Tendência a favorecer integrantes do próprio grupo é inata

Um grupo de indivíduos. É dessa forma que costumam sobreviver os diferentes conjuntos de seres humanos espalhados pelo mundo. Mas, por mais que vivam em sociedade, todos acabam agindo por conta própria. O que muda, quase sempre, é o grau de influência dessas relações.
Um grupo de indivíduos. É dessa forma que costumam sobreviver os diferentes conjuntos de seres humanos espalhados pelo mundo. Mas, por mais que vivam em sociedade, todos acabam agindo por conta própria. O que muda, quase sempre, é o grau de influência dessas relações.
Para estudar os mecanismos de relação social, um trio de pesquisadores suíços aplicou um experimento em indígenas da Papua-Nova Guiné. Eles verificaram que na população humana não complexa analisada a camaradagem com os mais próximos se mostrou inata. A pesquisa, cujos resultados foram publicados em artigo na revista Nature, identificou um altruísmo paroquialista.

O experimento partiu de dois grupos sociais distintos. Foram montados 18 trios com representantes de ambos os grupos. Uma verba de 10 kina (um bom pagamento para um dia de trabalho informal na região) foi dada ao primeiro integrante de cada um dos trios, chamado de “distribuidor”. O terceiro, o “observador”, recebeu metade do valor.

Como o segundo integrante não recebeu dinheiro algum, foi sugerido ao mais abonado do trio que repartisse seus recursos. Se quisesse, o observador poderia punir financeiramente o doador, com base no repasse feito. Isso, na prática, era traduzido por meio de um aporte menor para o primeiro integrante no pagamento seguinte.

Em todos os casos os participantes foram informados a qual dos dois grupos pertenciam os outros membros do trio. O resultado dos jogos revelou a existência de um forte paroquialismo. A punição foi sempre menor quando o distribuidor e o observador eram do mesmo grupo, quando também o repasse foi menor ao segundo integrante.

Entre aqueles que não deram nada para o segundo integrante do trio, 41% declararam que passaram a esperar pela punição máxima (que poderia variar de 0 a 3 kina), quando o responsável por esse ato era do mesmo grupo social dele. Quando a situação era contrária, 73% passaram a acreditar que seriam punidos em 3 kina em seus pagamentos iniciais.

Para os pesquisadores, esse comportamento dos indígenas de Papua-Nova Guiné é bastante significativo. Essas relações punitivas, por causa da quebra de uma conduta social (a repartição dos recursos), também poderiam estar associadas, por exemplo, com a divisão de comida em outras sociedades.

Os autores do estudo afirmam que os resultados são um grande desafio para as teorias que procuram explicar a evolução do comportamento humano. Segundo eles, não existe nada que possa explicar a evolução dos padrões de paternalismo existentes na sociedade atual, seja entre indivíduos de um mesmo grupo ou não.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5992]Agência FAPESP[/url]

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