da percepção pessoal – estratégia que vem sendo cada vez mais considerada nas avaliações médicas.

Ferreira conta que quanto mais elevados os valores de IMC e Perímetro de Cintura, maior o comprometimento da dimensão física da qualidade de vida. “Um dos domínios mais afetados foi o funcionamento físico, que avalia a resposta da pessoa a atividades físicas”, aponta o pesquisador. As idosas avaliadas também referiram maior grau de dor e apresentaram problemas no estado geral de saúde.

Ao contrário do físico, o domínio mental (que leva em conta fatores como depressão e relações sociais) não se relacionou com o IMC e o Perímetro de Cintura. “Esse resultado mostra que o comprometimento da qualidade de vida nas brasileiras é muito parecido com o que ocorre em outros países – onde os problemas se situam, principalmente, na dimensão física”, explica Ferreira. O pesquisador justifica esse resultado com o fato de que, geralmente, as mulheres idosas vão se adaptando ao aumento de peso e o consideram natural com o avanço da idade.

Todas as idosas avaliadas pela pesquisa praticavam algum tipo de atividade, desde exercícios físicos até trabalhos manuais. Elas foram sorteadas dentre aquelas regularmente matriculadas em pelo menos uma das atividades oferecidas nas Unidades Educacionais da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação (SEME) da Prefeitura de São Paulo.

“Por ter trabalhado com uma amostra que não representa a população de idosas como um todo, os dados desta pesquisa devem ser vistos com cautela”, esclarece Ferreira. “Mas, se essas senhoras, relativamente ativas, já apresentaram comprometimento das atividades mais cotidianas, fica a questão de como se comportariam as idosas mais sedentárias.”

O pesquisador espera que seu doutorado inspire novos estudos, que trabalhem com uma amostragem maior e mais representativa da população de idosos. E aponta outra possível contribuição da sua pesquisa. “Pela relativa facilidade de medir as variáveis antropométricas, profissionais de outras áreas da saúde podem utilizá-las para recomendar cuidados com a qualidade de vida a seus pacientes”, aponta Ferreira, “o que, por ser bem mais amplo e complexo, pode complementar as medidas clínicas normalmente obtidas, como a pressão arterial”.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/082.htm]www.usp.br[/url]

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