Dependência Digital pode levar a problemas sociais

O "dependente digital" não é apenas a pessoa que passa horas na frente do computador, mas o indivíduo que deixa de ter vida social para usar o equipamento.

O "dependente digital" não é apenas a pessoa que passa horas na frente do computador, mas o indivíduo que deixa de ter vida social para usar o equipamento.

Como se não bastassem os distúrbios psicológicos que acometem cerca de 70% da população em algum momento da vida, existe mais um que os especialistas chamam de dependência digital. O “dependente digital” não é apenas a pessoa que passa horas na frente do computador, mas o indivíduo que deixa de ter vida social para usar o equipamento, substitui as amizades pelas conversas em chats e programas de comunicação via web, perde madrugadas de sono para navegar na rede, troca o sexo real pelo virtual, começa a chegar atrasado no trabalho (colocando o emprego em risco), enfrenta problema na coluna por ficar sentado grande parte do tempo etc. Se você se encaixa nesse perfil, pode ser um “dependente digital” e talvez precise de ajuda médica.

Essa dependência já é tratada. No Brasil, são três os locais que realizam o tratamento: Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-SP), por meio do Instituto de Psiquiatria; ambulatório do Programa de Orientação e Atendimento de Dependentes (Proad), do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Núcleo de Estudos em Psicologia e Informática, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
O Instituto de Psiquiatria do HC-SP derrubou o mito de que surfar durante horas na internet é uma mania exclusiva de jovens estudantes. Mostrou que a compulsão pela web pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, classe social e nível cultural. A conclusão surgiu a partir da análise do primeiro grupo de voluntários do projeto de Dependentes de Internet do Ambulatório Integrado dos Transtornos dos Impulsos.
Os candidatos do primeiro grupo – 15 integrantes de 18 a 73 anos –, clinicamente diagnosticados como compulsivos pela internet, submeteram-se às sessões de análise cognitiva (terapia focal) durante seis meses. Agora os resultados começam a ser divulgados. Na segunda-feira, o ambulatório abriu inscrições para o segundo grupo. Inscrições pelo telefone (21) 3069-6975.

“Fiquei surpreso com os resultados. Apesar do grupo ser pequeno, ele vai contra as estatísticas americanas que servem de base no mundo inteiro”, diz Cristiano Nabuco, coordenador do projeto. O estudo brasileiro mostrou que a dependência não é problema exclusivo dos jovens.
O acesso compulsivo é um distúrbio psiquiátrico no mesmo patamar que dependências do álcool, do jogo e das compras. Nos Estados Unidos, de 6% a 10% dos 189 milhões de internautas sofrem desse mal. No Brasil, os estudos são tímidos.
“Montei o primeiro grupo no ano passado, quando as queixas passaram as ser mais constantes no consultório”, diz Nabuco.

Fonte: ABP Brasil

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