Educação planejada

A expansão do ensino público superior e o controle da qualidade da educação oferecida por instituições particulares estão no centro das discussões sobre o fortalecimento da universidade brasileira.
A expansão do ensino público superior e o controle da qualidade da educação oferecida por instituições particulares estão no centro das discussões sobre o fortalecimento da universidade brasileira.
“Já para 2007, temos como projeto criar uma ‘universidade do Mercosul’ em Chapecó, Santa Catarina”, disse Nelson Maculan Filho, secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante mesa-redonda na segunda-feira (17/7), primeiro dia de atividades na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Florianópolis.

“É impossível monitorar, de Brasília, as 2.040 universidades particulares no país e os cerca de 15 mil cursos existentes. Por isso, é necessário pensar em descentralizar a fiscalização e estabelecer um pacto federativo para que haja confiança no controle da qualidade do que é ensinado nas instituições privadas”, disse Maculan Filho.

Na avaliação de Hermano de Medeiros Ferreira Tavares, reitor da recém-criada Universidade Federal do ABC (UFABC), a universidade passa por crises profundas no Brasil. A primeira é de legitimidade. “A nação inteira paga pela universidade, mas nem todo mundo chega até ela. Isso faz com que a sociedade não se sinta representada porque a universidade não contempla a diversidade social brasileira”, disse.

A segunda crise é de autonomia financeira. “A questão é se o Estado tem de manter a universidade ou se ele deve incentivá-la a gerar receita própria, aproximando-a de um modelo empresarial”, disse Tavares.

Guido Clemente, professor da Universidade de Florença, na Itália, lembrou que as discussões sobre a reforma da universidade italiana começaram em 1968 – oito anos após a criação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde está sendo realizada a reunião da SBPC – e ainda não se chegou a um ideal.

De lá para cá, a criação da União Européia tornou necessário o estabelecimento de um formato educacional comum a todos os países do bloco. Segundo Clemente, questões como o sistema “3 + 2” – 3 anos de bacharelado e 2 de especialização, implantado em países europeus –, a transferência de créditos entre um país e outro e a mobilidade dos alunos estão em andamento, mas precisam de mais debate.

“Sou um otimista. Na Europa, somos países pequenos e temos recursos limitados para a educação. A força do nosso ensino é a tradição da educação básica de alta qualidade”, disse o professor italiano.

A discussão vai e volta e recai sempre na mesma questão, o ensino fundamental. “A universidade nunca cumprirá seu papel se não dermos atenção ao ensino básico”, disse Tavares.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5792]www.agencia.fapesp.br[/url]

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