"O segredo": sobre o otimismo e o pessimismo

“O segredo”, tanto o filme quanto o livro , tem feito muito sucesso . É uma febre. Febre alta, por sinal. E não falta quem esteja delirando. Pacientes chegam ao consultório dizendo que descobriram a chave de tudo. Muitos alunos, geralmente do primeiro semestre do curso de Psicologia, estão absortos com a descoberta, com a revelação fundamental deste “segredo”, “guardado há milênios”, “a sete chaves”, como procura demonstrar Rhonda Byrne, a autora. Tanto o filme quanto o livro, tem sido um fenômeno absurdo de marketing e vendas. Em cerca de um ano , renderam à autora mais de 40 milhões de dólares.
Para quem ainda não assistiu ou leu “O Segredo”, trata-se de mais uma obra do gênero de auto-ajuda. O filme se insere, talvez , em um novo gênero, o de filmes de auto-ajuda. É, agora temos um novo gênero para filmes. Prepare-se, essa moda já está pegando. E os primeiros são sempre fenômenos de vendas. Quem não gosta de ler, pode agora assistir um filme e se auto-ajudar. O primeiro neste gênero talvez tenha sido " Quem somos nós?". E agora veio "O segredo". São na verdade livros adaptados para a linguagem cinematográfica.

Não me estenderei muito sobre os temas abordados em ambos. O que eles têm em comum é a mensagem típica dos livros de auto-ajuda. Basicamente, pregam o otimismo e a esperança. "Quem somos nós?" começa falando de física e descamba para uma pregação falaciosa de auto-ajuda. Aliás, encher a boca de "física quântica" para argumentar a favor de qualquer coisa também está na moda. O que é reprovado pela grande maioria dos físicos. É bem sabido: são geralmente extensões e apropriações indevidas, senão até mesmo oportunistas, de leis que se aplicam, em tese, somente ao mundo subatômico.

"O segredo", por sua vez, devido à carência de paralelos com a ciência estabelecida, se segura mais no discurso, na retórica, num blá-blá-blá repetitivo, masturbatório, americanóide, sem fim. Por sinal, muito similar àquelas longas e insensatas propagandas americanas, em que o produto é anunciado por horas a fio, com depoimentos exagerados, caricatos e fraudulentos. Enfim, conversa de vendedor.

Baseados no que chamam de "lei da atração", encadeam argumentos, de modo aparentemente lógico, para convencer ou hipnotizar o espectador. Sim, hipnotizar. Repetem suas fórmulas à exaustão. Reduzem tudo à famigerada "lei da atração". Esta basicamente diz o seguinte: semelhante atrai semelhante. Pensar coisas ruins atrai coisas ruins. Pensar coisas boas atrai coisas boas. Resumindo, é a mesma lógica do pensamento positivo, só que agora com outro nome, com nova roupagem. A fórmula é antiga: dar nova roupagem para algo já velho, batido. Utilizar um nome novo para falar do que não é segredo nenhum.

Minhas posições mais extremas em relação a este filme podem ser colocadas em um segundo plano. O que pretendo traçar aqui, e espero já não ter espantado o leitor simpatizante do gênero auto-ajuda, é uma reflexão sobre o otimismo e o pessimismo.
O argumento principal de quem assistiu “O segredo” é: “Mas como você vai negar que o pensamento positivo é benéfico? O que custa ser otimista?”. E a questão que proponho é a seguinte: “O otimismo é sempre benéfico? Em qualquer ocasião, sob qualquer circunstância?”. O pessimismo, por outro lado, é sempre maléfico?

Comecemos pelas definições. Definição de otimismo, segundo o dicionário Houaiss: “disposição para ver as coisas pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo nas situações mais difíceis.”. E a definição para o pessimismo: “tendência para ver e julgar as coisas pelo lado mais desfavorável; disposição de quem sempre espera pelo pior.”

Tanto uma quanto a outra disposição de espírito possuem virtudes e deficiências. Há negação da realidade no otimismo, fantasia, pensamento mágico, infantilismo. No pessimismo: obsessão, auto-destruição, perfeccionismo, preciosismo. O otimismo é ingênuo, bobo, flácido. O pessimismo é arrogante, duro, ácido.

Ver ou julgar as coisas pelo lado bom ou ruim? Não conheço concepção que defenda o pessimismo neste caso. Julgar pelo lado bom, em termos gerais, quando se faz um balanço de toda a nossa vida, a torna possível, válida, viável. Fornece motivos para continuar tocando nosso barquinho. E motivos que estejam fundados no agora, no tempo presente. Temos de ter motivos, disposição, vontade para continuar. E que eles se situem, de preferência, no presente. Que sejam dados no aqui e no agora de nossa existência.

Porém, o mais virtuoso na verdade seria o julgar bem, para poder fazer o bem. Encontrar a verdade, de fato. Saber ponderar. E não simplesmente depender de tendências a ver o bem ou o mal. Em termos éticos a questão é a seguinte: qual disposição, em uma determinada situação, conduziria a mais ou menos sofrimento, no final das contas?

O otimismo carrega mais facilmente a aparência de que é sempre melhor, pois é uma disposição de devaneio. Ou seja, mesmo que tudo esteja na pior, o otimista parece refugiar-se em suas fantasias e imagens de que tudo está bem ou tende com certeza a melhorar.

Para Freud isto é maléfico. É o refúgio na fantasia. Alienação. O sujeito se aparta da realidade, construindo castelos no ar. O pai da Psicanálise é um defensor da conscientização. Melhor saber do pior e aceitá-lo como parte da realidade para poder melhor enfrentá-lo e extingui-lo. Retirá-lo de nossa consciência o torna ainda mais poderoso. Deste modo ele fica fora de nosso controle. A ausência de consciência do mal o transforma em uma espécie de assombração. O otimismo responde prontamente ao princípio do prazer: evitar o que é doloroso, de modo imediato, sem qualquer ponderação. “Isola, isola…”, é o que diz o jargão popular.

Mas a grande questão é: o que pode ser negado e o que não pode. O filme “O segredo” diz: não basta pensar que tudo vai dar certo. Não basta pensar que você pagará suas dívidas. Deve-se colocar o verbo no presente: “já paguei minhas dívidas”, e não ficar adiando para o futuro. “Já paguei?”, não tendo pagado? Na visão psicanalítica isto é negação pura da realidade. Recalque. Para a mentalidade presente no filme é instaurar uma nova realidade mental e de espírito, em acordo, em consonância plena com aquilo que se deseja. Para um é tolice, auto-engano. Para outro é programação mental.

Lembro também de Lair Ribeiro, dizendo mais ou menos assim: “Você deseja ser rico? Então deve começar a pensar que é rico. Pensando como rico, você passa a agir como rico. E assim, enriquece”. Na essência era isso o que ele dizia. Talvez isso seja bom para produzir alguma aparência. A qual, na mediocridade de nossas transações cotidianas, ainda é muito importante. Por outro lado, pode ser também um desastre. Simplesmente porque o sujeito passa a gastar o que não tem.
Interessante a consideração de Comte-Sponville em seu “Dicionário Filosófico”:

“Prefiro a fórmula de Gramsci: “Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade.” Ver as coisas como são, depois dar-se os meios de transformá-las. Considerar o pior, depois agir para evitá-lo. Mesmo assim morreremos? Mesmo assim envelheceremos? Claro. Mas teremos vivido mais.”

Lembro de uma colega de profissão. Otimista que só. Dizia que meu problema era o “excesso de realismo”. Ela tinha os olhos esbugalhados. Abria-os, parecia que iam saltar das órbitas, e começava a falar em tom messiânico dos paraísos que o futuro nos reservava. Seu filho cresceu com o peso enorme de uma série de frustrações quase incontornáveis. Ela o criara, dizendo-lhe que seria o melhor, o mais perfeito e mais poderoso dos mortais. Projetara um futuro fabuloso para esse filho. E aquela criança acreditou nisso. Era um peso enorme para a sua existência saber que era uma pessoa normal, comum. Seu problema central? O de todo neurótico: grande intolerância à frustração.

E a questão agora é a seguinte: otimismo em excesso pode gerar baixa tolerância à frustração? Cria uma auto-estima de papel? A qual se esfacela no primeiro contato com a dureza da realidade?
Penso que é muito importante considerar a possibilidade de derrota, de perda. Mas que isso não se transforme numa obsessão, em um pensamento fixo e mórbido de que tudo irá com certeza dar errado.

O técnico de futebol dava entrevista e dizia assim: “Estamos preparados somente para a vitória”. Talvez até seja bonito de se ouvir. Mas, e se perder? Como é que fica? Morre? Fica louco? Aprender a perder é fundamental? Conceber a possibilidade de derrota, fracasso e tentar se harmonizar com isso talvez seja também muito saudável.

“A meditação sobre o fato da morte ser inevitável deve ser feita diariamente. Todos os dias, quando o corpo e a mente de um indivíduo estão em paz, ele deveria meditar sobre ter o corpo estraçalhado por flechas, rifles, lanças e espadas; sobre ser carregado por vagalhões; sobre ser lançado em meio a um incêndio terrível; sobre ser atingido por um raio; sobre ser chacoalhado até a morte por um terremoto; sobre cair de um penhasco de centenas de metros; sobre morrer de doença ou cometer seppuku na morte de seu mestre. E todos os dias, sem falta, o indivíduo deveria se considerar morto.”

Esta citação representa ensinamentos completamente contrários à idéia de pensamento positivo. Os fanáticos de “O Segredo” certamente abominariam tais considerações. E elas estão, contudo, em um conhecido livro da sabedoria oriental, o “Hagakure”, o livro do samurai. Trata-se de um guia espiritual para guerreiros, fruto das concepções de Yamamoto Tsunetomo (1659-1719), um sábio samurai que viveu entre os séculos XVII e XVIII. Este pequeno livro, por sua vez, é muito lido também como um auto-ajuda para a vida cotidiana de qualquer pessoa comum.

É a instrução mais do que clara de que devemos meditar constantemente sobre o pior, para podermos nos preparar melhor para ele. Vai projetar um avião? Então, pense em todos os acidentes possíveis para construir o melhor avião possível. Novamente: pessimismo da inteligência e otimismo da vontade. Pensar também o pior para fazer o melhor. A minha impressão às vezes é que se o pessimismo em excesso tende ao transtorno fóbico, o otimismo em excesso tende à burrice.

Paulo Coelho, em “O Alquimista”: “quando desejamos algo, o universo conspira a nosso favor”. Li somente metade do livro. E foi o único que tentei de Paulo Coelho. Pensei: não quero fazer parte da turma que não leu e não gostou. E confesso: não gostei. E também não tenho nada a dizer ou criticar nesse autor. Simplesmente não gostei. Não é o tipo de gênero ou história que me envolve. Prefiro deixar o Paulo Coelho em paz no sucesso e na fortuna dele.

Mas esta passagem que citei, contesto. Que história é essa de desejar e o universo desejar junto? Poderia ser o contrário, por que não? Se tomarmos falaciosamente a lei física da ação e reação, dá o contrário: basta desejarmos algo, que o universo, por reação, logicamente, irá conspirar contra.

Porém, o mais interessante foi encontrar esta mesma citação, escrita de outra maneira, por um outro autor. Não me lembro o nome dele. Mas lembro que atribuía a autoria original a Goethe: “quando perseveramos, o universo conspira a nosso favor”. Sem dúvida, esta é uma formulação bem mais sofisticada e sensata. Não basta ficar pensando ou desejando não, deve-se antes de tudo agir.

Por outro lado, assim como o otimismo, a própria perseverança deve ser relativizada. Não são conceitos ou virtudes absolutas. O excesso, a desmedida, são considerados viciosos, desde a Antiguidade. Os autores de auto-ajuda pecam ao conceber estas disposições como absolutas. Desculpem-me, mas isto é somente uma postura de vendedor. Otimismo em excesso é loucura, burrice. E como também saber onde termina a perseverança e começa a teimosia, a burrice?

Quer coisa mais perseverante do que uma abelha se debatendo por horas, até morrer, no vidro da janela, quando sua liberdade está a cinco centímetros acima dela? Há momentos em que é muito importante dar uma parada, tomar distância, para deixar de somente perseverar, perseverar no erro. Assumir a possibilidade de derrota e saber aceitá-la é também fundamental. Isto é saber perder.

Perseverar com muita avidez pode também ser compreendido como aquela corrida desembestada de quem vai com muita sede ao pote. Avidez, o que isso significa? Desejo em excesso. Excesso de expectativas. Apego excessivo ao sucesso, à vitória. Talvez seja melhor esperar menos, bem menos, e ir vivendo, sem tanta ambição, sem tanta megalomania. E, convenhamos, é isso o que percebemos facilmente nos olhos siderados dos palestrantes do filme “O segredo”: megalomania, ambição excessiva (utilizo um eufemismo, para não dizer logo ganância), promessas, pregação fanática.

Penso que também vale aceitar o fluxo da vida, sem tanto apego a passado, futuro ou o sucesso. Repito uma história que já contei aqui:

“Como, vocês, monges, vivendo de modo tão simples e isolados do resto do mundo, se dizem felizes?”, indagou um curioso a visitar um templo, espantado com o isolamento, a simplicidade e o silêncio. Pois nada acontecia ali. Era tudo ausência. Tudo do qual nós geralmente fugimos. Aquilo que parece nos conduzir à melancolia, ao tédio.

O mestre respondeu:
“Somos felizes porque não lamentamos o passado, nem esperamos nada do futuro.”
Os autores de auto-ajuda, de um modo geral, concordam com a primeira parte da fala do monge. Pregam bastante que devemos nos libertar do passado. Porém, em relação ao futuro, o negócio é fomentar freneticamente um mundo imenso de expectativas, fazer os olhinhos do espectador brilharem em visões maravilhosas. Mestres da promessa contínua. Sempre renovada em um novo best-seller salvador de todas as frustrações. Indústria da esperança. É, ela existe, e vende milhões, seja por meio de auto-ajuda ou por meio das religiões.

“Nunca desista de seus sonhos”, título de best-seller do mitômano Augusto Cury. Mas é também possível dizer: pelo contrário, desista de seus sonhos e vá agir sobre o mundo. Troque seus sonhos por projetos, são bem mais sólidos e muito menos permeáveis a frustrações. Dê um passo de cada vez. Cuidado: quanto maior o sonho, maior o tombo. Sonhar alto demais, além de prova de infantilidade, é desejar sem poder e sem saber. É desejar demais o que não se tem. É apostar na frustração, no tombo, na mentira.

E por que ficar sonhando, devaneando, seria a garantia do sucesso? A avidez é prova de que o tiro pode sair pela culatra. Se um por um lado, sonhar, fantasiar, produz ensaios, os quais nos prepararam para um evento futuro. Por outro, podem também criar excesso de expectativas, a melhor receita para frustrações difíceis de se contornar.

Já sugeria Machado de Assis: pior do que cair do segundo andar e quebrar a perna, é cair das nuvens, de um sonho. Eis a frustração. E é menos tolerante à frustração quem não é capaz de considerar ou suportar a possibilidade de fracassar. Se o fracasso é insuportável, há baixa tolerância à frustração. E qual é a saída patológica para isso? Segundo Freud, é o mecanismo infantil de se refugiar na fantasia, a qual aparta o sujeito da realidade, impedindo que viva e aja de verdade em sua vida concreta. Ou seja, o sujeito passa a negar a realidade.

Examinemos o mecanismo de recalque. Visa afastar da consciência algo que seja desagradável. É o famoso “isola”. Produz o isolamento do que seja doloroso lidar. Torna inconscientes os conteúdos que provocam desconforto: tanto o que o senso comum chama de pensamentos ruins, negativos, como o que é proibido, censurável, moralmente condenável, ou o que ainda não é identificável e também dotado de uma desagradável e insuportável estranheza.

É aquela coisa, o sujeito sente algo estranho, o qual ainda não sabe o que é, porém nefasto. A tendência é recalcar: isolar, tornar inconsciente, antes mesmo que perceba claramente o que está ocorrendo. Um exemplo caricato, contudo bastante ilustrativo, é o recalque de desejos, ou mesmo lampejos homossexuais em alguém muito machista, homófobo. O sujeito sente algo estranho e antes mesmo de saber o que é, recalca, “isola”. É clássica a cena cômica em que o machão, sem querer, solta a franga e logo, de modo aflito, exclama: “isola, isola…”. Ou seja, é melhor deixar isso (“que nem sei o que é”) pra lá. Aliás, outra sugestão comum: “deixe isso pra lá”, “esqueça isso”.

O recalque, a negação da realidade, são então mecanismos comuns, que utilizamos com freqüência. Recalcar besteiras, detalhes, coisas sem importância, não só é comum como necessário. Porém, nem sempre funciona. E quando o recalque ou a negação falham, a coisa pode ficar bem feia. E é aí que fica deflagrada a patologia.

A partir de um certo ponto, o recalque se torna inútil e até mesmo mais maléfico. É como sempre varrer a sujeira para debaixo do tapete ou viver engolindo sapos. Chega um momento em que o caldo entorna, e de modo assustador. É o que Freud denomina como o retorno do recalcado ou o sintoma. A tendência é começar a agir descontroladamente em função daquilo que se recalcou. O que foi negado passa agora, disfarçadamente, a comandar o sujeito.

Freud é um defensor da conscientização. Acredita em sua força libertadora. Mas não é somente Freud quem pensa assim. É praticamente toda a história da sabedoria, seja ela ocidental ou oriental. Quando vejo o receituário de um filme como “O segredo”, ou qualquer pregação exclusiva ou excessivamente otimista, não consigo deixar de pensar que é imprudente conceber o otimismo como um bem absoluto. Nestes termos, a apologia do otimismo é a apologia da negação da realidade, da ignorância. Por este ponto de vista, o que fazem os otimistas? Negam a realidade.

Outro bom exemplo para botar um pouco mais de auto-crítica nas apologias do otimismo é a sabedoria Zen. O que ela ensina também não tem nada a ver com o otimismo: “Quer flutuar? Afunde. Quer afundar? Flutue”; “Quer acertar no alvo? Antes desprenda-se do alvo e de si mesmo”. No livro “A arte cavalheiresca do arqueiro Zen” está assim: “a resposta é: o discípulo só progredirá se se desprender de toda intenção e do seu próprio eu” (Herrigel, 1999, p. 83).

O desapego, o desprendimento, são partes fundamentais do ensinamento Zen. Quando muito desejamos algo, tendemos a não ser capazes de manter uma certa distância da situação. Tornamo-nos, muitas vezes, ávidos, em busca aflita, o que pode por tudo a perder. Nestes casos, muito comuns, é mais prudente preparar-se também para aceitar o fracasso. Não basta simplesmente botar na cabeça que já conseguimos.

Lembro-me de um amigo, apostador compulsivo. Gastava boa e importante parte de seu salário apostando na loteria. Era muito otimista. Aos seus críticos dizia assim: “vocês vão ver quando eu ganhar”. Não adiantou pensamento positivo, otimismo ou perseverança alguma. Negar a realidade, ou seja, a chance irrisória de acerto, não conduziu a nenhum sucesso. Isto porque ele estava simplesmente equivocado.

Apesar de ainda caber aqui mais uma série de observações, fechemos, por fim, este longo texto com a seguinte e breve consideração: “Se macumba desse certo, o Haiti era campeão mundial de futebol.”

Referências

HERRIGEL, E. (1997). A arte cavalheiresca do arqueiro Zen. São Paulo: Pensamento.

COMTE-SPONVILLE, A. (2004). Dicionário Filosófico. São Paulo: Martins Fontes.

TSUNETOMO, Y. (2004). Hagakure: o livro do samurai. São Paulo: Conrad do Brasil.

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