Grupo “desliga” desejo sexual em roedor

Cientistas conseguiram atacar com exatidão um ponto específico no cérebro e desligar o interesse de uma fêmea de camundongo por sexo.
Cientistas conseguiram atacar com exatidão um ponto específico no cérebro e desligar o interesse de uma fêmea de camundongo por sexo.
Provando mais uma vez o que já se sabia: o cérebro é o principal órgão sexual da maioria dos seres vivos, incluindo, claro, seres humanos. Mas, além da curiosidade, a nova pesquisa promete ajudar a buscar novos tratamentos para distúrbios neurológicos.

O experimento é de ficar com pena do bichinho macho, como dá para ver em um vídeo que acompanha o estudo, disponível na internet aos assinantes da revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA, a “PNAS” (www.pnas.org).

Dois casais de camundongos estão em duas gaiolas transparentes nesse vídeo de meros 14 segundos. São fêmeas cinza e machos brancos. Em cima, os bichos comuns que fazem parte do “experimento controle” ficam cheirando o local, se cheirando, mas lá pelo décimo segundo o macho monta na fêmea, que aceita a cópula sem problemas, se agachando para receber o companheiro roedor.

Na gaiola embaixo o clima é outro. Logo no começo do filme, o macho tenta montar a fêmea, mas a companheira reage com violência. São 14 segundos de frustração masculina e violência feminina.

“Hoje não, querido, estou sem o gene do receptor de estrógeno-alfa”, é o que a fêmea talvez dissesse, se falasse.

A equipe de cinco pesquisadores liderada por Sonoko Ogawa, da Universidade de Tsukuba, Japão, no momento na Universidade Rockefeller, de Nova York, publicou artigo sobre o “silenciamento” desse gene hoje na “PNAS”.

O gene tem um papel importante na regulação desse hormônio. Ele produz um “receptor”, um local onde o hormônio estrógeno vai se ligar para agir.

Estudos anteriores com camundongos que não tinham o gene deram boas pistas sobre suas funções, mas não eram claros sobre sua ação no sexo e mais especificamente no cérebro. Esses camundongos sem o gene deixavam todo o corpo sem receptores de estrógeno. É que os hormônios sexuais também têm papel na fase de desenvolvimento do ser vivo, notadamente do seu cérebro.

O truque de Ogawa e colegas foi usar um meio preciso para desligar o gene em um local específico já em um cérebro adulto. Para isso eles usaram um vírus inofensivo como “vetor” do material genético que queriam enxertar no núcleo ventromedial hipotalâmico, uma região do cérebro.

A técnica conhecida como interferência de RNA mostrou ter bom resultado ao “silenciar” o gene que os pesquisadores queriam, o que a torna uma ótima ferramenta potencial para uso em terapias.
“O silenciamento de genes pode ser restrito a apenas um núcleo cerebral e pode ser feito em um animal normalmente desenvolvido”, afirmam os autores do estudo.

Para eles, essa tecnologia tem grande potencial na identificação de genes e redes neurais envolvidas em funções cerebrais complexas, além de ser uma opção terapêutica em casos em que isso possa ser útil com o “silenciamento” de um ou mais genes.

Fonte: [url=http://noticias.bol.com.br/saude/2006/06/27/ult306u14765.jhtm]www.bol.com.br[/url]

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