Práticas Culturais?

É, caros colegas, práticas culturais. Apesar de inúmeros pseudocríticos afirmarem veementemente que desenvolvemos nossa prática e teoria somente manipulando e pesquisando ratos (o que não é menos interessante, pelo contrário, torna o aprendizado passível de generalização e aplicação no ambiente); os analistas do comportamento lidam com os comportamentos operantes de indivíduos que constituem comunidades, as quais geram ações coordenadas designadas pela comunidade verbal como práticas culturais. Mas, para a execução deste estudo comportamental em grupos, faz-se necessário a utilização de outra unidade de análise que talvez tais críticos desconheçam, a Metacontingência; uma vez que o estudo de relações funcionais de práticas culturais ocorrem em um outro nível, o qual não está somente na alçada da tríplice contingência, pois poderíamos segundo Todorov (apud, Glenn, 1988) correr o risco de reduzirmos à análise e não decodificarmos precisamente, ou melhor, experimentalmente de que maneira se manifestou a evolução e as práticas culturais em determinada comunidade.

Dessa maneira, para melhor entendimento de nossos leitores, vamos esclarecer o que vem a ser Metacontingências: Trata-se de uma unidade da análise que descreve as relações funcionais entre as classes de operantes, sendo cada uma delas associadas a tríplices contingências diferentes ( A-R-C) e a uma conseqüência comum de objetivo à longo prazo(TODOROV, 2005). Esta definição permite aos analistas trabalharem com êxito nesse novo campo de estudo, como também obterem maior número de dados para o desenvolvimento de técnicas mais eficazes a serem aplicadas em sociedades.
As sociedades apresentam duas tipologias de Metacontingências, as quais podem ser: cerimoniais ou tecnológicas. Dentro da primeira tipologia estão às agências controladoras como: a família, a igreja, o Estado que cerimonialmente garantem a permanência do status social, como também a permanência de manifestações comportamentais que não ensejam a experimentação, ou seja , a adaptabilidade dos comportamentos nos indivíduos frente às mudanças do ambiente, que em nosso caso particular de discussão trata-se do social. A segunda tipologia de Metacontingência, a tecnológica atribui regras específicas a comunidade que deve providenciar conseqüências imediatas de observação, avaliação, e manutenção das mesmas, o que faz da avaliação das regras sociais um processo contínuo e passível da variabilidade e evolução.
È, meus amigos, penso que já está nítido que somos organismos altamente contingenciados. Uma prova disso são as metacontingências que nos cercam e que por fazerem parte do nosso cotidiano, não discriminamos tão facilmente, apesar de estarmos a todo instante em contato com Leis, Regimentos, Códigos, de estarmos inseridos em um Estado Democrático de Direito, se somos amparados por: códigos civil, penal, do consumidor, metacontingências tecnológicas que nos controlam sócio culturalmente. Bom, diante deste traçado de antecedentes não é difícil discriminar que o comportamento social já era objeto de estudo da Análise Experimental do Comportamento, mais precisamente desde 1953 com a publicação do livro Ciência e Comportamento Humano por F. B. Skinner, no qual o autor destina três seções de seu livro só para discussão do que vem a ser agências controladoras e planejamento cultural. Pode-se discriminar também que o desenvolvimento e aprimoração destes conceitos e métodos de intervenções nas sociedades vêm sendo construído ao longo do tempo, tendo contribuições de alguns pesquisadores como: Sigrid Glenn, Teresa Sério, João Cláudio Todorov, dentre outros.
Portanto, caros colegas, pretendemos com este pequeno esclarecimento, alterar contingências individuais equivocadas acerca das aplicações da AEC, almejando uma metacontingência relacionada ao aumento do comportamento de leitura dos discentes de psicologia para elaborarem coerentemente suas críticas, a ponto de não mais fazerem questionamentos infundados, formados a partir de um não conhecimento do que vem a ser, e como é aplicada a análise experimental do comportamento.

Louise Uchôa Torres

Referência Bibliográfica

MARTONE, Ricardo C; MOREIRA, Márcio B. E TODOROV, João Claúdio. Metacontingência, Comportamento, Cultura e Sociedade.Santo André, SP: ESETec Editores Associados, 2005.

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