Edílson, um brasileiro

Caro leitor, parece estranho mas é isso mesmo! O Edílson ao qual estou me referindo não é o capetinha, atualmente no São Caetano. Estou falando do Edílson Pereira de Carvalho. O ex árbitro de quem tanto se falou e que acabou, junto com Ricardo Teixeira da CBF, e Luiz Sveiter do STJD, assumindo a condição de vilões da sociedade brasileira.

Edílson, um brasileiro. Caro leitor, parece estranho mas é isso mesmo! O Edílson ao qual estou me referindo não é o capetinha, atualmente no São Caetano. Estou falando do Edílson Pereira de Carvalho. O ex árbitro de quem tanto se falou e que acabou, junto com Ricardo Teixeira da CBF, e Luiz Sveiter do STJD, assumindo a condição de vilões da sociedade brasileira. Será justo tal título? Em um país, onde escândalos relacionados ao caixa dois do financiamento de campanhas políticas, ao mensalão e outros temas relacionados à corrupção tornaram-se absolutamente comuns, dizer que estes cidadãos representam uma minoria é tapar o sol com a peneira.

O que o Edílson fez não é diferente do que fazem aqueles que elegemos ou daqueles que dirigem os clubes pelos quais torcemos. Em poucas palavras: corromper e ser corrompido são ações que se tornaram tão naturais, em nossa cultura, quanto dormir e respirar. Quem não se lembra da “Lei de Gerson”? Gerson, ou o “canhotinha de ouro”, da seleção de 70 chegou mesmo a gravar comerciais para a TV dizendo: “Pois afinal, o que importa é levar vantagem em tudo, certo?!” Não se trata de recriminar o Gerson, mas sim de compreender que tal máxima á a mais pura expressão do conhecido “jeitinho brasileiro”. “Jeitinho” este eternizado nas palavras de Nelson Rodrigues, ou nas canções de Noel Rosa, em suas alusões ao malandro carioca. Aquele de camisa listrada, chapéu típico de lado e duas ou três formas de se livrar dos problemas que lhe aparecessem. Essa figura, do meio do século XX, hoje é vista por muitos de nós de forma romântica e inocente. Vale lembrar que o personagem Zé Carioca, dos quadrinhos, foi por um bom tempo o nosso representante internacional. Era a imagem do país no exterior.

O problema é: o malandro tirou o chapéu, mudou a camisa e aprendeu a ser mais dissimulado. De figura histórica e folclórica passou a ser incorporado nos mais diversos segmentos sociais de nosso país. Vestiu-se de paletó e gravata e infestou o Congresso Nacional. Em outras situações vestiu-se de preto, fraudou o exame da CBF e foi premiado com um apito, dois cartões e uma braçadeira da FIFA. Edílson não fez nada demais. Digo, nada de diferente daquilo que estamos acostumados. Para falar a verdade, como escreveu Tostão, em sua coluna no Estado de Minas de 26/10/05, o seu “maior” erro foi deixar-se descobrir. Este foi o seu pecado nos parâmetros da malandragem. Será que estou tão enganado quando penso que a malandragem se tornou “normal” em nossa cultura? Pensar cada um em si, e apenas em si, em detrimento do bem comum. É. Estamos indo bem…bem pro fundo do buraco! Para finalizar, acho que não devemos nos preocupar tanto com o fundo do poço. Cada vez que chegarmos nele achamos um “jeitinho” de ir mais fundo.

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