Fumantes sofrem com preconceito na Europa

Com a adoção da Lei que proíbe fumar nos ambientes de trabalho em um número crescente de países europeus, muitos patrões estão tentando reduzir as oportunidades para seus funcionários acenderem um cigarro, no que diz respeito aos intervalos para fumar.
Com a adoção da Lei que proíbe fumar nos ambientes de trabalho em um número crescente de países europeus, muitos patrões estão tentando reduzir as oportunidades para seus funcionários acenderem um cigarro, no que diz respeito aos intervalos para fumar.
“Com a proibição na Irlanda, os fumantes agora assumem que podem fazer quatro pausas por dia”, disse Philip Tobin, Diretor de uma pequena empresa de comércio pela Internet em Dublin. “Se cada uma durar 15 minutos, é uma hora de trabalho perdida por dia. E isso não é justo com os outros funcionários.” Tobin gerou uma tempestade na mídia européia após colocar um anúncio de emprego que dizia diretamente: “fumantes não precisam enviar currículos”.

Um membro britânico do Parlamento Europeu pediu à Comissão Européia que esclarecesse se o anúncio feria a lei européia. A resposta foi: aparentemente não. Vladimir Spidla, Comissário de emprego, assuntos sociais e oportunidades iguais, disse que a lei européia de combate à discriminação não cobre preconceito contra fumantes.

Ao se recusar a contratar fumantes, Tobin parece ser um caso extremo. Arnold Dillon, Porta-Voz da Federação de Empregadores e Empresas Irlandesa, disse que a resposta da comissão “não terá um efeito sobre as práticas empregatícias”.

Mas a tendência é contra o cigarro. Alguns setores públicos na Inglaterra e Escócia proibiram fumar em qualquer lugar em sua propriedade, praticamente impossibilitando os intervalos para um cigarro.

O conselho da cidade de Nottingham, que proibiu os funcionários de fumarem em todos seus escritórios, dentro ou fora, fez uma declaração particularmente simbólica dessa intenção quando convidou repórteres para assistirem a demolição do “abrigo dos fumantes”, no dia em que a proibição entrou em vigor, em dezembro de 2005.

Outros escritórios do governo, como em Tower Hamlets em Londres, instituíram regras nas quais os fumantes são obrigados a trabalhar mais horas para compensar o tempo que passam nos intervalos. “A questão da pausa está se tornando cada vez mais controversa”, disse Neil Rafferty, Porta-Voz da Organização Liberdade pelo Direito de Apreciar o Tabagismo, um grupo de lobby britânico. Entretanto, ele só vê tamanho estreitamento das opções para os fumantes “no setor público”.

“As empresas privadas são mais eficazes do que o setor público porque não impõem regras assim”, disse ele. Ou talvez não. Os funcionários da empresa Marks & Spencer são obrigados a fumar “em uma área que não terá impacto negativo para os clientes que estão chegando”, disse Katie Pratt, Porta-Voz da empresa.

Mario Müller, Gerente de assuntos públicos do EuroCommerce, associação de comerciantes com base em Bruxelas, disse que onde e quando os funcionários tiram seus intervalos para fumar é “uma questão crucial para o lojista”. “Fumar na frente de um supermercado dá uma imagem terrível aos clientes”, disse Müller. Na Suécia, muitas lojas têm regras que obrigam os funcionários “a fumarem longe da loja onde os clientes estão entrando”, disse Johan Bark, funcionário de saúde e segurança da federação comercial sueca Svensk Handel.

Fumar em veículos da empresa também foi proibido pela Marks & Spencer e BT, mas a fiscalização dessa regra é mais complicada. “É uma área cinzenta”, disse Amanda Sandford, Gerente de pesquisa da Ação sobre o Fumo e a Saúde, um grupo antitabaco britânico, observando que não está claro como essas empresas esperam vigiar todos seus trabalhadores na rua.

Os dois lados concordam que tais diretrizes devem ser atingidas por consenso. “Em empresas pequenas, é uma questão de negociação”, disse Sandford. Catelene Passchier, Responsável pela Política Social e Lei Trabalhista Sindicato de Comércio Europeu, disse que “alguns fumantes estão reclamando que foram marginalizados”. Ela ressaltou a necessidade de “resolver as questões com diálogo”.

Para este fim, o Serviço Consultor de Conciliação e Arbitração – Acas, um serviço britânico de relação patronal, oferece um guia para o desenvolvimento da política para fumantes na empresa em seu sítio, www.acas.org.uk. Com a proibição já vigente na Escócia e marcada para entrar em vigor todo o Reino Unido no próximo verão, a Acas sugere a criação de uma força tarefa de funcionários fumantes e não fumantes para evitar discórdia.

As pausas atualmente são assunto de debate, mas ainda há a possibilidade de maiores restrições sobre os fumantes. “Quando for estabelecida a proibição de fumar no prédio, as perguntas serão “a que distância você foi?””, disse Sandford. A Organização Mundial de Saúde em Genebra anunciou em dezembro de 2005 que não ia mais contratar pessoas que fumam ou que não se comprometem a parar de fumar. A agência da Organização das Nações Unidas diz que sua credibilidade estava em jogo por causa de seu papel proeminente em se opor ao uso de tabaco.

Tobin, o Empresário em Dublin, disse que sua principal razão para recusar candidatos era econômica. Os fumantes, na sua opinião, “são um risco financeiro”. De acordo com Sandford, as estatísticas mostram que fumantes tiram “mais tempo de folga por doenças menores” e têm “maior risco de doenças crônicas”. O último fator pode aumentar os custos de seguros de saúde para o patrão.

Entretanto, uma recusa direta de empregar fumantes “é discriminar uma pessoa quando o ato de fumar que é o problema”, disse Sandford. “As pessoas mudam de comportamento.”

Fonte: [url=http://www.antidrogas.com.br/mostranoticia.php?c=3404&msg=Na]www.antidrogas.com.br[/url]

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