Percepções da Criança Portadora de Doença Crônica sobre sua Hospitalização

O objetivo deste estudo foi investigar as respostas da criança cronicamente enferma sobre sua hospitalização.

No período de 01 a 30 de novembro de 1999, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com 16 crianças na faixa etária de 05 a 14 anos, portadoras de doenças crônicas cujo tempo de internação variou entre 07 e 45 dias. Foi utilizado uma abordagem qualitativa em pesquisa psicológica – psicologia fenomenológica baseada nas propostas de Giorgi (1985), Martins e Bicudo (1989), Foghieri (1991) e Valle (1999).

A análise compreensiva revelou três categorias temáticas que constituíram os temas que emergiram espontaneamente no discurso das crianças: 1 – representação do hospital; 2 – aspectos positivos e negativos da hospitalização; 3 – a doença e o tratamento.

O hospital enquanto espaço físico apresenta-se no imaginário infantil como um ambiente de sofrimento, dor e privação, com regras e horário pré estabelecidos; as crianças percebem a hospitalização dando-lhe uma conotação negativa no que se refere aos procedimentos, modificações da rotina de vida, afastamento dos familiares e amigos, os aspectos positivos ressaltados: fazer novos amigos e brincar na sala de recreação, as narrativas e comentários a respeito das informações sobre o diagnóstico, contituíram foco de atenção e interesses, as crianças de modo geral, se mostram capazes de compreender as conseqüências de sua doença e tratamento.

Os conteúdos dos temas analisados através das narrativas e produções das crianças revelam o nível de compreensão destes pacientes sobre as questões, sentimentos e experiências vivenciados em relação à hospitalização, doença e o tratamento.

Estes depoimentos possibilitam um maior conhecimento por parte da equipe de saúde dos fatores emocionais que permeiam os processos de adoecimento destas crianças e de adaptação às novas situações após o diagnóstico.

Apesar dos fatores negativos, as crianças identificaram o brincar, através do ambiente da sala de recreação do hospital como ponto positivo. Assim o brincar terapêutico deve ser explorado e intensificado nos cenários dos hospitais infantis.

Ana Cristina Amaral do Nascimento
CRP 05/14954
PRONTOBABY – HOSPITAL DA CRIANÇA – RJ
VIII Congresso Brasileiro de Terapia Intensiva Pediátrica
V Congresso Latino Americano – 2001

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