Diabetes: da negação à aceitação

Ao receber o diagnóstico de uma doença crônica, ou seja, uma doença que irá ter longa duração e que, em alguns casos, ainda não há perspectiva de cura, o indivíduo passa por um turbilhão de emoções que necessitam serem entendidas e trabalhadas; assim acontece com a maioria das pessoas portadoras de diabetes depois da notícia da instalação da doença.

É importante apontar as emoções que surgem com mais freqüência, para uma maior identificação e superação das dificuldades que possam surgir. A maioria das pessoas portadoras de diabetes inicialmente passam por uma fase em que o comportamento mais freqüente é o de negar a doença.

É nessa fase que se ouve das mesmas expressões, como: “isto não pode estar acontecendo comigo!”, “não tenho diabetes, só estou com a taxa (glicose) alterada!”, ou ainda, “esses médicos pensam que sabem tudo, como posso ter diabetes se me sinto bem?”. No início, a negação é até necessária para que a pessoa possa dar um “tempo” a sua mente, para começar a mobilizar estratégias e enfrentar a nova realidade que se inicia. Depois de um certo momento, não é possível continuar negando a doença, então surge o sentimento de raiva e revolta, quando o indivíduo começa a se perguntar por que isso está acontecendo com ele. Essa fase é bastante difícil para a família, pois a pessoa portadora de diabetes sente como se o mundo não tivesse sido justo com ela e costuma extravasar seu sentimento de raiva em seus familiares mais próximos ou na equipe de saúde. Nesse momento, às vezes, fica difícil para os familiares entenderem que essa explosão não tem motivos pessoais, mas é conseqüência de saber que é portador de diabetes.

Quando a negação e a raiva já foram superadas, aparece a “barganha”, ou seja, o paciente utiliza de estratégias para procurar amenizar as exigências do tratamento. É nessa fase que aparecem os chás milagrosos, as receitas mágicas, na tentativa de obter uma convivência mais tranqüila com a doença. Porém, ao perceber que não terá benefícios com tal “barganha”, a pessoa poderá desenvolver um estado de depressão. Surgem então medos da doença e de suas complicações físicas, inseguranças em relação ao futuro, além da falsa crença que não terá mais qualidade de vida pelas “restrições” do tratamento. Essas emoções aparecem, geralmente, na maioria das pessoas portadoras de diabetes, porém, freqüentemente, desaparecem com o tempo. Em algumas dessas pessoas, no entanto, podem persistir durante meses e até anos, o que talvez comprometa o sucesso do tratamento e ocasione complicações, às vezes irreversíveis. Vale salientar que, a seqüência do surgimento desses sentimentos nem sempre é da maneira anteriormente descrita, geralmente, a negação vem junto com a raiva, ou a barganha pode anteceder a negação, etc.

Na realidade, essas emoções são etapas que precisam ser superadas para que a pessoa consiga alcançar a fase de aceitação da doença. O alcance e manutenção da aceitação de ter diabetes levarão a uma diminuição dos sentimentos de ansiedade e insegurança, o aumento do amor próprio e da confiança em si mesmo, uma melhor adesão ao tratamento, um melhor controle da glicose no sangue e, por conseqüência, uma melhor qualidade de vida. Algumas atitudes podem ser tomadas para amenizar a negação, a raiva, a barganha e a depressão, como:

• Informar-se sobre o diabetes e conversar com a equipe interdisciplinar para esclarecer dúvidas sobre a doença;
• Procurar identificar as situações que as desencadeiam;
• Conversar com alguém quando algo o incomodar e com outros diabéticos para trocar experiências;
• Iniciar uma atividade de lazer e praticar um esporte prazeroso;
• Não tentar mudar tudo de uma só vez, obedecer o seu ritmo sem esquecer da saúde;
• Sair para passear com as pessoas que gosta;
• Participar de Associação de Diabéticos;
• Cultivar a espiritualidade e se tornar um defensor de sua saúde. 

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