Práticas Educativas Parentais e o Comportamento Drogadicitivo: Um estudo da interação familiar de um dependente químico

Walter Eduardo Granetto*, Amanda Wechsler, Camila Ribeiro Coelho, Paula Brandão Scarpelli, Vera Adami Raposo do Amaral.
Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Para o behaviorismo radical, o comportamento de consumir drogas segue os mesmos princípios gerais de qualquer outro comportamento, ou seja, é entendido como um comportamento determinado pela aprendizagem que emerge da relação entre o indivíduo e seu ambiente, e sobretudo, mantido por suas conseqüências.

Assim, este trabalho procurou investigar quais foram as práticas educativas utilizadas pelos pais de um dependente químico, (práticas educativas entendidas como eventos sociais que seguem e precedem um certo comportamento com o intuito de controlar e modelar o comportamento dos filhos), assim como identificar que padrões de comportamentos foram modelados através dessas práticas e como estes, em certa medida, aumentaram a probabilidade deste individuo envolver-se com drogas.

O participante possui a idade de 18 anos, do sexo masculino, proveniente de uma família biparental, de nível socioeconômico médio, internado numa instituição de recuperação de dependentes químicos. Para obtenção dos dados foram realizadas entrevistas baseadas no instrumento “Escalas de Qualidade de Interação Familiar – EQIF”.  As categorias investigadas foram: envolvimento, regras e monitoria, comunicação positiva dos filhos, comunicação negativa e modelo. O participante respondeu as questões do instrumento tendo assim o objetivo de conhecer em detalhes as práticas educativas utilizadas por seus pais, e principalmente, como tais práticas foram percebidas pelo participante.

Os resultados sugerem que as práticas educativas utilizadas não possibilitaram que  algumas habilidades importantes fossem ensinadas ao sujeito da pesquisa, as quais influenciaram negativamente na competência nos relacionamentos interpessoais e num manejo das contingências de forma inadequada, aumentando assim a probabilidade do sujeito ser mal-sucedido na vida adulta. Assim ao  restringir as fontes de reforço presentes no ambiente convencional (escola, trabalho) o sujeito mostrou-se inclinado a procurar ambientes não coercitivos, como os grupos desviantes, aumentando assim a probabilidade do indivíduo envolver-se em comportamentos drogadicitivos.

Capes,CNPq

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