Oficializada a escolha do padrão japonês de sistema de TV digital

Após longa espera e muita apreensão, finalmente saiu a decisão. Com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no decreto sobre o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, na quinta-feira (29/6), foi oficializada a escolha do padrão japonês. Perderam os sistemas europeu e norte-americano.
Após longa espera e muita apreensão, finalmente saiu a decisão. Com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no decreto sobre o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, na quinta-feira (29/6), foi oficializada a escolha do padrão japonês. Perderam os sistemas europeu e norte-americano.
De acordo com o decreto, o sistema digital deverá levar no máximo sete anos para chegar a todo o país. O sinal analógico continuará sendo transmitido nos próximos dez anos. O texto estabelece também o uso da tecnologia de modulação japonesa em conjunto com inovações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros.

“Esses prazos são bem agressivos, mas coerentes. O mais importante é que academia, governo, radiodifusão e indústria conseguiram chegar a um consenso quanto ao padrão a ser adotado”, disse Marcelo Knörich Zuffo, professor do Departamento de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP.

Segundo Zuffo, que participa dos consórcios para o desenvolvimento do SBTVD e esteve na cerimônia no Palácio do Planalto, com a assinatura do decreto a população fica “dependente da coerência do governo, pois o arcabouço jurídico está totalmente obsoleto. Se houver coerência em relação à formulação de novas leis para o setor, esse prazo poderá ser cumprido tranqüilamente”.

Zuffo lembra que a Lei de Radiodifusão determina basicamente a exploração de serviços de transmissão de som e imagem em uma grade de programação diária. “Com a TV digital, em um mesmo canal poderão ser transmitidos até quatro programas e vários aplicativos”, disse o também pesquisador do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da Poli.

Na cerimônia em Brasília, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, estimou que as primeiras transmissões comerciais de TV digital deverão começar em seis meses. O sinal para as transmissões públicas, no entanto, já vem sendo testado pela televisões Cultura, Mackenzie e USP.

Conversor nacional

Fabricantes de televisores deverão disponibilizar no mercado aparelhos com decodificador de sinal embutido, o que deve levar mais de um ano. Zuffo aponta também que as vantagens do novo sistema serão estendidas em seguida a diferentes aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores portáteis, que receberão os sinais da TV digital.

Mas, para a grande maioria, o acesso ao novo sistema será feito inicialmente por meio de um adaptador para converter sinais digitais para os atuais televisores analógicos. Alguns laboratórios nacionais estão desenvolvendo tecnologia para tais conversores, como o LSI.

“Nossa preocupação foi criar uma arquitetura de referência para nortear o desenvolvimento desse tipo de tecnologia de conversão de sinais. Agora, cabe ao mercado pegar essas especificações e transformá-las em produtos”, disse Zuffo.

Se fosse fabricado hoje, um terminal de acesso à TV digital custaria ao consumidor cerca de US$ 400. Como a intenção do governo federal é que esse preço caia para US$ 50 nos próximos anos, novas políticas industriais precisarão ser criadas. Só a matéria-prima desses terminais custa US$ 80.

Segundo Zuffo, o LSI já foi abordado por 18 empresas interessadas em fabricar o decodificador desenvolvido no laboratório. “Mas estamos esperando o governo adotar critérios de produção, com base no respeito à propriedade intelectual e viabilidade de manufatura”, disse. Ou seja, critérios que garantam que as tecnologias desenvolvidas pelos centros de excelência em todo o país sejam realmente incorporadas aos novos produtos, evitando a pirataria ou a criação de aparelhos caseiros.

“A partir de agora, o debate apontará para os marcos regulatórios. Os pesquisadores brasileiros terão que exigir que todas as suas inovações sejam exploradas com base em regras muito bem definidas. A discussão não é mais meramente tecnológica. Com a definição do padrão, as discussões precisam migrar agora para a formulação de novas políticas industriais que garantam a incorporação das inovações brasileiras”, disse Zuffo.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5712]www.agencia.fapesp.br[/url]

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