O Trabalho e seus Personagens – Três contos

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O trabalho nos exige cada vez mais tempo e dedicação. Alguns passam mais tempo no trabalho do que em casa. A qualidade de vida têm sido questionada em razão dessa nova era que nos encaminhamos, onde o conhecimento é o maior valor de uma empresa e dos empregados. O entendimento do indivíduo exige muito mais do que conhecer sua infância ou até mesmo sua família, outros fatores como o ambiente de trabalho, frustrações, trajetória profissional entre outros, influenciam na saúde psíquica dos homens. Entender o que nos leva a trabalhar todos os dias e abdicar de outros e das coisas, torna mais fácil o questionamento.

Instinto, todos temos alguma definição sobre o instinto, seja cientifica ou empírica, sabemos que o instinto é um sentimento involuntário e tão presente em nossas vidas como o sangue nos corre pelas veias. É um sentimento comum nos animais e no ser humano, que em sua essência não deixa de ser um animal, como aprendemos na escola, “o homem é um animal racional”. O que leva o ser humano a ser racional? Como a história nos conta o homem nem sempre foi tão racional como hoje, sofreu um grande processo de transformação, uma dessas é o que chamamos de socialização.

A evolução de nossa espécie nos transformou no que somos, seres sociáveis. Tivemos que aprender a andar somente com os membros inferiores, procurar ou improvisar moradias, caçar, viver em grupos e procriar. Tudo isso com uma simples finalidade, a sobrevivência. A sobrevivência tem como resultado os demais instintos da natureza humana.Certa vez num destes bate-papos nos intervalos de aula na faculdade um amigo me disse uma frase bastante interessante, “sobreviver é fácil, viver é difícil”, concordo plenamente com ela. Os esforços na maioria dos seres humanos são simplesmente para sobreviver. Neste contexto de sobrevivência, o homem está dedicando mais e mais tempo nos relações profissionais. Nosso sentimento de sobrevivência em sociedade é baseado nas leis empresariais. Entender o homem no ambiente de trabalho através de um histórico que o levou a tal ponto é imprescindível, vejamos breve contos da vida real, os quais têm por objetivo único elaborar uma linha de raciocínio da interdependência sistêmica dos fatos.

Iranilton, o operário.           

Iranilton é um sujeito trabalhador, acorda as 06:45 todas as manhãs, exceto aos domingos. Faz o ritual mais comum, o relógio desperta ele o desliga, vai até o banheiro do corredor de sua casa, lava o rosto, faz a barba, enfim tudo o que se faz em uma manhã de um trabalhador. Toma café correndo coloca o uniforme rapidamente e finalmente sai para trabalhar. No trabalho a rotina é a mesma esporadicamente acontece algo diferente dos demais dias no seu trabalho. Iranilton economizou durante um bom tempo e finalmente conseguiu trocar seu Chevete, 83, por um carro agora melhor, um Monza, 96. Este foi um grande progresso, agora ele anda com um carro bem melhor e bem mais confortável, podendo desfrutar de um veículo com direção hidráulica, vidros elétricos além do carro ser acima de dez anos mais novo que o seu anterior, possui até ar condicionado, bem não funciona, pois acabou o gás mais isto não importa para ele. Certamente para o ser humano, o automóvel supre uma necessidade básica, a de locomoção. Ele não está completamente contente com a sua vida, precisa fazer reformas na sua casa, trocar a pintura, modificar o jardim, trocar os móveis. Lá vai Iranilton, trabalha mais, sempre quando pode faz hora extra, economiza e finalmente realiza as melhorias que queria em sua casa como tanto sonhava. De alguma forma ele é um sujeito com motivos de sobra para ser feliz, tem sua casa própria, seu carro e um emprego, porém ainda está lhe faltando alguma coisa. Ele ainda está solteiro, não encontrou sua alma gêmea. Pois bem, Iranilton está à procura de uma parceira, a sua companheira para o resto da vida e futura mãe para seus filhos.

Kelly, a secretária.

De pouca motivação, foi feita a vida de Kelly. Uma jovem e bela moça, de corpo invejável que há tempos perdeu o brilho no olhar por razões que ela mesma desconhece. Estudou em escola pública, achava mais fácil pedir ajuda aos colegas em tarefas difíceis, usava rapazes inteligentes, porém com segundas intenções para conseguir o que queria. Muito bonita, sempre foi requisitada nas confraternizações, mas Kelly era tímida e foi educada nos padrões religiosos de sua família. Nesta época, Kelly ainda tinha esperanças, queria cursar fisioterapia na universidade federal, estudava bastante no terceiro ano do segundo grau, deixou de lado as revistinhas de meninas, a maquiagem, o salto alto, as amigas e o drops, fez cursinho pré-vestibular e estudava noites e noites.

Após se matricular na faculdade de administração de uma universidade particular, Kelly, meio deslocada, freqüentava as festas de calouros, ainda tímida, se sentia mais confortável entre garotas no canto das festinhas caseiras, onde ninguém pudesse vê-la com a sua máscara de derrota. Aos poucos Kelly se acostumou com seu futuro, trocou os livros por cigarro, as aulas pelo barzinho na frente da faculdade e seus sonhos pelo momento. Ficou muito popular, fez sucesso, já era o centro das atenções nas festas dos veteranos, desejo dos calouros. Construiu uma máscara defensivamente sensual, conseguia o que queria das pessoas. Atrás de toda a popularidade e bebidas estava a pequena Kelly fisioterapeuta, já obscura pelo desejo de ser da “galera”. O dinheiro foi faltando e o talento não aparecia, foi então que surgiu um rapaz que a indicou para a vaga de secretária na empresa que trabalhava.

Elder está na sala do gerente de RH, quando o comunica que tem uma pessoa interessada na vaga que gostaria de fazer entrevista, o senhor gordo de braços cruzados, relutante e meio aéreo, acaba aceitando fazer a entrevista não programada, mesmo estando com a papelada atrasada. Ao ver Kelly entrando, se levantou e lhe estendeu a mão suada com um sorriso diagonal, sentou cruzando as pernas nos pés da cadeira. Na entrevista bastou um cruzar de pernas muito talentoso de Kelly para o gerente captar a inteligência da jovem. Hoje Kelly com uma barriguinha mais saliente, perdeu o entusiasmo em sua voz, passou da fase de cansar de dizer as mesmas frases ao telefone, já são palavras enraizadas, ditas sem pensar. Formada em administração, ocupa um cargo nível técnico. Com pouca esperança e acomodada, passa os dias, os meses e quando vê já é natal na empresa. Não busca outras oportunidades por medo, assim como teve medo de ficar solteira e se casou. Hoje seu diploma está esquecido em alguma gaveta na sua casa, num bairro classe média baixa de sua cidade.

Zeca, o administrativo.

Para pagar a sua faculdade de administração, Zeca  trabalhava como técnico mecânico, como ele mesmo diz, um serviço "sujo". Vindo de família pobre e decidido a deixar a classe operária, concorre a uma vaga de estagiário para a área administrativa numa empresa. Foi difícil para ele largar seus cinco salários mínimos para sobreviver com a mísera ajuda financeira educacional que recebia da empresa. Zeca, rapaz pobre e batalhador seguiu em frente, mostrou seu trabalho, sem grandes inovações, mas tecnicamente correto.

Surge então uma vaga para ingressar definitivamente na empresa. Eram dois estagiários para uma vaga, Zeca e Fernando. De cabeça baixa e cheio de racionalizações que criou para seu fracasso, Zeca deixava a empresa, Fernando promove um churrasco com os novos e velhos colegas de trabalho.
Para a sorte de Zeca, três meses após sua saída, a moça que trabalhava com Fernando se retira da empresa em busca de algo melhor e ele é chamado para trabalhar. Ganhando menos que Fernando por algum motivo que nem ele mesmo sabe, Zeca desfruta dos seus seis salários mínimos, agora em um serviço "limpo". A grande meta de Zeca sempre foi largar a classe operária para dar orgulho a sua família, hoje ocupa uma posição de nível técnico. Satisfeito com sua carreira, após nove meses de trabalho, gastou todas suas economias em um casamento que nem seu diretor teve. Agora busca ajuda financeira para comprar sua casa. Na empresa realiza um bom trabalho, bate o cartão todos os dias no horário correto, mas fica até duas horas a mais quase todos os dias para por o serviço em dia. Zeca não quer perder seu posto, então pouco reclama e segue em frente.            

De modo geral todos temos o mesmo ciclo de vida, as mesmas aspirações, umas mais quantitativas e outras mais qualitativas, porém o ser humano na negação de sua ancestralidade animal acaba por não reconhecer seus atos instintivos, os quais tornam os homens mais semelhantes entre si, personagens numa mesma peça.

Sobre os autores,

Marcos Felipe Menghi Nishimura
MBA Executivo Internacional – Universidade Lusófona – Portugal
Wagner S. de Alencar
Administração em Gestão de Negócios

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