Mulher busca mais ajuda do que homem para largar cigarro

Que as mulheres são mais sensíveis do que os homens, observam melhor o figurino nas festas e conhecem a fundo as vantagens de uma escova nos cabelos, isso todo mundo já sabe. A novidade sobre o sexo feminino é que elas se preocupam mais com a saúde. Pelo menos quando o assunto é o cigarro, o número de pessoas que buscam tratamento contra o fumo é maior no universo feminino das fumantes.
Que as mulheres são mais sensíveis do que os homens, observam melhor o figurino nas festas e conhecem a fundo as vantagens de uma escova nos cabelos, isso todo mundo já sabe. A novidade sobre o sexo feminino é que elas se preocupam mais com a saúde. Pelo menos quando o assunto é o cigarro, o número de pessoas que buscam tratamento contra o fumo é maior no universo feminino das fumantes.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, uma pesquisa do Centro Estadual de Tratamento de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), que acaba de ser divulgada, aponta que mais da metade das pessoas que procuram atendimento para abandonar o tabagismo é mulher. Dos 500 pacientes atendidos entre fevereiro de 2005 e fevereiro de 2006, 56,52% eram do sexo feminino e 43,48%, do masculino.

A administradora de empresas Milena Cascarelli, de 22 anos, foi uma das que, há cinco meses, optou por largar o vício. “Comecei a fumar muito cedo. Fui influenciada pelas minhas amigas e também por um namoradinho da adolescência. Só que depois nós terminamos e o meu atual companheiro odeia cigarro. Foram dois estímulos: a preocupação com a saúde e o respeito para não perder meu novo namorado”, conta a jovem.

Os motivos apontados por Milena são os que prevalecem nas pacientes do Cratod. De acordo com o estudo, elas alegam que a rejeição dos homens é o principal fator, seguido pela redução da fertilidade e os riscos de doenças.

“Há uma grande diferença do significado do fumo para homens e mulheres. Elas adotam o cigarro como um companheiro, uma solução para suprir um vazio emocional. Já os homens fumam para aliviar estresse, inserção social e auto-afirmação”, afirma a diretora do Cratod, Luizemir Lago.

No Centro de Tratamento Contra o Fumo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, no Paraíso, Zona Sul, o cadastro de pacientes também mostra que as mulheres são maioria. “Cerca de 60% dos nossos pacientes são do sexo feminino e 40% são homens”, garante o pneumologista Ciro Kirchenchtejn.

Mas se parar de fumar não é uma das tarefas mais fáceis, para as mulheres a vaidade pode deixar o processo ainda mais complicado. Muitas engordam e abandonam o tratamento por causa disso. “Eu engordei 10 quilos em dois meses. Mas valeu muito a pena. Estou mais cheirosa, sinto os gostos dos alimentos. Parece que renasci”, ressalta Solange Aparecida Toledo, de 31 anos, que há quatro meses faz o tratamento no Cratod.

Quem quiser receber orientações para deixar de fumar pode ir ao Shopping Market Place, na Zona Sul. O Hospital Oswaldo Cruz montou um estande no local para atender o público, entre 10h e 22h. O serviço é gratuito e vai funcionar até sexta-feira, 1° de setembro.

Drogas milagrosas contra o tabagismo são anunciadas todos os anos, mas ainda não existe algo tão eficiente quanto o tratamento multidisciplinar. Quem faz a afirmação é a pneumologista Andréa Barbieri, do Hospital Edmundo Vasconcelos. “No tratamento multidisciplinar, o fumante tem suporte psicológico, nutricional e medicamentoso. A necessidade é tratada em todos os níveis”, diz Andréa.

Muito fumante ainda se recusa a abandonar o cigarro porque acha que vai ganhar peso. Infelizmente, eles estão certos. Sem várias substâncias nocivas que facilitam o emagrecimento, a maioria deles acaba não controlando bem a ansiedade e pode aumentar a alimentação. “Aí é que entra o trabalho do nutricionista”, diz Andréa.

Os medicamentos agem no centro da vontade. Para os que se recusam a procurar tratamento medicamentoso alegando que a droga será mais tóxica que o cigarro, a pneumologista diz que a crença não é verdadeira. Os adesivos e chicletes de nicotina são administrados em doses controladas.

Das pessoas que tentam abandonar o vício, só 5% consegue sucesso sem o tratamento. “As que não conseguem, além de continuarem fumando, precisam conviver com o sentimento de frustração”, diz a especialista.

Ainda de acordo com Andréa, o paciente que deixa de fumar com tratamento também tem chances de voltar a fumar, mas, se tentar parar novamente, terá mais possibilidades de alcançar o êxito outra vez, já que conhece o método.

Outro fator importante é cumprir todo o tratamento, que tem duração de três meses. “O paciente que faz por um mês tem pelo menos o dobro de chances de recaída do que o paciente que cumpriu todo o tratamento”, avisa a médica.

ENTREVISTA
DORIT WALLACH VEREA, PSICÓLOGA ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Agência Estado – O que mudou no tratamento psicológico dos fumantes?

Dorit Wallach – O tabagismo ainda é algo difícil de se tratar, mas até pouco tempo atrás, só se falava em ‘força de vontade’. A maioria dos fumantes ainda não acredita que existe um tratamento, que mexe com os aspectos físico, emocional e comportamental.

Agência Estado – É difícil conseguir sucesso se nem todos os pontos são atacados?

Dorit Wallach – Parar de fumar de repente e sem ajuda não é eficiente, porque pode desencadear ansiedade, estresse e depressão. A dependência nicotínica envolve a inter-relação entre dependência física e psicológica e condicionamento do hábito.

Agência Estado – Como os fumantes enxergam o próprio vício?

Dorit Wallach – A maioria ainda não o vê como um problema de saúde, mas como ‘sem-vergonhice’, ou simplesmente dizem ‘tenho prazer em fumar e ponto’. Mas toda dependência química envolve prazer. No entanto, não é por prazer que você continua, mas por dependência.

Agência Estado – Como o tratamento psicológico funciona?

Dorit Wallach – Ele trabalha diversos aspectos, como a motivação, a sensibilização e a reflexão do paciente sobre o tabagismo. Através destes aspectos, ele consegue identificar o que o cigarro representa em sua vida.

Agência Estado – O que o cigarro pode representar?

Dorit Wallach – Pode simbolizar um prêmio, como naqueles casos em que a pessoa chega estressada do trabalho e diz ‘eu mereço um cigarrinho’. Pode também representar um companheiro, algo que está sempre ao seu lado. Tanto que alguns usuários sentem uma espécie de luto quando o abandonam. Na maior parte dos casos, o cigarro é um apoio emocional, que aplaca o nervosismo. Trabalhamos com essa conscientização e estratégias para lidar com a abstinência.

Agência Estado – Quais são elas?

Dorit Wallach – Uma estratégia é quebrar o automatismo. Sugerimos que a pessoa fume com a mão com a qual não está acostumada, ou o faça em outro horário que não o habitual. É uma espécie de terapia cognitiva.

Agência Estado – Quais são os índices de sucesso?

Dorit Wallach – Cerca de 72% das pessoas que tentam este tratamento conseguem abandonar o vício.

BOXE/NÚMEROS

30 MILHÕES
de pessoas fumam
em todo o Brasil

18 MILHÕES
do total de fumantes
são do sexo masculino

12 MILHÕES
dos que possuem o vício
são mulheres

80%
dos que consomem cigarro
querem largar o vício

100 MIL
brasileiros morrem
todo ano por causa do fumo

* estimativas do INCA

NOTAS

PRAZO DEFINIDO
Escolha uma data para parar de fumar e desfaça-se de todo cigarro que tiver. A idéia de parar com o fumo gradativamente dificilmente dá certo

DEPENDENTES
A nicotina aumenta a produção de substâncias psicoativas, como a dopamina e a serotonina, que são responsáveis pela sensação de prazer. Esta é a razão da dependência

TEMPOS DIFÍCEIS
O 1º mês é o mais crítico e este período é recheado de vários momentos de nervosismo, irritação e ansiedade. Para combater o desejo intenso de fumar, recomenda-se inspirar profundamente por 10 vezes, beber dois copos de água e fazer breves caminhadas

CUIDADO COM A BALANÇA
Algumas pessoas associam a ingestão de açúcar ao alívio da ansiedade. Porém, é necessário ter cautela com o excesso, já que seu peso pode aumentar

AJUDA DE ESPECIALISTAS
O apoio psicológico é muito importante para quem quer largar o vício. A família e os amigos podem contribuir com isso, se encararem o fumante como um dependente. Mas é importante combater o tabagismo e não o fumante

Fonte: [url=http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/saude/2503501-2504000/2503975/2503975_1.xml]ultimosegundo.ig.com.br[/url]

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