Codependência

Existe um estado emocional, freqüentemente, pouco entendido entre as pessoas, mas que tem sido encontrado em várias situações do dia-a-dia do ser humano: a CODEPENDÊNCIA; que significa uma necessidade excessiva que o indivíduo desenvolve pelo outro, por um determinado comportamento ou até por objetos.

Muitas vezes, apresentamos comportamentos e sentimentos que nos mantêm “escravos” e não sabemos como surgiram, nem como nos livramos deles. O familiar de um indivíduo alcoólico, por exemplo, pode viver obcecado em controlá-lo, ou ainda, o familiar de um paciente diabético pode sentir-se obrigado a “vigiá-lo”, pensando que isso é cuidado; na realidade, pode ser codependência. Além disso, o indivíduo codependente pode também apresentar uma necessidade exagerada não apenas por alguém, mas por objetos, alimentos, ou substâncias químicas (álcool e drogas).

É importante salientar que a codependência é um estado emocional que age como uma epidemia, podendo ser passada de gerações para gerações, causando uma onda de sofrimento emocional difícil de ser compreendida. Esse estado emocional, muitas vezes, se modifica: é quando o alcoolismo de um pai não surge nos filhos, por exemplo, mas esses mesmos filhos poderão se tornar compradores compulsivos, trabalhadores compulsivos, comedores compulsivos, etc.

E como podemos identificar essa codependência no outro e até em nós mesmos?

• Farei uma breve exposição de algumas características principais de um indivíduo com codependência:
• O codependente possui uma ou mais compulsões, algumas até valorizadas, como trabalhar em excesso;
• Um codependente geralmente vive atormentado com os problemas que viveu na sua família de origem (pai, mãe, irmãos);
• A auto-estima e, geralmente, a maturidade do codependente são pouco equilibradas;
• O codependente acredita que sua felicidade depende exclusivamente do outro, sentindo-se, quase sempre, responsável pelo comportamento desse outro;
• Seu relacionamento com o cônjuge ou outra pessoa significativa, é caracterizado por um constante desequilíbrio entre dependência e independência;
• O codependente é um mestre da negação de suas dificuldades, procurando quase sempre reprimi-las;
• Tem uma preocupação constante com coisas que não pode mudar e vive querendo mudá-las;
• Sua vida é sempre cheia de sentimentos extremos: ou ama demais, ou pode odiar na mesma intensidade;
• Tem a sensação de que sempre está faltando algo em sua vida, e, às vezes, não sabe nem o que é.

Acredito que o primeiro passo para tentar superar a codependência é, primeiramente, nos observarmos mais (nem sempre fazemos isso) para que possamos identificar os sintomas e procurar a ajuda necessária. Tentar quebrar esse ciclo presente em várias gerações, como já mencionado anteriormente, é essencial para termos mais equilíbrio emocional e para ajudar nossos entes queridos no futuro.

Lara Ferreira Guerra
Psicóloga CRP 13/302

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