Fumantes e médicos não falam a mesma língua

Há uma imensa lacuna entre médicos e fumantes, o que dificulta qualquer iniciativa do tabagista de tentar abandonar o habito de fumar. É o que indica a união de dados de duas das maiores pesquisas já feitas para avaliar comportamentos, impressões e atitudes relacionadas à cessação do tabagismo nos dois principais públicos envolvidos: médicos e fumantes. O levantamento, realizado em pelo menos 15 países, foi apresentado durante o último Congresso da Academia Norte-Americana de Cardiologia, que aconteceu em março.

Há uma imensa lacuna entre médicos e fumantes, o que dificulta qualquer iniciativa do tabagista de tentar abandonar o habito de fumar. É o que indica a união de dados de duas das maiores pesquisas já feitas para avaliar comportamentos, impressões e atitudes relacionadas à cessação do tabagismo nos dois principais públicos envolvidos: médicos e fumantes. O levantamento, realizado em pelo menos 15 países, foi apresentado durante o último Congresso da Academia Norte-Americana de Cardiologia, que aconteceu em março.

Os dois lados reconhecem os malefícios do cigarro e a importância de parar de fumar. Vários estudos, tanto no Brasil quanto no mundo, mostram que, em média, mais de 80% da população que fuma quer largar o hábito de fumar. Conselhos de profissionais de saúde, mesmo breves, podem aumentar as chances de sucesso. Mas os dados dessa pesquisa indicam uma grande disparidade entre o número de médicos que discutem tabagismo com seus pacientes a cada visita, 41%, e fumantes que confirmam que seus médicos, de fato, seguem essa rotina, 9%.

Embora 66% dos médicos dizem explicar formas para parar de fumar, apenas 33% dos tabagistas confirmam ter recebido essa informação durante a consulta médica. E mais: 47% dos médicos afirmam esquematizar planos para ajudar seus pacientes a abandonar o vício, mas só 25% dos fumantes confirmam ter recebido essa orientação. “Esses dados nos fornecem uma visão clara da falta de comunicação entre fumantes e médicos”, dizem os autores do estudo.

Mais capacitação

Fumar é uma condição médica crônica que envolve o lado físico e o vício psicológico à nicotina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, menos de 5% dos fumantes que tentam parar de fumar sem ajuda continuam livres do cigarro após um ano. Segundo o levantamento, mesmo com ajuda, para 56% dos fumantes, largar o cigarro é a coisa mais difícil que já tentaram fazer.

Tanto médicos como fumantes acreditam que a responsabilidade por parar de fumar recai quase que totalmente sobre o tabagista e que força de vontade é vital para o sucesso. Mas esse “método” é ineficaz, como provam os próprios números do levantamento: a maior parte dos médicos fumantes,58%, e a maioria dos tabagistas que tentaram parar de fumar usando apenas a força de vontade, 81%, não conseguiram largar o cigarro.

A realidade evidenciada por essa pesquisa é que metade dos médicos diz não ter tempo de ajudar seus pacientes fumantes a largar o cigarro, enquanto outros alegam ter outras prioridades ou se eximem da tarefa alegando não estar aptos por falta de treinamento. O que os médicos pedem e os pacientes precisam é de melhores ferramentas para tratar a cessação do tabagismo: a maioria dos profissionais de saúde gostaria de medicamentos mais efetivos e reconhecem que precisam de mais informações e técnicas para motivar os fumantes a largar os cigarros.

Médico fumante

O tabagismo é um problema de saúde pública. A luta antitabágica está em grande parte alicerçada nos profissionais da área de saúde, em especial, nos médicos. Eles devem ser, frente à sua comunidade, um modelo de conduta e como tal deve dar o exemplo de não fumar. No entanto, uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul mostrou números que comprovam que a máxima “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” é seguida por boa parcela dos profissionais de saúde. Na pesquisa ficou constatada a prevalência de tabagismo em quase 20% dos médicos consultados; que as médicas mulheres fumam tanto quanto os homens; e que o consumo de cigarros é, em média, 10 cigarros por dia. Também se verificou que 86% dos fumantes iniciaram o tabagismo antes dos 20 anos de idade, tendo por motivação, em 63% dos casos, a vontade própria e/ou influência dos amigos. Os pesquisadores concluíram que, embora a prevalência tabágica entre os médicos seja inferior à de outros países, ainda é inaceitável, visto que esta categoria tem papel determinante na prevenção e na luta antifumo.

O profissional de saúde, especialmente o médico, desempenha um papel imprescindível na luta contra o fumo. O médico deve apoiar e estimular o paciente fumante na tentativa de abandonar o cigarro. Os melhores resultados dos vários métodos para deixar de fumar são obtidos quando há aconselhamento médico. O paciente, quando procura o médico, está predisposto a acatar toda orientação recebida durante a consulta, principalmente se a queixa que motivou o atendimento for tabaco-relacionada. Essa é uma excelente oportunidade para motivar o paciente fumante a abandonar o fumo. Assim, um médico fumante dificilmente convencerá seu paciente a abandonar o cigarro, completam os pesquisadores.

Fonte: Site Antidrogas

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