Presença ainda relativa nas universidades

Apesar de 52% dos postos de trabalho que exigem formação superior no Brasil serem ocupados por mulheres, a presença feminina ainda é muito pequena em algumas profissões e mesmo nos degraus mais altos das carreiras onde ela predomina.
Apesar de 52% dos postos de trabalho que exigem formação superior no Brasil serem ocupados por mulheres, a presença feminina ainda é muito pequena em algumas profissões e mesmo nos degraus mais altos das carreiras onde ela predomina.
O dado não é novo, mas abre o debate sobre a inserção da mulher em diversas áreas do conhecimento e do mercado, além da necessidade de se criar políticas públicas que proporcionem condições igualitárias para ambos os sexos profissionalmente.

“É preciso trabalhar com as professoras do ensino fundamental para que não haja uma diferenciação das disciplinas que são mais femininas ou mais masculinas. Hoje, ainda se acha que matemática não é coisa de menina”, disse a economista Hildete Pereira de Araújo à Agência FAPESP durante o encontro “Mulheres e ciência”, realizado na 58ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Hildete dedica-se ao estudo de gênero na história econômica e no mercado de trabalho. A partir de dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), referentes à década de 1990, a pesquisadora verificou que o número de mulheres ultrapassou o de homens – e essa tendência é crescente – na quantidade de bolsas de iniciação científica.

Partindo do princípio de que os alunos da iniciação científica serão os cientistas de amanhã, o que se vislumbra é, num futuro próximo, uma pós-graduação mais feminina.

Mas, para a professora da UFF, é preciso criar mecanismos na comunidade científica que não punam a maternidade e o afastamento da mulher durante tal período. O pesquisador que fica dois anos sem publicar, por exemplo, corre o risco de perder espaço e prestígio. “Talvez fosse uma boa idéia poder inserir no currículo períodos de maternidade como forma de justificar o recesso de publicação”, disse a economista.

“Por muito tempo foram usadas as diferenças entre os sexos para afirmar a incapacidade da mulher em desempenhar atividades intelectuais”, disse a socióloga Maria Teresa Citeli à Agência FAPESP. Professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela defende que o desafio, hoje, é divulgar que existe muita mulher fazendo ciência e fazendo bem.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5826]www.agencia.fapesp.br[/url]

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