Mostra investiga elo entre o cinema e a psicanálise

Ciclo “Freud 150 Anos – O Cinema no Divã” exibe dez filmes no CCBB – SP, de hoje a domingo, além de debates.
Ciclo “Freud 150 Anos – O Cinema no Divã” exibe dez filmes no CCBB – SP, de hoje a domingo, além de debates.
Programação inclui longas como “Repulsa ao Sexo”, “O Gabinete do Dr. Caligari”, “2046”, “Eros”, “A Enguia” e “O Último Tango em Paris”.

Nos livros de história está escrito que o cinema foi inventado em 1895 pelos franceses irmãos Lumière. Mas, provavelmente, desde a lenta constituição de nossa espécie em Homo sapiens ele já existe e é feito todos os dias por cada um de nós.

Pois, afinal, o que são os sonhos senão mecanismos individuais de projeção de imagens, com roteiro, atores, fotografia e até montagem? Além disso, os primeiros passos da teoria freudiana coincidem cronologicamente com a aparição do cinema, portanto, o nascimento da psicanálise compartilha com o cinema um mesmo campo de referências simbólicas.

O ciclo “Freud 150 Anos – O Cinema no Divã”, a partir de hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, explora essas conexões não apenas subterrâneas entre o cinema e a psicanálise. Foram selecionados dez filmes que de certo modo utilizam a psicanálise em sua construção ou oferecem ao arsenal conceitual da psicanálise um ponto de partida rico para interpretações.

Desde as delirantes construções sob a forma de pesadelo de “O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) até os meandros do desejo e do amor como fantasmagoria em “2046” e em “Eros” (ambos de 2004), passando pelos efeitos da repressão da sexualidade em “Repulsa ao Sexo” (1965) ou por sua liberação sob a forma de perversão em “O Último Tango em Paris” (1972), a seleção dá conta, mesmo de maneira limitada, de importantes impactos dos discursos psicanalíticos na construção das ficções, na fabulação que o cinema oferece às massas.
Isso mesmo a despeito da ausência de um autor-chave como Hitchcock, que merece sozinho um tratado psicanalítico.

É quase um costume questionar, de dentro da teoria de cinema, a relação entre os filmes e a psicanálise devido a uma ambigüidade decorrente da forma considerada estreita como os psicanalistas abordam as obras.

Em muitos casos, os filmes se convertem, em suas análises, em objeto de um discurso que em vez de ampliar seus sentidos, os limita. Pois os filmes não se reduzem a um discurso semelhante ao de um paciente no divã. E algumas vezes o que se vê é a psicanálise analisar um filme com seu conceitual deixando de lado ou simplesmente ignorando as especificidades da linguagem cinematográfica.

Mas, como o próprio Freud já havia dado uma lição em sua interpretação da obra de Leonardo Da Vinci, a psicanálise tem um arsenal que permite não apenas analisar psicanaliticamente uma obra de arte mas, sobretudo, trazer à tona suas articulações, seus sentidos ocultos, seus sintomas de uma coletividade e da subjetividade de uma época e de um lugar.

Fonte: [url=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac2111200601.htm]www.folha.uol.com.br[/url]

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