Estudo: distorções na autopercepção de imagens corporais

Tanto homens como mulheres apresentam distorções na autopercepção de imagens corporais. A conclusão é de pesquisa realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, com 106 estudantes universitários.
Tanto homens como mulheres apresentam distorções na autopercepção de imagens corporais. A conclusão é de pesquisa realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, com 106 estudantes universitários.
“A maioria das mulheres normais ou com sobrepeso superestima seu tamanho corporal. Já as mulheres obesas e os homens subestimam suas silhuetas”, disse Sebastião de Sousa Almeida, do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, à Agência FAPESP.

Os resultados sugerem existir uma insatisfação geral em relação às silhuetas. Todos gostariam de ser mais magros. Almeida, um dos autores do artigo Relação entre índice de massa corporal e a percepção da auto-imagem em universitários, que será publicado na próxima edição da Revista de Saúde Pública, alerta que os resultados podem provocar, principalmente em mulheres, comportamentos alimentares não saudáveis. Entre as 57 entrevistadas, 87% afirmaram que se sentiam mais gordas do que realmente estavam.

“Os dados de distorção das imagens podem influenciar negativamente as atitudes alimentares. Se uma mulher, mesmo com peso adequado para a altura, sente-se gorda, essa distorção pode levar a dietas de restrição alimentar”, adverte o pesquisador.

Segundo Almeida, o quadro detectado pelo estudo – os participantes tiveram que responder questionários e também indicar como se viam a partir de uma escala de silhuetas – é ainda mais preocupante entre mulheres mais novas e adolescentes. “A mídia associa um corpo belo com aqueles exibidos pelas modelos de passarela. A busca por esse biótipo pode levar até mesmo ao desenvolvimento de distúrbios alimentares como bulimia e anorexia”, disse.

Os resultados obtidos entre os homens – a maioria dos 49 entrevistados afirmou ser menos obesa do que realmente era – também indicam que a distorção na auto-imagem pode causar problemas nutricionais. “Os números sugerem haver maior dificuldade dos homens em atentar aos cuidados necessários com o estado nutricional, o que dificulta ações preventivas para as doenças relacionadas ao excesso de peso”, disse Almeida.

Quando foram convidados a dizer qual silhueta agrada mais, homens e mulheres apontaram formas menores do que tinham. Para os pesquisadores, a exaltação da magreza na sociedade contemporânea, com corpos tão esguios quanto inatingíveis pela maioria da população, configura situação de
permanente insatisfação pessoal.

Apesar de o estudo evidenciar apenas a situação entre universitários, pesquisa em andamento com outras faixas etárias da população aponta cenário similar. “Estamos investigando essa distorção da imagem corporal em crianças e adolescentes e o resultado parece ir na mesma direção”, disse Almeida.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5685]www.agencia.fapesp.br[/url]

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