Gene liga esquizofrenia a desenvolvimento cerebral

Alteração descoberta por grupo da USP aumenta em 30% risco de ter a doença.
Alteração descoberta por grupo da USP aumenta em 30% risco de ter a doença.
Cientista tenta elucidar cota genética da doença, que também depende de fatores ambientais; estudo analisou DNA de mais de mil pessoas.

Um grupo de pesquisadores da USP mostrou que está no caminho certo para descobrir qual é a parcela de culpa do DNA pela esquizofrenia, uma doença mental causada por uma combinação ainda indecifrada de fatores genéticos e ambientais. Ao comparar o genoma de 200 esquizofrênicos com o de 200 pessoas saudáveis, eles identificaram uma mutação que aumenta em 30% o risco de a doença aparecer.

A descoberta foi feita pelo grupo de Emmanuel Dias Neto, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). A equipe de cientistas foi pioneira em cruzar dados das comparações entre genomas com informações sobre genes envolvidos no desenvolvimento cerebral. O gene ligado ao risco da doença, batizado como NUMBL, é um dos primeiros frutos do trabalho que o grupo desenvolve há anos.

Diagnosticada por meio de sintomas como alucinações, pensamentos confusos e emoções distorcidas, a esquizofrenia desafia a ciência por sua complexidade. Uma em cada cem pessoas desenvolve a doença, e cientistas acreditam que o acúmulo de descobertas como a do NUMBL pode um dia levar a uma compreensão da predisposição genética.

Já se sabe que pessoas com um gêmeo idêntico esquizofrênico têm alto risco (cerca de 50%) de se tornar doentes também. Nesse contexto, correlações genéticas podem ser boas pistas para saber quais são os pré-requisitos para o surgimento da esquizofrenia.

Para descobrir o NUMBL, os cientistas primeiro identificaram cem polimorfismos -“letras” do DNA que variam entre as pessoas- em genes importantes para a guiar a formação de neurônios no cérebro. “Nenhum desses polimorfismos foi estudado por outros grupos de cientistas”, diz Dias Neto. “A grande maioria dos estudos sobre esquizofrenia está concentrada em uns vinte genes -grupos [de pesquisa] ficam reproduzindo trabalhos uns dos outros.” Ele diz que seu grupo está estudando genes candidatos identificados por eles mesmos.

Para fortalecer a certeza sobre a descoberta, o grupo da USP reproduziu a pesquisa com dados genéticos de 684 voluntários dinamarqueses, uma população de composição genética distante da brasileira. Os resultados foram os mesmos.

O NUMBL é provavelmente só um dos vários genes envolvidos na predisposição à esquizofrenia. Já ficou claro, porém, que ele tem papel em uma cadeia de interações moleculares importante para o desenvolvimento cerebral do embrião.

Apesar de a esquizofrenia depender fortemente de fatores ambientais, a predisposição à doença pode ser determinada ainda na fase embrionária, quando o cérebro do indivíduo está se formando. Em parceria com Wagner Gattaz, também da USP, Dias Neto investiga agora a relação entre genes, a morfologia do cérebro e a ocorrência da doença.

“Seria muito simplista dizer que a genética vai explicar tudo”, afirma Dias Neto. “Mas podemos esperar descobrir que um conjunto mínimo de alterações genéticas leve à doença, quando associado a certos eventos ambientais.”

Fonte: [url=www.sciencedaily.com]www.sciencedaily.com[/url]

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