Processo Seletivo em Instituições de Ensino

O objetivo deste artigo é refletir sobre o papel do professor e sua relação com o processo seletivo realizado pelas Instituições de Ensino, levantado problemas e propondo possibilidades de ação. 

Há alguns anos, bastava uma indicação de um conhecido e alguma experiência para que a pessoa estivesse empregada, sem falar que o ensino médio completo abria muitas portas. Atualmente, com o advento da sociedade do conhecimento, a escolaridade passou a ter maior representatividade, sendo importante a graduação – e eventualmente a pós-graduação – para o ingresso no mercado de trabalho. Assim, cresce o número de faculdades e universidades pelo país e aliado a isto a crença: “sem graduação não se chega a lugar algum”.

Com esta crença enraizada, foi possível perceber o crescimento de dois fenômenos: o primeiro é a equiparação da concorrência, ou seja, os currículos estão muito parecidos em termos de escolaridade, o que é positivo, pois sinaliza um aumento no acesso a educação, mas, em contrapartida o que antes era um diferencial, hoje se encontra massificado. O segundo fenômeno está em enaltecer a informação técnica em detrimento de outros saberes importantes que contribuem para a composição das competências de um indivíduo.

Citando o Professor Vasco Moretto (Especialista em Avaliação Institucional), competência pode ser compreendida como a capacidade de mobilizar recursos visando resolver uma situação complexa. Tais recursos encontram-se distribuídos, basicamente, em três pilares: conhecimento ou saber sobre; habilidades ou saber fazer e atitudes ou saber ser. A competência para realizar algo está na inter-relação destes três fatores.

Neste sentido, as empresas estão cientes e atentas a esta realidade, tornando seu processo seletivo cada vez mais rigoroso, sendo utilizadas dinâmicas de grupo, entrevistas com ênfase em competências, testes psicológicos, situacionais, enfim, tudo para garantir o candidato com o melhor perfil para o cargo.

No entanto, as instituições de ensino ainda deixam a desejar no que concerne à contratação de professores. É possível encontrar escolas que contratam educadores focados em seu conhecimento técnico, não atentando para o fato de que a competência exigida para o desempenho da função de professor vai além do “saber sobre”. Planejar a aula, ministrar o conteúdo e avaliar a aprendizagem exigem mais do que entender de História ou Geografia.

O professor possui uma função social muito importante. Ele tem em suas mãos crianças e jovens que o vê como modelo, como referência. O comportamento do professor (saber ser) é de grande importância neste momento. Suas crenças, bem como sua forma de agir e de falar influenciam fortemente a atitude do estudante. Vale lembrar que o professor não transmite somente o conteúdo, mas crenças e valores culturais, além de princípios éticos e morais.

Investir na aquisição de conhecimentos teóricos e habilidades é importante: atualizações, capacitações e pós-graduação vêm a somar no conjunto de competências de um profissional, mas o investimento no SER é de extrema valia no desempenho de uma função fortemente voltada para o relacionamento interpessoal como é a função do professor. Neste ínterim, a frase de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo” merece ser compreendida em sua totalidade.

Estar ciente de nossas potencialidades, limitações e a relação entre ambas é o primeiro passo para iniciarmos uma educação que, como qualquer outra, não tem fim: a educação emocional, imprescindível para o educador. Assim como não é interessante um professor que não compreende a matéria, também não é interessante um professor que não compreende suas emoções.

Neste sentido, selecionar um educador baseado somente em seus conhecimentos científicos, sem ponderar sobre outros aspectos de suas competências, o que inclui a forma como este se relaciona consigo, com o meio e com o seu papel profissional, pode ser prejudicial para o estudante e para a Instituição.

Assim, faz-se mister as escolas investirem em um processo seletivo eficiente, iniciando pela construção adequada do Perfil de Competências do cargo ou função, ou seja, quais conhecimentos, habilidades e atitudes que, em conjunto, são imprescindíveis para o bom desempenho da função de professor e, a partir disto, elaborar um seleção capaz de identificar tais competências nos candidatos.

A missão da escola não é apenas transmitir conhecimento, mas, junto com a família, formar cidadãos éticos, preparados para ser e conviver e o professor é fundamental neste processo, por isso ir além da teoria é condição sine qua non para que a escola tenha profissionais competentes, capazes de articular de forma sistêmica os três pilares que fazem dos educadores, acima de tudo, pessoas cada vez melhores.


Refência Bibliográfica:

MORETTO, Vasco P. Construtivismo, a produção do conhecimento em aula. 3ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002;
RABAGLIO,Maria Odete. Seleção por competências.São paulo: Educar, 2005.

Texto: Milena C. Aragão: Psicóloga formada pela UFSC e  Pós Gaduanda em Gestão de Pessoas pela UCS/RS. Possui diversos cursos de estensão nas áreas organizacional e educacional. Coordenadora de grupos e docente da Escola Técnica Profissionalizante QI, no curso de Gerência empresarial.

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