A atuação do psicólogo no hospital para a promoção de saúde

Resumo:

No presente trabalho, apresentamos informações acerca da Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar, esta última como especialidade exclusivamente brasileira. Refletimos, também, sobre a formação acadêmica, o mercado de trabalho e a realidade da saúde no País. Consideramos que existem incongruências entre a formação de base, a nossa realidade social e a inserção de psicólogos no ramo da saúde. Discutimos a inclusão da Psicologia Hospitalar na Psicologia da Saúde, priorizando melhor formação acadêmica para que se possa trabalhar com o propósito de promoção de saúde dentro das instituições hospitalares, sendo essa uma área ampla que utiliza os conhecimentos das Ciências Biomédicas, Psicologia Clínica, para intervir em distintos contextos no âmbito sanitário. Faz-se também uma reflexão acerca de muito se falar do modelo biopsicossocial, observa-se que se continua privilegiando a etiologia biologicista, a concepção fragmentada de saúde e o caráter impositivo e normatizador da visão positivista de ciência, esquecendo-se a relevância dos aspectos sociais, psicológicos e ecológicos como mediadores dos processos saúde-doença.

Palavras-chave: Psicologia hospitalar, Psicologia da saúde, Promoção de saúde, Formação profissional.

Um dos principais problemas no contexto social tem sido a questão da saúde, apesar dos investimentos crescentes em assistência médica curativa e individual, ainda que se identifique, de forma clara, porém não com muita ênfase, que medidas preventivas para promoção da saúde, tem sido trabalhadas, mas ainda assim, deve-se dar uma maior atenção a melhoria das condições de vida em geral, daí teremos possibilidades significativas e fundamentais para os avanços no que concerne a promoção de saúde. Este ensaio tem como objetivo discutir a contribuição do psicólogo no hospital, trabalhando com uma perspectiva para promoção da saúde, como campo de conhecimento e de prática, para a qualidade de vida. Para tanto, apresentaremos os conceitos que aproximam promoção da saúde e qualidade de vida, bem como algumas estratégias e iniciativas capazes de operacionalizar sua interação, onde o psicólogo pode e deve estar envolvido de forma positiva com as políticas públicas saudáveis que exigem a ação intersetorial, e uma nova institucionalidade social que vem se materializando com as propostas para a atuação nos hospitais, contribuindo para uma melhor evolução do processo de promoção de saúde. Decorridos pouco mais de vinte anos da divulgação da Carta de Ottawa (WHO, 1986), um dos documentos fundadores da promoção da saúde atual, este termo está associado a um conjunto de valores: qualidade de vida, saúde, solidariedade, eqüidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e parceria, entre outros.

Refere-se também a uma combinação de estratégias: ações do Estado (políticas públicas saudáveis), da comunidade (reforço da ação comunitária), de indivíduos (desenvolvimento de habilidades pessoais), do sistema de saúde (reorientação do sistema de saúde) e de parcerias intersetoriais. Isto é, trabalha com a idéia de responsabilização múltipla, seja pelos problemas, seja pelas soluções propostas para os mesmos, porém todos envolvidos com o objetivo da promoção de saúde. Segundo Cerqueira (1984), o psiquiatra trabalhando sozinho não poderia modificar o quadro assistencial tradicional e inadequado para promoção de saúde, necessitando para isso a participação de outros profissionais, entre eles o psicólogo. O objetivo era formar equipes multiprofissionais comprometidas com as novas tarefas desse modelo assistencial que apresentava-se enquanto crítica ao asilo e como solução para os problemas e precariedades da assistência psiquiátrica. A entrada dos psicólogos na área de saúde mental, que no momento, dava inicio à entrada da psicologia na área da saúde e nos hospitais, porém, deu-se, assim, num momento de crítica ao modelo asilar e às equipes de saúde formadas predominantemente por médicos e de ênfase na formação das equipes multiprofissionais, passou-se a valorizar o investimento em serviços alternativos extra-hospitalares. Em outras palavras, pode-se dizer que a partir do final dos anos 70, o campo da saúde mental configurou-se como um grande pólo de absorção de psicólogos, na tentativa de mudar o modelo médico e de formar as equipes multiprofissionais.

O psicólogo e os desafios para promoção de saúde nas instituições hospitalares.

Atualmente temos uma realidade muito mais adequada em termos de formação em Psicologia da Saúde e Hospitalar. Entretanto, até a poucos anos, havia uma enorme preocupação com relação à formação, pois a ambigüidade devida à diversidade de orientações epistemológicas, teórico-metodológicas ou de intervenções em Psicologia, que na prática diversificam o campo de atuação do psicólogo no contexto hospitalar, influenciava os programas de formação profissional, que muitas vezes realçavam algumas áreas sem aprofundar outras, o que derivava, na prática, em especializações fracionadas, parciais e não em formação integral em Psicologia da Saúde. Atualmente, é real e autêntica a força de um grande contingente de psicólogos que buscam aprimorar as ações em saúde, participando intensamente e de forma criativa nas problematizações da área, oferecendo suporte em cada campo específico de atuação, referendando a busca e elaboração conceitual de modelos gerais e particulares para alcançar, de forma mais efetiva, as demandas de saúde, solidificando teoricamente o seu exercício profissional. Assim aponta Campos (1992), com base nas prioridades de saúde da população, dizendo que esse é um dos grandes desafios que o psicólogo enfrenta atualmente no campo da assistência pública à saúde, na medida em que implica na substituição do paradigma da clínica pelo da saúde pública, requer um novo modelo de atenção à saúde e de relação com o usuário, bem como um modo sempre mutante de fazer saúde, ou seja, os psicólogos hospitalares são, portanto, protagonistas e intérpretes de um processo universal de construção de um novo pensar e fazer em saúde, definidos pela abordagem holística inerente à Psicologia, na solução dos problemas mais relevantes da saúde contemporânea.Dessa forma, as perspectivas de desenvolvimento da psicologia hospitalar apontam para o crescimento de profissionais envolvidos por uma enorme gama de demandas sociais que definem os problemas de saúde; a introdução efetiva de psicólogos nas equipes hospitalares, conservando a essência delimitada pela formação em Psicologia; ampliação da atuação do Psicólogo em áreas de promoção da saúde e prevenção de doenças.

Assim, a psicologia no contexto hospitalar deverá encaminhar-se para a integração compreensiva de modelos teóricos aparentemente distantes, diminuindo os espaços entre a diversidade da área, dando-lhe finalmente significação, através de esforços psicológicos no cuidado à saúde e na prevenção das doenças, pois é a partir dela que podemos estabelecer condições adequadas de atendimento aos pacientes, familiares e equipes de saúde no hospital.Remor (1999) contribui dizendo que a Psicologia da Saúde, com base no modelo biopsicossocial, utiliza os conhecimentos das ciências biomédicas, da Psicologia Clínica e da Psicologia Social-comunitária por isso, o trabalho com outros profissionais é imprescindível dentro dessa abordagem. Gonzalez-Rey (1997), nos trás significativas orientações dizendo que essa área fundamenta seu trabalho principalmente na promoção e na educação para a saúde, que objetiva intervir com a população em sua vida cotidiana antes que haja riscos ou se instale algum problema de âmbito sanitário. O trabalho é multiplicador, uma vez que capacita a própria comunidade para ser agente de transformação da realidade, pois aprende a lidar, controlar e melhorar sua qualidade de vida. Dessa maneira, torna-se evidente que a Psicologia da Saúde dá ênfase às intervenções no âmbito social e inclui aspectos que vão além do trabalho no hospital, como é o caso da Psicologia Comunitária, porém contribuindo para o processo de promoção de saúde. 

A psicologia no hospital e suas contribuições para promoção de saúde

Pensar a atuação do psicólogo nas unidades hospitalares, ou seja, nas instituições públicas de saúde destinadas a priorizar a saúde não é uma tarefa muito fácil. O tempo de inserção desse profissional nessas instituições públicas de saúde é relativamente pequeno; há um contingente reduzido de profissionais atuando na área, apesar de vir aumentando gradativamente, inexistem pesquisas mais sistemáticas, tanto nacionais quanto locais, sobre a atuação do psicólogo nesse campo específico de trabalho. Apesar disso, é possível observar uma série de problemas e insucessos em termos das práticas dos psicólogos, devido a falta de apoio como um todo e na valorização desse profissional, como um agente capaz de contribuir na promoção de saúde.

Yanamoto & Cunha, (1998) nos trás contribuições acerca da Psicologia Clínica no Brasil, onde a própria denominação Psicologia da Saúde já é problemática, suscitando discussões de como denominar uma área que aplica os princípios de Psicologia a problemas de saúde e doença, pois, recorrente a confusão de terminologias, como Medicina Psicossomática, com o tema em questão Psicologia Hospitalar, daí então sua maior contribuição nesse ensaio, dizendo que a confusão entre o que seria a área clínica, a área da saúde e também a Psicologia Hospitalar não é somente de ordem semântica, mas também de ordem estrutural, ou seja, estão em jogo os diferentes marcos teóricos ou concepções de base acerca do fazer psicológico e sua inserção social. Justamente dessas diferenças, e/ou antagonismos teórico-ideológicos, surge uma Psicologia da Saúde. Considerando essas possíveis confusões, é importante esclarecer, também, o conceito de Psicologia Clínica.O psicólogo especialista em Psicologia Hospitalar tem sua função centrada nos âmbitos secundário e terciário de atenção à saúde, atuando em instituições de saúde e realizando atividades como: atendimento psicoterapêutico; grupos psicoterapêuticos; grupos de psicoprofilaxia; atendimentos em ambulatório e unidade de terapia intensiva; pronto atendimento; enfermarias em geral; psicomotricidade no contexto hospitalar; avaliação diagnóstica; psicodiagnóstico; consultoria e interconsultoria.Sebastiani, (2003) afirma que é relevante que possamos entender o surgimento e a consolidação do termo Psicologia Hospitalar em nosso país, é importante ressaltar que as políticas de saúde no Brasil são centradas no hospital desde a década de 40, em um modelo que prioriza as ações de saúde via atenção secundária (modelo clínico/assistencialista), e deixa em segundo plano as ações ligadas à saúde coletiva (modelo sanitarista), daí a importancia da luta para reverter esse quadro.

Nessa época, o hospital passa a ser o símbolo máximo de atendimento em saúde, idéia que, de alguma maneira, persiste até hoje. Muito provavelmente, essa é a razão pela qual, no Brasil, o trabalho da Psicologia no campo da saúde é denominado Psicologia Hospitalar, e, não, Psicologia da Saúde, o que seria mais adequado, priorizando assim a promoção de saúde. Para Yanamoto, Trindade & Oliveira, (2002) O termo Psicologia Hospitalar é inadequado porque pertence à lógica que toma como referência o local para determinar as áreas de atuação, e não prioritariamente às atividades desenvolvidas, que seria abusca de promover saúde. Se já existe fragmentação das práticas e dispersão teórica da Psicologia, a adoção do termo Psicologia Hospitalar caminha no sentido oposto à busca de uma identidade para o psicólogo como profissional da saúde que atua em hospitais. Diferente do Brasil, em alguns outros países, a identidade do psicólogo especialista está associada à sua prática e não ao local em que atua, porém a (CHIATTONE 2000), que diz que a Psicologia Hospitalar é apenas uma estratégia de atuação em Psicologia da Saúde, e que, portanto, deveria ser denominada “Psicologia no contexto hospitalar”.

Rodríguez-Marín (2003) esclarece que a Psicologia Hospitalar é, então, o conjunto de contribuições científicas, educativas e profissionais que as diferentes disciplinas psicológicas fornecem para dar melhor assistência aos pacientes no hospital. O psicólogo hospitalar seria aquele que reúne esses conhecimentos e técnicas para aplicá-los de maneira coordenada e sistemática, visando à melhora da assistência integral do paciente hospitalizado, sem se limitar, por isso, ao tempo específico da hospitalização. Portanto, seu trabalho é especializado no que se refere, fundamentalmente, ao restabelecimento do estado de saúde do doente ou, ao menos, ao controle dos sintomas que prejudicam seu bem-estar, esse nos parece ser um dos pontos principais para a promoção de saúde, dando menos valia para a doença.Ainda em Rodriguez-Marín (2003) de forma esclarecedora sintetiza as seis tarefas básicas do psicólogo que trabalha em hospital, sendo a primeira a função de coordenação, relativa às atividades com os funcionários do hospital; a segunda, seria a função de ajuda à adaptação: em que o psicólogo intervém na qualidade do processo de adaptação e recuperação do paciente internado; a terceira seria a função de interconsulta: atua como consultor, ajudando outros profissionais a lidarem com o paciente; a quarta função seria a de enlace: intervenção, através do delineamento e execução de programas junto com outros profissionais, para modificar ou instalar comportamentos adequados dos pacientes; a quinta função pode-se colocar como assistencial direta: atua diretamente com o paciente, e a sexta função é a de gestão de recursos humanos: para aprimorar os serviços dos profissionais da organização, isso tudo contribui de forma significativa para a promoção de saúde, principalmente se o psicólogo tiver oportunidade de trabalhar em conjunto com os amigos da saúde, que só vem a contribuir com esse processo.Chiattone (2000) ressalta, contudo, que, muitas vezes, o próprio psicólogo não tem consciência de quais sejam suas tarefas e papel dentro da instituição, e em muitas vezes habilidades suficientes para lidar com o contexto hospitalar, principalmente por que as universidades pouco enfatizam essa área, priorizando principalmente a formação clinica tradicional, ao mesmo tempo em que o hospital também tem dúvidas quanto ao que esperar desse profissional. Se o psicólogo simplesmente transpõe o modelo clínico tradicional para o hospital e verifica que este não funciona como o esperado, onde nos parece que essa situação bastante freqüente, isso pode gerar dúvidas quanto à cientificidade e efetividade de seu papel.

Desse modo, estabelece um significativo distanciamento da realidade institucional e a inadequação da assistência mascarada por um falso saber que pode gerar experiências malsucedidas em Psicologia Hospitalar ou como poderíamos chamar de psicologia da saúde.Faz-se relevante ressaltar que a partir das definições expostas de Psicologia da Saúde, que pode se confundir com a Psicologia Clínica e com a Psicologia Hospitalar, encontramos semelhanças no que tange às formas de atuação prática dos especialistas dessas distintas áreas. A psicoterapia individual ou grupal, por exemplo, é uma tarefa que pode ser desenvolvida dentro dos três campos citados. Contudo, percebemos também particularidades fundamentais, a Psicologia Clínica propõe um trabalho amplo de saúde mental nos três níveis de atuação, primário, secundário e terciário e a Psicologia da Saúde também propõe um trabalho abrangente nesses mesmos níveis, mas aplicada ao âmbito sanitário, enfatizando as implicações psicológicas, sociais e físicas da saúde e da doença. No que diz respeito à Psicologia Hospitalar, sua atuação poderia ser incluída nos preceitos da Psicologia da Saúde, limitando-se, entretanto, à instituição-hospital e, em conseqüência, ao trabalho de prevenção secundária e terciária, porém sem que deixe de contribuir com o processe de promoção de saúde.

Aspectos da formação adequada do psicólogo para atuar na área da saúde

Então, agora nos parece ser relevante pontuarmos alguns aspectos fundamental para qual seria a formação indicada para os psicólogos que desejam trabalhar no âmbito da saúde, onde esse possa desenvolver suas atividades com projeções satisfatórias para um melhor fazer psicologia, podendo assim contribuir de forma significativa com o processo de promoção de saúde nos hospitais, priorizando assim um atendimento mais humanizado.Besteiro e Barreto (2003) afirmam que a formação do psicólogo da saúde deve contemplar conhecimentos sobre bases biológicas, sociais e psicológicas da saúde e da doença, para que se possa trabalhar priorizando a saúde; avaliação, assessoramento e intervenção em saúde, políticas e organização de saúde e colaboração interdisciplinar; temas profissionais, éticos e legais e conhecimentos de metodologia e pesquisa em saúde. Com relação ao psicólogo da saúde que atua especificamente em hospitais, é indispensável um bom treinamento em três áreas básicas: clínica, pesquisa e programação. Com relação à área clínica, o psicólogo deve ser capaz de realizar avaliações e intervenções psicológicas.

Na área de pesquisa e comunicação, é necessário saber conduzir pesquisas e comunicar informações de cunho psicológico a outros profissionais. Por fim, quanto à área de programação, o profissional deve desenvolver habilidades para organizar e administrar programas de saúde. Neste momento em que somos incitados a refletir sobre nossa profissão para aperfeiçoar nossos modelos de atuação profissional, como ocorre com a Psicologia da Saúde, é importante considerar sempre o aspecto social em que estamos inseridos, compreendendo a realidade do nosso país.Moura (2003), Nesse sentido, vem refletindo sobre “a psicologia que temos e a psicologia que queremos”, analisa essa prática tradicionalmente empreendida pelos psicólogos. Com a diminuição da procura de clientes para os seus consultórios particulares devido ao empobrecimento da população, os psicólogos foram obrigados a trabalhar com pessoas cada vez mais carentes. Isso gerou o que a autora denominou uma “crise na Psicologia”, a partir da discrepância entre as propostas terapêuticas e a realidade do Brasil. A prática profissional passou a ser questionada no que tange à eficácia e adequação da Psicologia frente às questões de ordem social.

Dimenstein (2000) afirma, ainda, que muito dos problemas dos quais o psicólogo passou a deparar-se escapam do domínio da clínica, pois referem-se às condições de vida da população. Tais dificuldades passaram a ser um entrave para as atividades de assistência pública à saúde tendo em vista a falta de preparo nessa área. Levando em conta a realidade de nosso país e de nossa profissão, devemos priorizar uma formação adequada para inserir o psicólogo e abrir novas frentes de mercado de trabalho de acordo com as necessidades da população. Um dos primeiros passos seria a inserção do psicólogo em equipes de saúde interdisciplinares. A interlocução entre os diversos saberes seria a maneira de oferecer um cuidado mais completo, eficaz e de acordo com as necessidades da população. Almeida, (2000) Além da utilização de suas práticas e técnicas usuais, o psicólogo também poderia participar politicamente das decisões sanitárias. Relacionado a isso, algumas mudanças já se percebem. Por exemplo, nos últimos anos, o Conselho Federal de Psicologia vem trabalhando para transformar essa situação, tentando sensibilizar a categoria profissional para o desenvolvimento de ações sociais em distintas áreas da Psicologia (Conselho Federal de Psicologia, 1994). Assim, estudos sobre a prática profissional do psicólogo, no Brasil, têm apontado para dois movimentos contrários: por um lado, a supremacia de atividades classificadas como pertencentes ao âmbito da clínica; por outro, a emergência de movimentos buscando novas formas de inserção profissional.A partir dessas idéias, evidencia-se o quanto urge revisões e atualizações, tanto ao nível de formação profissional quanto de estratégias de inserção dos psicólogos. É preciso romper com a “prática do silêncio”, que compreende o indivíduo isolado da sociedade. Moura (2003) contribui dizendo que devemos elaborar um modelo profissional que considere a ação histórica dos homens. A Psicologia é uma ciência jovem, e sua participação histórica nos programas de saúde tende a ser tímida. Queremos destacar a importância de podermos discutir, compreender e assumir a função e o papel que nos cabe para transformar a realidade sanitária no País. O próprio psicólogo necessita dessas reflexões para que, efetivamente, torne seu trabalho vetor nos programas de saúde e abra espaço para a atuação de novos profissionais nessas equipes.Em última análise, acreditamos que, se o indivíduo não pode vir até o psicólogo, o psicólogo pode ir até ele. Isso significa entrar em contato com a dura realidade do nosso país. Conhecendo a população brasileira, os psicólogos podem utilizar seus conhecimentos para chegar a todos, independentemente de seus recursos: os que têm condições e desejam um tratamento particular, e também aqueles que nem sequer sabem o quanto poderiam ser ajudados por profissionais dessa área, somente assim poderemos contribuir com a promoção de saúde em nosso País.

Considerações finais

É de grande significância que a atuação do psicólogo no hospital, desenvolvendo as pratica no sentido de promoção de saúde, venha a desenvolver grandes benefícios para a instituição como um todo, podendo-se projetar esses benefícios para a sociedade em geral que passará a desenvolver uma maior valorização ao que concerne a saúde em detrimento a doença, mas para o psicólogo são grandes os desafios para promoção de saúde nas instituições hospitalares, Pois, tem um compromisso grande em desenvolver uma identidade dos destinatários dos serviços e atender às reais necessidades de saúde da população, priorizando uma ação transformadora, trabalhando o sujeito, como o ser que produz a história, torne-se sujeitos de sua própria saúde e não mais da doença. Desta maneira, devemos considerar o processo de hospitalização não apenas com um puro e simples processo de institucionalização hospitalar, mas fundamentalmente, como um conjunto de fatores que decorrem desse processo e acarretam implicações na vida do paciente e de seus familiares, daí entra o grande esforço do psicólogo com o trabalho de humanização desse processo e suas possíveis contribuições para a promoção de saúde.Isto implica desenvolver programas de educação permanente ou continuada em saúde coletiva nas instituições que prestam serviços de saúde, com vistas a recompor e atualizar constantemente os elementos das práticas de saúde os objetos, os meios de trabalho, as atividades realizadas nessas práticas, os objetivos do psicólogo na instituição e também para que, a partir dessa experiência democrática, sejam instauradas novas relações técnicas e sociais no processo de trabalho em saúde.

Para além da produção de novos objetos de conhecimento e de práticas, trata-se ainda da criação de espaços institucionais e de momentos pedagógicos para a constituição de novos sujeitos sociais no interior dos próprios serviços de saúde, atingindo assim a todos que compõe o ambiente hospitalar, servidores e usuários. Para tanto é de suma importância a formação adequada do psicólogo para atuar na área da saúde, seja dentro dos hospitais ou em qualquer outro meio em que envolva a pratica do profissional psicólogo com a intenção de trabalhar aspectos da promoção de saúde da população.

Referência bibliográfica

ALMEIDA, E. C. O Psicólogo no Hospital Geral. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 20, n. 3, 2000, pp.24-27.

BESTEIRO, M. M. & BARRETO, M. P. La Formación de los Profesionales de la Salud: la Contribución del Psicologo Hospitalario. In Remor, E.; Arranz, P. & Ulla, S. (org.). El Psicólogo en el Ámbito Hospitalario. Bilbao: Desclée de Brouwer Biblioteca de Psicologia, (2003).

BLEGER, J. Psico-higiene e psicologia institucional. Porto Alegre: Artes Médicas. (1984).

CAMON, A; V, Trucharte, F., Knijnik, R. e Sebastiani, R. Psicologia Hospitalar: teoria e prática. São Paulo: Pioneira. (1994).

CAMPOS, F.C.B. Psicologia e saúde – repensando práticas. São Paulo: Hucitec, (1992).

CAMPOS, G.W.S. Considerações sobre a arte e a ciência da mudança: revolução das coisas e reforma das pessoas. O caso da saúde. Em L.C.O. Cecilio (Org), Inventando a mudança na saúde (pp 29-87). São Paulo: Hucitec. (1997).

CASTRO, Elisa Kern de e BORNHOLDT, Ellen. Psicologia da saúde x psicologia hospitalar: definições e possibilidades de inserção profissional. Psicol. cienc. prof. [online]. set. 2004, vol.24, no.3 [citado 12 Abril 2007], p.48-57. Disponível na World Wide Web: <http://scielo.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci. ISSN 1414-9893.

CERQUEIRA, L. Psiquiatria Social: problemas brasileiros de saúde mental. Rio de Janeiro, São Paulo: Atheneu. (1984).Conselho Federal de Psicologia (Org.). Psicólogo brasileiro: práticas emergentes e desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo. (1994).Conselho Federal de Psicologia; Quem é o psicólogo brasileiro. São Paulo: Edicon, 1988.

CHIATTONE, H. B. C. A significação da psicologia no contexto hospitalar. In V. A. Angerami-Camon, Psicologia da saúde: Um novo significado para a prática clínica (pp. 73-165). São Paulo: Pioneira. (2000).

DIMENSTEIN, M. A Cultura profissional do psicólogo e o ideário individualista: implicações para a prática no campo da assistência pública à saúde. Estudos de Psicologia, (2000).

GONZALEZ-REY, F. Psicologia e Saúde: Desafios Atuais. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 10, n. 2, (1997).MOURA, E. P. G. A Psicologia que Temos e a Psicologia que Queremos. http://www.pol.org.br/pesquisa/resposta_pesquisa.cfm?id_area=54 / acesso em 10/04/2007

REMOR, E. A. Psicologia da Saúde: Apresentação, Origens e Perspectivas. Psico, v. 30, n. 1, (1999).RODRÍGUEZ-MARÍN, J. En Busca de un Modelo de Integración del Psicólogo en el Hospital: Pasado, Presente y Futuro del Psicólogo Hospitalario. In Remor, E.; Arranz, P. & Ulla, S. (org.). El Psicólogo en el Ámbito Hospitalario. Bilbao: Desclée de Brouwer Biblioteca de Psicologia, (2003).

ISKANDAR, J. I. Normas da ABNT comentadas para trabalhos científicos. Curitiba: champagnat, 2000.

SEBASTIANI, R. W. Aspectos emocionais e psicofisiológicos nas situações de emergência no hospital. (2002) In V. A. Angerami-Camom (Org.), Urgências psicológicas no hospital (pp. 9-30). São Paulo: Pioneira.SEBASTIANI, R. W. Psicologia da Saúde no Brasil: 50 Anos de História. http:www.nemeton.com.br/ acesso em: 10/04/2007)

WHO – World Health Organization. Página oficial da Instituição, 2003. www.who.int. acesso em 10/04/2007)YAMAMOTO, O. H. A crise e as alternativas da Psicologia. São Paulo: EDICON. (1998).

YAMAMOTO, Oswaldo H.; TRINDADE, Luciana C. B. de Oliveira; OLIVEIRA, Isabel Fernandes de. O psicólogo em hospitais no Rio Grande do Norte. Psicol. USP. São Paulo, v. 13, n. 1, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- Acesso em: 12 Abr 2007.

Comments are closed.