Dislexia ainda é desconhecida para muitos pais e professores

A chegada das crianças à idade escolar é sempre uma comemoração em família. Mas um distúrbio que chega a atingir 15% da população mundial pode complicar a nova fase.
A chegada das crianças à idade escolar é sempre uma comemoração em família. Mas um distúrbio que chega a atingir 15% da população mundial pode complicar a nova fase.
A dislexia, infelizmente, costuma ser detectada apenas com o início da alfabetização. Por muito tempo, inclusive, essa deficiência foi confundida com desmotivação ou inteligência baixa.

Tratavam-se crianças e jovens como burros, quando na verdade eles apenas processavam as informações de maneira diferente no cérebro –a causa da dislexia. O cérebro de uma pessoa disléxica é idêntico ao de outra sem o distúrbio. A diferença está nas conexões.

A dislexia, que já se sabe surgir por forma hereditária, mesmo que vinda de um parente distante, "embaralha" as ligações cerebrais principalmente nas regiões responsáveis por controlar a leitura, a escrita e o poder de soletrar. Com essa área "desorganizada", a criança começa a demonstrar dificuldades já na pré-escola.

A primeira característica comum a ser notada é a dispersão. Meninos e meninas não conseguem manter o foco em um jogo e demoram mais a falar e a organizar a linguagem de modo geral. Aprender as rimas das musiquinhas do jardim-da-infância é incrivelmente difícil, assim como montar um simples quebra-cabeça.

"Se não for observada rapidamente, logo a dislexia causa um desinteresse da criança por livros e mesmo por estudar, já que se torna extremamente trabalhoso para ela acompanhar os colegas", diz Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga e psicopedagoga que trabalha junto à Associação Brasileira de Dislexia.

O melhor é que uma equipe multidisciplinar identifique a dislexia. A avaliação abrangente (que inclusive deveria ser estendida a todos os estudantes do Brasil, o que não acontece) conjuga professores, fonoaudiólogos, psicólogos e médicos e abre condições para um acompanhamento mais eficiente das dificuldades após o diagnóstico, fazendo um direcionamento, então, às particularidades de cada indivíduo.

A Associação Brasileira de Dislexia recebe, a cada ano, cerca de 900 contatos em busca de mais informações e orientações sobre o transtorno. Em geral, as visitas se intensificam nos meses de outubro e novembro, quando muitos pais se dão conta de que o filho está com dificuldades e prestes a perder o ano. E só então atentam para a possibilidade de o problema ser a dislexia.

Fonte: Folha Online

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