Laptop de US$ 100 oferece nova experiência para alunos

Em novembro de 2005, o pesquisador Nicholas Negroponte, então presidente do Media Lab do MIT, anunciou com o secretário-geral da ONU Kofi Anna a idéia de produzir notebooks de baixo custo para distribuir a crianças de países em desenvolvimento.
Em novembro de 2005, o pesquisador Nicholas Negroponte, então presidente do Media Lab do MIT, anunciou com o secretário-geral da ONU Kofi Anna a idéia de produzir notebooks de baixo custo para distribuir a crianças de países em desenvolvimento.
A idéia por si já era motivo de polêmica (afinal, como oferecer notebooks a países sem segurança e com sistemas educacionais notadamente falhos?), mas ficou em segundo plano quando Negroponte afirmou que cada laptop custaria 100 dólares.

Em pouco mais de um ano, a improvável idéia de Negroponte se tornou realidade sob uma constante saraivada de críticas e descrenças.

No mesmo dia em que deu ao presidente Lula o primeiro XO fabricado pela taiwanesa Quanta, Negroponte, agora presidente da organização “Um Laptop por Criança” (OLPC, da inglês), a reportagem do IDG Now! conseguiu usar, pela primeira vez, o XO, nome preliminar do laptop de 100 dólares.

Visualmente, o XO confirma as ironias de que o aparelho seria um notebook de brinquedo, tal qual modelos da Barbie oferecidos pela Oregon Scientifics, pelas chamativas cores (branco e verde) e por ser bastante pequeno.

O XO é bastante leve – um quilo e meio reportado no site da OLPC chega a parecer exagero -, o que facilita seu transporte por crianças, principalmente por meio de sua alça plástica.

Brinquedo ou não, o notebook funciona muito bem para algo dito tão limitado pelo próprio Negroponte.

Como era de se esperar, o teclado é apertado e mal comporta os dedos de adultos. O acessório apresenta as modificações já reveladas pela OLPC, como a retirada da tecla Caps Lock e inclusão de caracteres regionais, como o “Ç”, por exemplo.

Logo abaixo, o touch pad, onde o ponteiro do mouse é controlado, é o triplo dos notebooks convencionais – “para facilitar o manuseio da criança”, explica, sem detalhes, Negroponte.

Mesmo orgulhoso do trabalho de sua organização, Negroponte é direto sobre aspectos do XO que deverão mudar. Passa os dedos sobre as teclas, afirmando que o material emborrachado usado não é aderente o suficiente e deverá ser trocado.

Encontra as letras “L” e “J” no teclado e, ironicamente, explica que, ao invés de dar relevo, o fabricante afundou sutilmente os botões, falhando no intuito de ajudar crianças a encontrar as letras.

Aprofundado em discussões técnicas, Negroponte pede que a reportagem coloque a mão na parte de trás da tela LCD de 7 polegadas do XO, que está quente. Portáteis costumam aquecer um pouco normalmente, não?

O pesquisador responde que notebooks normais sim, mas não o XO.

“Imagine uma criança na África, com temperaturas além dos 40º C, com um notebook que esquente”, argumenta. Nas próximas versões, componentes de processamento do XO deverão ser substituídos para evitar este aquecimento.

Os demorados minutos de “boot” – “outra mudança futura”, segundo ele – revelam a interface padrão do sistema Sugar, desenvolvido em Linux por uma equipe da Red Hat, da qual faz parte o brasileiro Marcelo Tosatti.

Se o “boot” é demorado, não se pode dizer o mesmo do sistema. A idéia de Negroponte de “enxugar” o Linux aparenta ter dado resultado, com desempenho excepcional do XO ao alternar entre aplicações.

A explicação do novo nome do portátil vem do menu principal do XO. Em uma tela cinza, um ícone central no formato de X, que representa o aluno, aparece circundado por um aro branco, onde ícones flutuam – um vídeo no YouTube demonstra a novidade.

Dois novos botões no canto superior do XO estão integrados à interface. O primeiro leva o aluno a esta tela, onde “(o aro) mostra as aplicações abertas”, segundo ele.

A outra tecla dá uma visão geral do ambiente online para a criança, mostrando a quem ela está conectada – desta vez, são os alunos que aparecem no aro branco.

Ao redor da interface, forma-se uma moldura na cor preta que aparece apenas quando o usuário move o cursor para alguma lateral da tela, com ícones para aplicativos como o navegador Firefox (sem barra de endereços), o editor de texto AbiWord, leitor de RSS, jogos e comunicador instantâneo.

De maneira geral, a usabilidade do XO é bastante diferente da de um computador convencional.

Além das prováveis dificuldades de logística, segurança e infra-estrutura que o projeto enfrentará nos países em que implementará o portátil, há ainda a adaptação dos alunos ao novo sistema.

Evidentemente, o sistema pedagógico discutido para o XO deverá contemplar treinamentos para seu uso, como afirmam tanto Negroponte como Roseli de Deus, coordenadora do Núcleo de Aprendizado, Trabalho e Entretenimento do Laboratório de Sistemas Integrados da USP.

Mesmo que tenha contado com a ajuda do criador da idéia, não foi difícil se guiar pela interface do XO durante os testes do IDG Now!. São poucos e bem caracterizados os ícones e a interface para aplicativos e colegas conectados facilita o trabalho do aluno.

Fonte: [url=http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2006/11/27/idgnoticia.2006-11-27.8552842501/IDGNoticia_view?pageNumber:int=1]idgnow.uol.com.br[/url]

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