Pesquisa mostra que até 40% dos professores apresentam problemas psíquicos

Vitória da Conquista é uma importante cidade do interior baiano. É a terceira em população, com cerca de 300 mil habitantes, e um pólo comercial e agropecuário regional, além de reunir importantes centros educacionais. Mas, apesar de ter uma situação aparentemente confortável, Conquista – como é carinhosamente chamada pelos baianos – apresenta um dado no mínimo curioso em relação a seus professores. Enquanto no resto do país o índice de problemas psíquicos leves – como ansiedade, insônia, nervosismo, irritação e depressão – atinge entre 18% e 22% dos educadores, na cidade baiana esse número passa de 40%.

Os dados – que preocupam – foram coletados por um grupo de pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2001, mas só agora foram divulgados. Essa equipe, em parceria com sindicatos de professores de escolas públicas e particulares, vem desenvolvendo uma série de estudos para mostrar as situações psíquicas estressantes a que os professores estão expostos. “A idéia da pesquisa é sempre diagnosticar uma situação para, a partir daí, propor soluções eficientes para combater os problemas”, explica Lauro Antônio Porto, pesquisador que participou dos trabalhos.

Em Vitória da Conquista, foram distribuídos questionários anônimos para cerca de 1200 professores das redes municipal e particular de ensino. Desses, os pesquisadores receberam de volta cerca de 800 com respostas válidas. E foi a partir dessa pilha de documentos que a situação de estresse dos educadores conquistenses começou a ser desvendada. “As razões para os problemas psíquicos leves são muitas, mas acho que é possível destacar a situação do trabalho do professor”, revela Porto.
Vitória da Conquista é uma importante cidade do interior baiano. É a terceira em população, com cerca de 300 mil habitantes, e um pólo comercial e agropecuário regional, além de reunir importantes centros educacionais. Mas, apesar de ter uma situação aparentemente confortável, Conquista – como é carinhosamente chamada pelos baianos – apresenta um dado no mínimo curioso em relação a seus professores. Enquanto no resto do país o índice de problemas psíquicos leves – como ansiedade, insônia, nervosismo, irritação e depressão – atinge entre 18% e 22% dos educadores, na cidade baiana esse número passa de 40%.

Os dados – que preocupam – foram coletados por um grupo de pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2001, mas só agora foram divulgados. Essa equipe, em parceria com sindicatos de professores de escolas públicas e particulares, vem desenvolvendo uma série de estudos para mostrar as situações psíquicas estressantes a que os professores estão expostos. “A idéia da pesquisa é sempre diagnosticar uma situação para, a partir daí, propor soluções eficientes para combater os problemas”, explica Lauro Antônio Porto, pesquisador que participou dos trabalhos.

Em Vitória da Conquista, foram distribuídos questionários anônimos para cerca de 1200 professores das redes municipal e particular de ensino. Desses, os pesquisadores receberam de volta cerca de 800 com respostas válidas. E foi a partir dessa pilha de documentos que a situação de estresse dos educadores conquistenses começou a ser desvendada. “As razões para os problemas psíquicos leves são muitas, mas acho que é possível destacar a situação do trabalho do professor”, revela Porto.
Nesse sentido, Conquista não é muito diferente das demais cidades brasileiras. Os docentes da rede municipal de ensino, por exemplo, têm uma longa jornada de trabalho, passando muitas horas em sala de aula e, freqüentemente, atuam em mais de uma escola. Lá, como em quase todos os municípios brasileiros, os salários são baixos e há sempre trabalho para ser realizado em casa, como planejamento de aulas e correção de provas. Entre as escolas particulares, embora o salário seja um pouco mais alto, é muito comum que seus professores dêem aulas em mais de duas instituições e, também é corriqueiro que tenham outras atividades remuneradas para completar o orçamento mensal.

Mas, segundo Porto, talvez as condições de trabalho não sejam a gota d’água desse processo. “É uma rotina estafante, é verdade. E a ela somam-se os trabalhos domésticos e a educação dos filhos, porque a maioria dos educadores é do sexo feminino. Mas não é só isso. Talvez o que mais influencie esse quadro é a percepção que se tem da carreira, hoje totalmente desmerecida”, conta.

Aqui em São Paulo, o psicólogo e coordenador da Unidade de Medicina Comportamental e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), José Roberto Leite, vem estudando essa questão há cerca de 35 anos. E nessas quase quatro décadas tem visto se agravar os problemas relacionados à saúde física e mental do professor. Leite explica que os problemas físicos mais comuns são a rouquidão, provocada pela principalmente pela necessidade de falar alto e se fazer ouvir – e algumas vezes também por alergias provocadas pelo pó do giz. Outros problemas de saúde freqüentemente observados são as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e as DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), que vêm aumentando de intensidade. “São situações que não acontecem exclusivamente por causas físicas. Se a pessoa está ansiosa, irritada ou depressiva, realiza suas atividades com mais força e acaba ficando com mais dor”, comenta.

Sobre os problemas psíquicos encontrados em Vitória da Conquista, José Roberto Leite toma todos os cuidados para não generalizar os dados e também para não estabelecer associações incorretas, já que temos situações singulares. Mas ele acredita que as dificuldades são muito semelhantes às enfrentadas por professores de todo o Brasil. “O estresse, a irritação, a ansiedade, distúrbios do sono são sintomas muito parecidos com o que vemos em várias outras cidades do país”. Em relação às causas desses distúrbios, o especialista explica que há duas visões possíveis. A primeira relaciona as questões da saúde mental a uma predisposição genética. “Então temos uma boa parcela da população que, diante de determinadas situações, desenvolve essas doenças. Mas isso não é preocupante, porque faz parte da média da população”, explica. “Mas no caso dos professores, de uma maneira geral, essa reação é fruto da percepção da condição de ser professor nesse nosso mundo”, revela Leite.

Ele se refere ao processo histórico recente de desvalorização do professor pelo qual o Brasil vem passando. “Há 50 anos era uma coisa ser professor. Hoje é completamente diferente”. De acordo com ele – e em concordância com Lauro Porto, autor da pesquisa de Vitória da Conquista –, além da carga absurda de trabalho, dos baixos salários, da necessidade de completar o orçamento com outras atividades, dos trabalhos domésticos, da família, o educador tem a auto-estima muito prejudicada. Do Estado aos pais dos alunos, passando pela direção e pelos próprios estudantes, a cobrança é enorme, e as recompensas, nem tão grandes assim. “Fora a questão da violência mesmo. Professores, dependendo da região onde lecionam, têm sido ameaçados, coagidos, sofrido agressões”, lembra Porto. Por isso, o coordenador da Unidade de Medicina Comportamental da UNIFESP faz questão de lembrar que, no caso dos professores, o estresse e os problemas psíquicos leves são uma reação, às vezes uma somatização, que se manifesta em decorrência de uma situação adversa. Ele conta que os professores não se sentem respeitados pela sua profissão e, por julgarem que ela é importante, ficam deprimidos com a realidade que encontram.

Ainda assim, há uma pergunta que ainda não foi respondida. Por que em Vitória da Conquista, interior baiano, o índice de suspeita de problemas psíquicos entre professores é de mais de 40% e no restante do país é de 18% a 22%? “Uma das explicações que encontramos, não é a única, mas talvez seja importante, é que os dados foram colhidos no final do ano, a partir de outubro, quando o grau de estresse dos professores aumenta muito”, sugere Porto. De fato, entre os professores é comum a categoria se referir à “outubrite”, que seria uma síndrome que ataca professores a partir do mês de outubro. A pesquisa da UFBA seria então uma comprovação científica dessa síndrome tão conhecida dos educadores? José Roberto Leite prefere ser cuidadoso para responder, assim como Lauro Porto. Segundo eles, o final do ano é um período conturbado para todas as categorias profissionais, mas de fato observa-se entre os professores um momento bem agitado. “É a época das provas finais, dos exames, das recuperações, de fechar as médias e as faltas. É natural que o professor se sinta mais pressionado”, explicam. E os dois completam: “É também nesse momento que o professor é muitas vezes obrigado a se confrontar com a direção porque precisou reprovar um aluno e isso não é bom nos dias de hoje. O professor às vezes é pressionado pela família desse ou daquele aluno para rever um resultado. Isso tudo é mesmo muito desgastante”.

A boa notícia é que pesquisas como essa realizada pela UFBA e os estudos desenvolvidos na UNIFESP a respeito da saúde do professor, seja física ou mental, servem sempre como subsídio para propor mudanças. “É possível pensar em medidas que vão desde a meditação, que é muito fácil de aplicar, até técnicas da psicologia comportamental, que estão ajudando professores a rever seus conceitos sobre si mesmos”, confirma Porto. Segundo ele, o importante é frisar que qualquer medida deve fazer o professor se lembrar que, apesar das adversidades atuais, ele continua sendo uma figura extremamente importante para a construção da sociedade. Essa, segundo ele, é a receita mais indicada para atingir melhores resultados e superar o estresse que assusta a categoria.

Fonte: [url=http://www.sinprosp.org.br/especiais.asp?especial=138&materia=344]www.sinprosp.org.br[/url]

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