Discriminações simples e reversões de discriminação entre estímulos visuais em melíponas, utilizando aparelhos automáticos

Antonio Mauricio Moreno/ Gerson Yukio Tomanari
Universidade de São Paulo
Deisy das Graças de Souza
Universidade Federal de São Carlos

Em estudos sobre aprendizagem em abelhas têm sido relatadas discriminações simples entre estímulos visuais, como luzes, cores, formas geométricas, além de discriminações entre odores. O estabelecimento de discriminações simples é requisito para o estabelecimento de relações condicionais e não pode ser obtido sem o uso de estímulos salientes para a espécie estudada. Além disso, devem ser controladas adequadamente variáveis experimentais como localização dos estímulos, tempo de apresentação dos estímulos, respostas específicas aos estímulos (respostas de observação) etc. O objetivo do presente estudo foi estabelecer discriminações simples e reversões de discriminação em abelhas, utilizando-se aparelhos com registro automático da resposta operante (pressão-à-barra) e apresentação automatizada dos estímulos discriminativos e estímulo reforçador. Dez abelhas operárias da espécie Melípona quadrifasciata, experimentalmente ingênuas, foram treinadas a discriminar entre dois estímulos luminosos (entre luz branca, luz azul, luz amarela e lâmpada apagada). Posteriormente, eram treinadas a reverter a discriminação e, novamente, a reverter a última discriminação aprendida, e assim sucessivamente. Os estímulos podiam ser apresentados em duas diferentes áreas – uma área de projeção horizontal, no piso de cada aparelho e junto ao operando e ao bebedouro; outra, vertical, posicionada posteriormente ao operando e ao bebedouro. A cada tentativa, uma abelha tinha acesso a uma solução açucarada se emitisse uma resposta junto ao aparelho que apresentasse o estímulo definido como correto. Oito abelhas aprenderam a discriminação treinada. Entre essas abelhas, quatro aprenderam ao menos uma reversão de discriminação. Duas abelhas não aprenderam a discriminação simples treinada. Os resultados confirmam a capacidade dessa espécie em apresentar discriminações simples entre estímulos luminosos. Contudo, o desempenho de abelhas nessa tarefa mostrou-se bastante sensível ao modo como são posicionados esses estímulos e a qual par de estímulos era utilizado. Além disso, o presente estudo confirmou a adequação do uso de uma resposta operante saliente (pressão-à-barra) em treinos de discriminação em abelhas.  

FAPESP

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