A importância do toque para o desenvolvimento saudável da criança

O toque tem um papel fundamental na vida das pessoas. É através dele que muitas vezes podemos expressar o que estamos sentindo: quando fazemos carinho, quando batemos, quando abraçamos, etc. O contato de pele com pele tem a possibilidade de transmitir mensagens ao outro, sobre como estamos nos sentindo. Os neurotransmissores e nervos levam até o sistema nervoso central a “mensagem enviada” (através do toque) e este (o sistema nervoso central) modula, por meio dos próprios neurotransmissores e nervos e, das células imunitárias cutâneas, o estado da pele. Assim, segundo o dermatologista Azambuja “a pele é o órgão de transformação de estímulos físicos em comunicadores químicos e em estados psicológicos. (…) Um contato terno e amoroso na pele produz a sensação de apoio, consolo, companhia e presença amiga; um contato rude e agressivo faz a pessoa sentir-se rejeitada, desprezada, invadida e provoca-lhe reação de defesa ou raiva”(Azambuja, 2005).

Com base nisso aponta-se a importância do toque para o desenvolvimento global do bebê. Existem muitas pesquisas que apontam os benefícios adquiridos pr bebês que são massageados regularmente e ternamente. Estes ganham mais peso, demonstram um desenvolvimento neurológico melhor, tem menos cólicas e problemas respiratórios, por sentirem mais prazer e ficarem mais alegres tem um aumento na sua imunidade, tem um aumento na produção de hormônios de crescimento, tem menos angústia e um sono melhor, além de outras tantas vantagens. Há também toda a reverberação psicológica, causada nos bebês através do toque. Como para o bebê, no seu início de vida, seu mundo está limitado às suas necessidades corporais, a mãe deve lidar com ele em uma linguagem que este compreenda, assim, segundo Winnicott¹, “ela ama de um modo físico, proporciona contato, calor corporal, movimento e quietude de acordo com as necessidades do bebê” (Winnicott, 2000, p.237). Através disso é possível perceber a função essêncial que o toque terno e amoroso exerce na vida e no desenvolvimento do bebê. Este sente-se querido ou não em função do toque que recebe das pessoas que cuidam dele, e mais tarde, isso interferirá na sua visão de si mesmo, nas suas relações interpessoais, na sua auto estima, entre outras coisas. A pediatra e psicoterapeuta Eva Reich, filha de Wilhelm Reich, criou uma massagem para ajudar no desenvolvimento dos recém-nascidos, chamada de "O toque da borboleta". Antes mesmo desta, já existia uma técnica milenar utilizada na Índia, chamada de Shantala, que foi trazida ao ocidente pelo obstetra francês Leboyer. Ambas as massagens, tem o objetivo de acalmar o bebê, além de reforçar o vínculo entre ele e sua mãe. O toque deve ser relaxante, prazeroso e agradável para ambos. O contato consiste em toques sutis e (geralmente) circulares no corpo do bebê. É importante atentar para a importância deste ato e deixar alguns preconceitos de lado. Mesmo com todos os estudos e orientações, muitos pesquisadores da atualidade ainda vêem a relação dos pais com seus filhos (no mundo ocidental de forma geral) sendo permeada pelo medo de que as crianças cresçam muito dependentes. Assim, muitos pais ainda pensam que pegar muito o bebê ou deixá-lo muito no colo pode, posteriormente levá-lo a ser uma criança manhosa e mimada. Em resposta a esse comportamento, os pesquisadores dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a segurança proporcionada por estes farão das crianças mais seguras no momento em que for necessário haver o afrouxamento dos laços entre elas e os pais, e mais capazes de formar relações maduras quando elas finalmente se tornarem adultas. 1-Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, desenvolveu um ponto de vista psicanalítico diferente do que se apoiava em sua época, a respeito do desenvolvimento dos bebês, e também uma outra forma de trabalhar com eles. Bibliografia AZAMBUJA, Roberto. 2005. Tocar a pele é estímulo vital – in Dermatologia.net. http://www.dermatologia.net/neo/base/psiquismo/poder_do_toque.htm WINNICOTT, D. W. Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000.

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