Atividades para crianças dão novo significado ao ambiente hospitalar

Durante período de estágio no HU, alunos da FFLCH exercitam práticas pedagógicas e aprendem a resolver problemas. Fase piloto da iniciativa acabou em junho, mas o projeto continua neste segundo semestre.
Durante período de estágio no HU, alunos da FFLCH exercitam práticas pedagógicas e aprendem a resolver problemas. Fase piloto da iniciativa acabou em junho, mas o projeto continua neste segundo semestre.
Profissionais da área de Humanas também podem contribuir com seu trabalho em hospitais. No primeiro semestre deste ano, 25 alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP participaram da fase piloto do I Projeto de Integração Social, no Hospital Universitário (HU). Durante quatro meses, os estudantes acompanharam as crianças internadas e à espera de consultas com brincadeiras e atividades de reforço escolar.

“Essa experiência deu um novo significado ao ambiente hospitalar e diminuiu o estresse das crianças”, conta a assistente-social Maria Bernadete Tanganelli Piotto, uma das responsáveis pela execução do projeto no HU. Segundo a professora Maria Vicentina do Amaral Dick, coordenadora da iniciativa, os alunos perceberam que “a pedagogia vai muito além das aulas e da escola”. “Naquele ambiente, eles precisaram aprender a lidar com as necessidades de cada criança e com a presença e a expectativa dos pais.”

O Projeto atuou, nessa primeira experiência, em duas frentes: no ambulatório da pediatria do HU, com contação de histórias durante o período em que as crianças esperavam pela consulta; e na enfermaria em que ficam internados os pacientes infantis. Nesse último espaço era realizada, além da narração de histórias, atividades de reforço escolar por meio de jogos e brinquedos – algo que a técnica de apoio educativo da Brinquedoteca, Daniela Linhares, define como “aprender com o lúdico”.

Antes da chegada dos estagiários, Daniela supervisionava sozinha as atividades das crianças na Brinquedoteca. “Com o Projeto, elas passaram a receber maior atenção e criaram vínculos afetivos com os estudantes. O ambiente melhorou muito”, avalia. Elisângela Souza Brito, aluna do curso de Letras que participou da iniciativa, tem a mesma opinião. “Até a recuperação das crianças foi mais rápida”, conta. “Aquelas que não podiam sair da cama e ficavam emburradas, por exemplo, se animaram”.

Maria Vicentina ressalta que os alunos tinham liberdade para escolher as atividades que iriam realizar com as crianças. “Com isso, eles treinaram as habilidades para resolução de problemas – o que fazer, por exemplo, quando uma criança não se anima com certa atividade.”

A experiência continuará neste segundo semestre, agora com dois monitores bolsistas. Num ritmo de revezamento mensal, um deles ficará na FFLCH, dando suporte ao trabalho de supervisão da professora Maria Vicentina, enquanto o outro vai acompanhar a nova turma de estudantes no HU. O trabalho dos estagiários é voluntário. A contrapartida que recebem são quatro créditos referentes à disciplina optativa Atividades de Cultura e Extensão. A aula inaugural de recepção aos novos estagiários e esclarecimentos sobre o funcionamento do HU está marcada para o dia 17 de agosto.

Maria Bernadete avalia a experiência como “ótima”. “Precisamos mantê-la, quem sabe depois ampliando para outras áreas. Com os adultos, por exemplo.” Daniela também se anima com a possibilidade de levar a iniciativa ao público maior de idade. Ela pretende criar uma brinquedoteca para adultos, com espaço para leitura, TV e jogos. Não há previsão para a implementação desse projeto, mas a iniciativa já tem aprovação da Divisão Técnica Assistencial (DTA-1), dirigida pela assistente-social Marina Gorete Pazetto de Meneses, e apoio da Ação Voluntária do HU (Avhusp).

O Projeto de Integração Social faz parte de uma estratégia maior de incentivo a programas de estágio para alunos da FFLCH. Maria Vicentina informa que no fim deste ano será realizada uma feira com a participação de empresas que oferecem vagas de estágio para esses estudantes.

Maria Bernadete destaca que o projeto realizado no HU teve o apoio das chefias do ambulatório e da enfermaria – respectivamente, as enfermeiras Teresa Cristina Coan e Nanci Cristiano Santos.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/150.htm]www.usp.br[/url]

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