Violência afeta saúde mental de libaneses

Médicos que tratam dos refugiados do conflito no sul do Líbano alertam que a sociedade libanesa ainda vai sofrer muito e por muito tempo por conta do estresse e dos traumas provocados pela destruição de casas, perda de parentes e amigos e o medo constante de ataques a que muitos estão sendo submetidos.

Médicos que tratam dos refugiados do conflito no sul do Líbano alertam que a sociedade libanesa ainda vai sofrer muito e por muito tempo por conta do estresse e dos traumas provocados pela destruição de casas, perda de parentes e amigos e o medo constante de ataques a que muitos estão sendo submetidos.

“O estresse pós-traumático provocado pela guerra civil libanesa (1975-1991) é enorme e acho que o desta guerra vai ser ainda pior porque o Líbano poucas vezes viu um grau tão alto de violência”, diz a especialista em medicina de família da Universidade Americana de Beirute (UAB), Heba Ossman.

Estresse pós-traumático é um síndrome que acomete pessoas que passam por experiências dolorosas ou negativas muito fortes. Os sintomas podem ser dos mais variados – depressão, falta de sono, crises nervosas, doenças psicossomáticas etc – e, em muitos casos, as pessoas acometidas não percebem a relação entre o que estão sentindo e o trauma sofrido.

Ossman faz parte de um grupo de médicos voluntários que roda as escolas de Beirute para atender refugiados de outras partes da cidade e do país que têm que viver de improviso nestes lugares. Suas casas foram destruídas ou correm risco de ser por causa de ataques.

Ossman diz que este conflito ainda é muito recente – nem terminou – para que já se possa falar em estresse pós-traumático, mas afirma que, nas visitas que faz a pacientes refugiados, já estão muito claros os danos mentais provocados pela violência.

“Quase todas estas pessoas apresentam quadros de exaustão, fatiga e ansiedade. São sintomas que mostram danos mentais que não vão ser resolvidos tão cedo, mesmo que o conflito parasse agora”, diz a médica.

Idealmente esses problemas deveriam receber a atenção do médico que está tratando das doenças físicas mais evidentes e, em casos mais graves, o paciente precisa ser encaminhado para tratamento psicológico ou psiquiátrico.

“Mas isso não é algo que consigamos fazer em situações como essa. O melhor que podemos fazer por estes refugiados é tentar fazer com que as doenças que eles já tenham continuem sendo tratadas, e tomar cuidado para que novos problemas não apareçam”, lamenta a médica.

Os refugiados que têm que viver nas escolas de Beirute estão, na grande maioria, morando em condições das mais duras. O calor no verão é grande e, em geral, há apenas uns poucos ventiladores para tentar refrescar o ambiente.

Os alojamentos em salas de aula lotadas também favorecem o aparecimento e a transmissão de problemas de pele e outras doenças infecto-contagiosas. A falta de água e mesmo de banheiros para todos também dificulta a higiene dos refugiados, com previsíveis conseqüências sobre a saúde.

E tudo isso junto só piora o trauma de quem já teve que sair de casa fugindo de bombardeios, muitas vezes anunciados pelas forças israelenses através de panfletos lançados do ar alertando a população civil para sair da área antes que o ataque comece.

Embora o impacto do conflito sobre a saúde mental seja mais claro sobre aquelas pessoas mais diretamente afetadas por ele – os refugiados e vítimas diretas de ataques – a violência também traumatiza aqueles que não a sofreram na própria pele.

“Este impacto é muito claro na maneira como as pesosas começam a dirigir, passam a fumar muito mais e brigam por qualquer motivo”, diz o médico Faisal El-Kak, coordenador do grupo de médicos voluntários da UAB.

El-Kak diz que entre seus paciente são comuns agora “ataques de pânico, estresse e ansiedade agudos, dificuldade para dormir” e outros sinais de que o conflito está prejudicando o equilíbrio mental dos libaneses.

“No caso dos refugiados isso é tudo relacionado ao estresse agudo que estas pessoas sofrem ao serem expulsas de suas casas”, diz El-Kak.

Fonte: [url=http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/07/060727_libanopaulo_doencamental.shtml]www.bbc.co.uk[/url]

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