Problemas pequenos “estragam” dia de adolescentes

Fernanda Andrade, 15, muda de humor sempre que alguém a contraria. "Quando um menino que estou paquerando não olha para mim, fico irritada. Quando estou com TPM, fico estressada o dia inteiro."
Fernanda Andrade, 15, muda de humor sempre que alguém a contraria. "Quando um menino que estou paquerando não olha para mim, fico irritada. Quando estou com TPM, fico estressada o dia inteiro."
Para Liara Fernanda Fusco, 19, a instabilidade do humor pode ser atribuída a um motivo bobo, a uma briga com o namorado ou a uma inquietação diante de um trabalho da faculdade. "Qualquer coisa idiota pode me deixar bem irritada. Em um mesmo dia posso ter humores diferentes, é bem imprevisível." Já o que tira Paola Lorenzetti, 17, do sério é não receber a atenção enquanto fala com alguém. "Quando não prestam atenção em mim, no que eu estou falando, fico estressada", afirma a garota, que tenta ficar quieta até o mau humor passar, "para ninguém ficar interferindo nos meus problemas".

Rafael Emmanouilides, 13, não esconde que coisas pequenas são capazes de "estragar" seu dia. "Quando acontece algo que eu não gosto, grito, fico emburrado, de mau humor, não faço mais nada durante o dia."

Quem tenta administrar a situação é a mãe dele, a advogada Silmara Emmanouilides, 43. "Normalmente, não dou bola, deixo [a irritação] passar. Se a gente fica retrucando, é pior. Mas quando ele se acalma, a gente senta e conversa."

Roseli da Silva Tusco, 40, mãe da adolescente Liara, também tenta conversar, apesar de não entender as causas de tanta irritação. "Não sei se são os hormônios que a deixam tão difícil. Fico sem saber o que aconteceu com a minha filha. Quando ela era criança, era mais fácil lidar com ela. Na adolescência ela ficou mais irritada", diz. "Espero que com o tempo isso passe."

O psiquiatra Gustavo Teixeira, autor de "Transtornos Comportamentais na Infância e Adolescência" e membro da American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, explica que a impulsividade tende a diminuir com a entrada na vida adulta.

"Enquanto essa fase não passa, é importante conversar com o adolescente. Vários estudos mostram que relações familiares positivas e interações saudáveis são protetoras em relação ao desencadeamento de transtornos comportamentais", diz Teixeira.

Fonte: Folha Online

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